quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pelo direito de ter um amigo homem

Eu o conheci de maneira imprevisível. Um cara tão comum, tão igual a todos os outros, exceto pela sua forma de se expressar. Um poeta raro. Um homem com um jeitinho menino. Tão maduro e tão bobo. Em uma conversa, uma longa conversa, ele já sabia quase tudo sobre a minha vida e eu a dele. 

Ele é um amigo desses que pode me ligar a qualquer hora, que eu vou correr descalça (se for preciso) para encontrá-lo e dizer que vai passar. Ser amigo de alguém é muito mais que pagar a conta da balada, é muito mais que emprestar uma camisa, é muito mais que uma cerveja no barzinho da esquina, é muito mais que "oi, saudade, vamos marcar de sair". É muito mais que um numeral na sua rede social. Amigo que é amigo faz coisas que a gente mesmo, não acredita. Amizade é sinceridade, é lealdade. É cumplicidade e companheirismo. É respeito, é risadas e é choro também. É xingar, elogiar e é não deixar sair de casa com aquela roupa cafona. É abraço, é carinho, é beijo. É um olhar infinito de ternura em meio à uma gratidão por ele existir. 

A gente se apaixona por amigos também.  

Amigo homem não tem frescura, não tem inveja e não tem ciúmes. Fala sobre sexo sem cara de fazer de nojo, sem nenhum constrangimento. Não tem tpm e topa qualquer parada. Dão os melhores conselhos porque fazem parte do universo masculino e enxergam coisas que nós, mulheres, nos recusamos a ver... ou aceitar. Não tem inveja do seu sapato novo e não fala mal do vestido que você comprou na promoção. Amizade com homem é assim mesmo, não existe dicas de maquiagem, nem futebol aos sábados, não há cobrança... o que existe é confiança.

Em saber que pessoas não aceitam tal amizade, não acreditam em amizade entre homem e mulher. Talvez essas pessoas não deram a sorte de conhecer alguém como ele. Acham que somos namorados, especulam algum tipo de relacionamento "eles vivem juntos, acha que não rola nada?" Rola sim. Muito sentimento grande que pessoas de mente pequena não fazem ideia do que seja.

Ele me mostrou que amigos não precisam se conhecer há anos, pra serem grandes amigos. O tempo só ensina pra quem realmente enxerga o óbvio. Tenho vontade de dizer "ei, olha aqui, nem ouse em sair da minha vida, seu cretino". Talvez pessoas encantadoras vêm e vão só pra mostrar que nem tudo é o que parece ser, nem tudo está perdido e nem todas as pessoas são iguais. Eu não quero que ele vá embora, porque eu cansei de amizades instantâneas. Cansei de quem vem, me enche de alegria e vai embora como se não soubesse que a saudade existe e tem um gosto amargo. Eu não sei me despedir, eu não sei aceitar que tudo tem um fim. Porque amizade que é amizade não acaba. Nem mesmo por uma terceira pessoa. Nem mesmo pelo tempo. 



Psiu, dentre todos os ventos que a vida já me trouxe, você é a brisa mais leve. Nessa linha tênue entre destino e coincidência, cá estou, rezando que essa nossa sintonia não seja um acaso. Nossa amizade está na sincronia perfeita do tempo, para sempre e enquanto durar.


Ana da Mata

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Camarada Azarado

Era um camarada azarado, mesmo possuindo todos os adjetivos que existem num dicionário. Seu cabelo castanho era seu charme, seus olhos verdes eram como um convite para a  perdição. Encantador, lindo e azarado. É viciado em sexo. Paga para mulheres passarem a noite com ele, porque gosta de um bom sexo matinal.  Tem um jeito generoso, divertido, carismático e cafajeste. Ele pode ter qualquer uma em sua cama e na hora em que bem entender. Ele se afasta do amor, não acredita que um homem pode ser feliz com uma mulher só. 

 Mas o destino passou em sua vida e lhe deu uma grande mulher. Ah, uma morena digna de ser capa de revista. Se conheceram em uma palestra, já que ambos possuem cargos importantes na sociedade. Ela se apaixonou por aqueles olhos e mais: por ele. Se apaixonou como quem se apaixona quando se tem 12 anos. Passaram três meses juntos. Em uma manhã de domingo, ao acordar, ele se deu conta que dormiram de conchinha. “A vida é muito curta para trocar sexo+diversão por sofá+pizza”, pensou ele. Ficou tonto, levantou-se e foi embora. Não deixou bilhete, não deixou rastros, não deixou flores. Não deixou nada além de uma cama com uma mulher e sua ausência imperdoável. 

Ela é muito forte, inteligente e decide não procurá-lo. Ela sabe que mulheres fortes choram, sofrem, mas não se humilham. Ela sabe que amor tem que ser recíproco e não mendigado.

Dias depois, ela recebe flores e uma carta que dizia: “Ei mulher, sinto sua falta. Sinto falta do seu cheiro, da pinta que você tem na nuca, da sua risada estranha, do seu seu gato preguiçoso. Sinto falta da sua companhia, sinto falta de nós. Eu me apaixonei por você e percebi nesses dias terrivelmente tediosos. Fui covarde, eu sei. Mas o amor é isso, não é? Dizem que nunca é tarde para amar. Prometo que se me der mais uma chance, serei seu. Serei seu até o dia em que você quiser deixar de ser minha. Sinto sua falta!”
O coração dela apertou em cada palavra escrita. Ela chora, soluça, sorri, se empolga, chora de novo e decide escrever um e-mail.

“Querido  camarada azarado, eu também senti a sua falta. Senti falta da sua cueca boxer preta do Batman, senti falta da sua perna entrelaçada na minha. Mandar flores com um bilhete, não ameniza, não dói menos e não me faz te querer de novo. Você está errado, amor não é isso. O amor não é para covardes. Você tinha tudo para ser meu, tínhamos tudo para sermos um casal feliz. Tínhamos. Você poderia ter  tudo para ser o cara mais sortudo do mundo, se não fosse pelo seu alto nível de testosterona. Espero que um dia você entenda que sortudo é quem tem coragem de amar e deixar ser amado também ...”


Ela parou, pensou e salvou como rascunhos.  Deu-se conta que ele é só um cara azarado, talvez covarde. Mas azarado, por ter sempre mulheres que poderiam ser um grande amor e acabam sendo só mais uma.  Ela não envia, não responde, não faz nada. Deixa apenas o camarada na companhia de suas lembranças acompanhadas de seu silêncio.


Ana da Mata

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Intimidade é uma merda cheirosa

Que intimidade é uma merda, todos nós já sabemos. Mas  não é tão nojento quanto parece ser. Eu não tenho corpo de mulher fruta ou de modelo, eu tenho estrias, celulite e pra piorar seios pequenos. Pra piorar mais ainda, eu não sei ser sexy. Sou desengonçada demais pra me equilibrar em cima de um salto 15, com uma lingerie vermelha com cinta liga . Até tento, mas toda vez que saio pra comprar algo lindo pra ter uma trepada digna da lingerie, eu sempre saio da loja com o babydoll mais fofo, como quem fosse passar a  noite com um pote de sorvete assistindo O Diário de Bridget Jones. 

 Mas você... Você me mostrou como é bom ser íntima de alguém, com infinitos motivos banais. Me mostrou com esse seu jeitinho malandro que me faz achar que pode ser você. É esse jeito desencanado com a vida, com um sorriso envergonhado que me faz ficar caidinha por você. É seu humor em período integral que me faz brilhar os olhos . É esse seu carisma, seu jeito bobo que me faz ficar boba também. É esse seu jeitinho Shrek de ser que me faz achar que você é diferente de todo o resto. É um ogro com tamanha dedicação, é um grosso com tamanha ingenuidade. É se fazer de durão, mas deixar de assistir uma partida de futebol pra ir me levar na praça matar meu desejo de sorvete. 

 É você querer dividir o seu dia e sua vida comigo. É você me mandar uma foto da sua labradora brincando com o seu novo vira-lata enquanto eu estou fora. É pequeno, é irrelevante. E é impossível não ficar feliz  em saber que eu faço parte dos seus detalhes.  É você me ligar depois de ir jogar bola e reclamar do juiz que te deu um cartão amarelo. É querer beijar seu pescoço e você não deixar, porque você não resiste a isso. É você sussurrar besteiras no pé do meu ouvido enquanto estamos num jantar familiar, só pra me fazer corar as bochechas e me deixar arrepiada. É você ser exatamente um cara do avesso, que me faz achar que pode ser você.

É você soltar um pum, fazer cabaninha com o edredom, rir e dizer que me acha linda quando estou brava. É você sair correndo ao supermercado pra comprar absorvente pra mim e lembrar que tem que ser com abas. É você franzir a testa quando eu arroto e me lembrar que meninas não fazem isso. É você reparar que tenho uma pinta na virilha. É me dar banho e limpar meu vômito depois de uma noite open bar. É brigar comigo e mandar eu criar vergonha na cara e ir lavar meu cabelo oleoso. É você vir me beijar depois de comer uma pizza de bacon, eu resmungar e mandar você ir escovar os dentes.

Eu amo a nossa intimidade, porque você me mostra que pode ser você. É você ir fazer xixi, eu te empurrar e sair correndo (porque você é vingativo demais pra deixar pra lá). É eu ir tomar banho e você jogar um balde de água gelada. Você me mostrou como é bom ser íntima de alguém com mais tantos outros motivos banais, que é melhor nem citar aqui. É você saber que eu não consigo dormir sem coberta. É saber que fico de mau humor quando estou com fome e ser paciente com isso. É saber lidar com a minha bipolaridade que nem eu entendo. É  entender que minha TPM requer abraços, filmes românticos e chocolate todos os dias. 

É você conhecer cada canto do meu corpo, cada defeito e dizer que eu sou a melhor namorada que você já teve. É você dividir sua intimidade comigo, sem vergonha e sem limite. É você ser tão comum, tão normal, que me faz achar pode ser você. Ser tão caridoso, tão engraçado e ser meu. Ser tão próximo, tão amigo e tão oposto a tudo o que eu sempre busquei num homem, que me faz achar que pode ser você, para sempre. 


Ana da Mata

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Por um mundo com menos rotina e mais meias três quartos

Ser um casal rotineiro não é tão ruim quanto parece, não é ruim acordar todo dia ao lado de quem ama, não é ruim conhecer cada detalhe um do outro, não é ruim saber os lugares favoritos, os pratos prediletos, as fraquezas, as manias. Não é ruim ir sempre no mesmo lugar, contanto que sempre se divirtam. Não é ruim sair sempre com o mesmo grupo de amigos, contanto que sejam boas companhias. Se torna ruim a partir do momento que desgasta, que atrapalha, que desanima. Se torna ruim quando a rotina chega chegando e você não sabe o que fazer para mudar. É algo que assusta. Escolhas, difíceis escolhas. 

É hora de mudar quando o beijo começa a ter gosto de biscoito de água e sal. Quando o sexo começa a ter data e hora marcada na mesma cama, com um lençol que nunca muda. Quando andar de mãos dadas perde toda a emoção e se torna tão comum quanto pentear o cabelo. Quando ele diz que te ama e você escuta bom dia. Quando ele te liga e você atende por obrigação, não por vontade. Quando a saudade fica de lado, o amor apagado e as lembranças te remoendo todos os dias pra não te fazer esquecer de como tudo já foi bom.

É hora de jogar fora o manual-de-bom-comportamento-para-iniciantes-no-campo-amoroso.

Saia da sua área de conforto. Saia do habitual mundo dos selinhos, beije com mais língua, com mais vontade, com mais mordidas. Faça mais sexo na escada, experimente novas posições, use meias três quartos. Aprenda a fazer boquete e aceite receber o melhor oral da sua vida. Sentir vergonha de ter prazer, é como ir no Mc Donalds e não repetir: chega com vontade e sai insatisfeita.

Tenha um namoro digno de borboletas no estômago a cada encontro. 

Controle mais o seu ciúmes e explore mais a liberdade de vocês. Visite lugares novos, saia com pessoas diferentes. Diga mais eu te amo, abrace mais, declare mais, doe mais. Não deixe que a rotina acomode, ela pode ser boa em quesito conforto - mas é uma péssima conselheira. Faça uma reciclagem de vocês, resgate as coisas boas e jogue fora o que não presta mais. Casais apaixonados que duram um mês tem aos montes, faça diferente. Tente! Dura pouco porque não há persistência, desistem no primeiro obstáculo, não há vontade de ser único na vida de alguém. Também não seja  tola de tentar algo que no fundo você sabe que não tem a menor chance de dar certo. 



Quando foi a última vez que saíram por espontaneidade? Quando foi a última vez que se emocionaram por uma surpresa, sem que fosse feita em uma data especial? Quando foi a última vez que se divertiram  juntos? Em teoria é super fácil lidar com relacionamentos desgastados, na prática torna-se difícil quando você não sabe o que fazer. Então tente tudo o que não fizeram antes. 

Permita-se tentar, por vocês. Permita-se brigar por besteira e fazer as pazes em seguida. Porque motivos banais faz parte numa relação. Permita-se ir vê-lo jogar futebol e comentar sobre os lances do jogo. Permita que ele te veja ao acordar, porque não há nada mais belo que beleza natural. Permita compartilhar seus medos, seus segredos e seus fetiches.

E se nenhuma das suas tentativas darem certo, seja forte e tenha coragem para desistir. É cansativo namorar sozinha, tentar sozinha. É cansativo carregar o namoro em cima de um salto alto e se iludir achando que ele é o único cara do Universo. Ele não é. Relacionamento é uma via de duas mãos.Ou vocês caminham juntos, ou mudam de direção.

Se for fazer tudo sozinha, coloque a felicidade dentro da sua meia três quartos e abrace a vida.


Ana da Mata

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Agridoce

Por mais agridoce que seja o nosso relacionamento, todos os mestres da culinária me ensinam receitas pra me ensinar que é mais doce estar ao seu lado. Por mais louco que pareça ser esse sentimento, todos os terapeutas me cobrem de frases feitas me mostrando que mais louco seria desistir de você. Por mais que eu saiba que tudo isso um dia tem um fim, todos os espiritualistas gritam ao universo que vamos nos encontrar numa próxima vida.

Por mais que eu resista de encarar o fato de que é melhor seguir em frente sozinha, eu insisto em sonhar numa nuvem de algodão doce de que a vida não tem graça sem você. Por mais que eu queira te deixar, eu não consigo me soltar dessa âncora que me prende em seus braços. 

Por mais que a minha personalidade bipolar mude de ideia várias e várias vezes, por mais que eu te ame e te odeie ao mesmo tempo num dia só; Você se adapta a cada uma delas e ainda as domina. Por mais triste que eu possa estar, você tem sempre uma piada pra me fazer rir. Por mais enraivada que eu esteja, você me olha com um sorriso gentil, meigo... como se eu fosse sua pessoa favorita.

Por mais que eu tenha 99% de certeza que nunca vamos sair desse namoro rotineiro-roda-gigante-sem-futuro, é esse 1% de esperança que me mantém ao seu lado. Por mais paciente e compreensiva que eu seja, eu sei que há uma grande diferença entre ser uma boa pessoa e ser uma pessoa trouxa. 

Por mais que eu repita que eu não te quero mais, alguma coisa em mim insiste em te querer. Por mais que eu queira desistir de nós, alguma coisa me faz continuar. E por mais decidida que eu seja, eu bato os pés no chão e não aceito o nosso fim.  O que eu sinto por você nenhum terapeuta explica, nenhum mestre de culinária tem receita, nenhum escritor sabe expressar num livro e nem eu sei escrever ou explicar. Só sei que tem gosto de chocolate com pimenta.



Ana da Mata

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Uma carta pra você que ainda não chegou

Talvez eu seja meio individualista, vivo no meu mundinho - onde todas as pessoas que vivem nele são essenciais na minha vida. Meu mundo não é fechado, mas é para raros. Ainda tem espaço para você. Eu não quero criar percepções do irreal, não quero fugir de você. Então seja diferente. Seja mais cérebro que bunda, ou músculos, seja divertido(a). 

Eu não sei viver pela metade, não sei fingir que está tudo bem, não sou fã de tirar uma selfie com um sorriso falso e postar no instagram. Eu não quero viver de faz de contas. Quero namorar mais e passar menos tempo atualizando status no facebook. Eu gosto do esclarecido, do correto e do sincero. Eu vivo de claridades, de céu azul, com fé. Eu conheço muita gente, um mix de pessoas, considero como amigo (a) todas as crianças, presentes de Deus para nós, são as únicas em quem podemos confiar plenamente na certeza que são sinceras conosco. Do que passo disso eu posso lhe assegurar que sou cauteloso com todos, eu já me decepcionei, já deixei a desejar, sou uma pessoa falha e sei muito bem que todos nós temos os nossos defeitos e qualidades.

Eu não estou te procurando. Ah não, eu não procuro o amor. Eu o espero, talvez a gente se encontre num bar, eu te ofereça uma cerveja e eu me encante por você não ter gostado de Crepúsculo. Talvez a gente se encontre por aí, num parque quando eu estiver levando meu cachorro pra passear e eu me encante por você também gostar de animais. Ou talvez você leia essa carta e me procure e eu me encantar por você me dizer que também não entende esse mundo em que vivemos. 

Dou valor ao simples. Gosto de ter contato com a natureza, amo praia, gosto de um bom cenário para fotografar. Se for pra se entregar a mim, que seja pra eu ser seu primeiro pensamento do dia. Pra sair com os meus amigos loucos naquele restaurante japonês que você ama. Pra sairmos numa terça-feira a noite, não só aos sábados. Pra irmos juntos no show da minha banda de rock favorita e tomarmos juntos uma caipirinha. 

Não pense que eu seja exigente, covarde ou qualquer outra coisa. Mas tudo o que sou hoje e tudo o que eu quero para nós, é para te proteger também. Aprendi que valores estão sendo trocados por futuras lamentações. Você pode ser tudo pra mim, não escolha ser só mais um(a). Seja você pelo simples prazer de ser o que você é. Chegue perto de mim, sinta-me, toque-me... e deixe que eu te beije. 

Eu não te procuro. Não sei onde e com quem você está. Mas toda noite eu rezo: Ache-me, por favor. 


Ana da Mata

terça-feira, 22 de julho de 2014

Príncipe made in China

Acordei com sintomas de saudades. Fiquei deitada na cama me perguntando o que deu errado. Por que raios ele nem sequer me procura?  Eu e essa minha mania tortuosa de ter tendências masoquistas. Éramos grudados, como se ele fosse a geladeira e eu um imã. Mas não havia mais amor, os beijos apaixonados se tornaram selinhos e o sexo, nem havia mais sexo. Acabou quando ele me disse que precisava ir ser feliz.

Num dia qualquer, eu o encontro na rua dentro de uma jaqueta de couro e uma touca estilosinha de adolescente. Passou por mim e perguntou como eu estava, eu sorri e disse que estava ótima. Por uma fração de segundo eu o observei e entendi, naquele momento eu entendi porque não daríamos certo. 

Não há mais nenhum sentimento entre nós. Peguei toda a saudade que sentia por ele e engarrafei. Misturei atitude, amor próprio, sonhos, esperança e tomei tudo em uma golada só. Se for pra ter ressaca, que seja de coragem pra seguir em frente.

Uma hora depois, recebo uma mensagem dele "Você está linda! Sinto muito por termos acabado na rotina e termos nos acomodados nisso. Quer sair comigo?" Educadamente, eu respondo: "O comodismo pode trazer conforto, mas é uma péssima companhia." Ele respondeu: "Rs E aí topa sair pra relembrar o passado? Ou quem sabe falar do futuro..." 

Eu digitei, mas pensei bem e não o respondi. O que ficou pra trás, não deve fazer do presente e muito menos atrapalhar o futuro. Eu não o amo mais, triste. Mais triste ainda quando acaba o encanto. De Shopping Center de luxo passou a ser uma barraquinha de camelô. De príncipe encantado passou a ser um sapo. 

Não existe mais nada que possa reverter essa situação. Meu ex príncipe made in China agora é meu atual encorajador de sonhos. Tô indo viver sem sonhar com você... 
Seja feliz no seu reino não tão encantado assim. 

Ana da Mata

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Amor de balada

A gente nunca espera encontrar um amor no sábado a noite, a gente se depila porque espera sempre encontrar o lobo mal (mesmo com aquela esperança do lobo mal se tornar um príncipe da Disney). Mas eu tô falando de amor amor, amor duradouro, amor de pensar em casar, amor de sentir ciúmes , amor de ficar sonhando acordada. Não me refiro a esses amores platônicos, amores de uma semana que tá na moda. Nos conhecemos na balada, quem diria que ia dar alguma coisa, éramos tão diferentes, com idades tão distantes. 

Ele? Ele é um homem com um jeito de menino. Ele é bobo, mas de um jeito bom, ele é engraçado. Vaidoso e dono de uma personalidade incrível. Tem um coração bom, se faz de machão, mas se derrete ao ver um cachorro na rua. Ele não é o cara mais lindo do mundo, muito menos o cara mais bonito que eu já fiquei. Mas ele é o único que me faz bem. 

Ele? É cheio de defeitos, nossa senhora, ele é marrento, teimoso, cheio de frescura de um sr. de idade, sabe bem convencer outra pessoa. Tá longe de ser perfeito, mais longe ainda de ser o melhor namorado que eu já tive ou poderia ter tido. Mas ele tem um cheiro tão agradável, só dele. O beijo dele é a peça que faltava do meu quebra-cabeça. 

Ele? Tem um andar inconfundível, sabe cozinhar melhor que a minha mãe. Ele não assiste nenhum filme sobre cachorros, porque tem medo de perder a dele. Ele me mima muito. Ele treme as pálpebras com sono, insiste em ver o flime até o final. Ele já mentiu, perdi a confiança. Mas ele tenta recuperá-la todo dia. Ele solta puns aterrorizantes, mas tem um abraço aconchegante.

Ele? Ah, ele é um cretino! Já me magoou e não foi pouco. Até hoje me pergunto como eu suportei e ainda estou com ele. Ele tem uma risada escandalosamente alta, mas uma voz suavemente sexy. Mulher tem mania de colocar um "mas" em tudo, achando que isso vai se tornar uma certeza um dia. Nosso namoro está durando, muuuuuuuuito mais do que imaginei. Passa rápido, como passa..

Não é vício, não é um sentimento doentio, não é drama, não é medo de ficar sozinha. Talvez seja um relacionamento bipolar (desses que tem dias que dá vontade de terminar e no outro pedir em casamento). Talvez seja teimosia minha, talvez seja insistência, talvez seja burrice, talvez seja amor... 







Mas, como eu não gosto de viver em achismos ou em talvez, eu concluí que sou tão louca quanto ele e que nosso amor entrou no ritmo. Enquanto estivermos felizes, foda-se. Amor de balada existe e nem sempre dá ressaca. 



Ana da Mata



segunda-feira, 16 de junho de 2014

Eu não sou o seu plano B

Na beira da praia, naquele feriado, eu estava ali, com ele. Só com ele! Abraçada e totalmente envolvida por aquele olhar. Uma piada me faz gargalhar, suspirando, sem querer eu disse: "ai ai, te amo, te quero pra sempre" (Não bastava assusta-lo com eu te amo, eu também tinha que romantizar e dizer o para sempre). Quando me dei conta do que eu falei, minhas bochechas viraram dois tomates. Um instante de silêncio. Um frio na barriga e centenas de borboletas me invadem. Então, ele sussurra: "para sempre não" e me beija suavemente na testa. 

Era tudo tão mágico, mas você se foi. Disse que eu era muito complicada e não existia manual pra continuar a nossa relação, disse que nem tudo era como eu queria e que tentou mudar por mim. Querido, algum dia eu pedi pra você mudar? Pessoas não mudam, melhoram. E melhoram por amor e prazer próprio. Pessoas não mudam, amadurecem e crescem.

Nunca fui boa em sentimentos, esse troço pacato de gostar não é pra mim. Eu sabia, sempre soube disso. Por que seria diferente com você? Só porque você, diferente de outros, me comeu e não foi embora? Porque você fazia morango com chocolate pra mim? Porque você sempre sussurrava no pé do meu ouvido o quanto eu era linda? Porque você me ligava toda manhã pra desejar um bom dia? Porque você disse que pensava em mim ouvindo Lifehouse? Só por isso? Como eu fui inocente! 

Numa manhã, sentada na beira da praia, pensando no que poderíamos ter sido, cansada de chorar e parecer fosca diante daquele sol radiante. Me dei conta do cara sem noção que você é. Me lembrei do dia que eu disse eu te amo pela primeira vez e você fingiu não ouvir. Me dei conta que gostar de você, me fez esquecer completamente de viver. Me dei conta que atender suas ligações e ser sua por breves momentos, era só um amostra instantânea de como é ser uma válvula de escape. 

E foi neste momento que caiu minha última lágrima e abriu meu primeiro sorriso. Foi neste momento que eu lembrei de você me dizer "para sempre não". Será que você teria as mesmas atitudes se soubesse que eu trocaria o felizes para sempre, por felizes para hoje?

Só pra constar, eu até poderia ser movida por este sentimento imbecil e te aceitar de novo. Mas por instantes, só pra um remember, só pra eu ter certeza de que não tô perdendo nada e mostrar que foi você quem perdeu tudo. Já que minha mania de romantizar tudo ainda está presente em mim e ela insiste em querer o achar cara que aceite viver o para sempre. Nem que o felizes para sempre dure só por um dia, por um mês ou anos; Mas o cara que aceite ver no que vai dar. 



Ana

terça-feira, 3 de junho de 2014

Desabafo

Não é comum presenciar cenas de pessoas brigando na rua, quer dizer, não era. Hoje em dia é tão comum quanto presenciar cenas de pessoas fingindo que estão dormindo no assento preferencial. 

Estou perplexa com a reação das pessoas em tudo o que acontece no cotidiano. Não podemos mais esbarrar em ninguém, não podemos olhar, não podemos pedir licença. Nada! Já olham com cara feia, outros xingam, outros até querem brigar. O que está acontecendo? É falta de sexo? De dinheiro? É muito stress? Cansaço? 

Antigamente o cavalheirismo do homem era levantar e dar o lugar para a mulher sentar, hoje em dia é "quer que eu segure sua bolsa?" Tá, tudo bem. Até da pra relevar, levando em consideração que a vida não tá fácil pra ninguém, a rotina e o cansaço tá pegando todo mundo. Mas ser mal educado, ficar encochando ou levantar a voz, é palhaçada. 

Eu realmente estou tentando assimilar tudo o que eu vejo e presencio, tudo o que estou vendo são pessoas egoístas, medíocres e que não fazem ideia do que é ser gentil. GENTE, COMO ASSIM? Quando somos educados, as pessoas até se assustam. O mundo está cada vez mais agressivo, as pessoas estão respondendo a toda essa agressividade na mesma moeda. Ninguém consegue entender que gentileza gera gentileza, ser educado não é caro e respeitar outro cidadão não dói. 

Existem pessoas boas, pessoas más e pessoas baratas. Pessoas baratas se vendem por pouco, acham que na porrada resolvem tudo, acreditam que sentimentos são comprados com qualquer bugiganga bonitinha ou com saias curtas e o pior: acham que caráter vende em qualquer prateleira de supermercado. Não! Caráter não é opcional, não se vende a qualquer preço parcelado no seu cartão de crédito. Ou você nasce com ele ou nunca vai saber o que significa. 

Não importa o tipo de pessoa que você é: medíocre, hipócrita, ignorante, mal educada. Eu só te desejo o bem, mas bem longe de mim. Sinto muito por você, na verdade sinto muito pouco. Cada um colore a vida como quer, se você prefere viver no preto e branco... Um beijo! 


Ana da Mata

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Antes de ir, fica.

Ei, escuta aqui. Você não precisa ir.

Fica. Com calma, com tranquilidade. Sem medo, sem pressa. Fica comigo num sono leve, num abraço apertado e num beijo demorado... Faça-me surpresas e não me iluda, não crie falsas expectativas. Fica comigo naqueles dias da semana que eu estou completamente carente e, principalmente, nos dias que eu estiver estressada e irritada.

Fica. Me lembre todos os dias de não deixar a toalha em cima da cama, não esquecer de trancar a porta antes de sair de casa e não parar com a mania de falar o quanto meu cachorro é bagunceiro e só pensa em comer, como eu. E eu babar de amores e concordar, porque dizem que cachorros puxam mesmo aos seus donos. 

Fica. Sem deixar que nossa história fique com gosto de leite coalhado, sem implorar por atenção e entender que eu preciso do meu tempo sozinha, como você precisa do seu. Você não precisa se contentar com migalhas, ninguém merece um amor mendigado. Não é digno, não é merecedor, não é recíproco.


Fica. Pra gente continuar indo naquele restaurante japonês, continuar fazendo pizza caseira às quartas e viajar nos feriados. Pra gente continuar indo deitar de conchinha, só até eu dormir, começar a me mexer sem parar e roubar a coberta toda só pra mim. Pra gente continuar a reclamar que nunca passa nada interessante na tv aos domingos e quando passa, temos algum compromisso. 


Fica. Não tenha medo da rotina, ela só vai atrapalhar se não soubermos renovar o que sabemos fazer de melhor: curtir a vida. Nosso laço não precisa ser desamarrado, mostra pra mim que você é responsável por aquilo que cativa. Não tenha medo de ex namorados, se é ex não faz sentido virar atual. Na minha vida quem vai, não volta. Por isso, fica. 


 Fica. Mas fique de verdade e se doe por inteiro pra mim. Cuida de mim quando eu estiver bêbada, acordar numa puta ressaca e rirmos juntos das nossas besteiras alheias. Fica pra você me chamar de sua e eu te chamar de meu. Fique que eu também cuido de você. 

Dos meus problemas, você foi a solução. Dos meu medos, você foi a confiança. Das minha dores, você foi a cura. Você não tem que ir. Não agora. 

Antes de ir, fica?











                                                       

                                                        Ana da Mata


 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Incerteza de um quase

Eu sempre achei que eu era meio termo. Tanto faz, quase, morno, nublado, mais ou menos. Achava que eu era relax demais pra ter uma personalidade forte pra ser 8 ou 80. Achava que eu poderia levar uma vida de quase tudo ou quase nada. Mas eu estava errada o tempo todo. Eu não quero o ser meio termo na vida de ninguém e não quero que minhas decisões de hoje impliquem no meu futuro, pelo simples fato de não pensar e viver nessa teoria de deixar a vida me levar. 

Chega! Vida me levar o cacete, quem manda nessa porra agora sou eu! Não gosto de nada frio, eu gosto de tomar banho na água quente. Eu gosto do verão, eu não gosto do nublado. Eu não suporto quem pensa demais para uma decisão tão simples. Chega de incerteza de um quase, eu quero certeza do tudo ou nada.

E foi nessa minha mania de pensar demais, nessa mania de deixar tudo rolar, que eu deixei você fazer de mim uma escola de samba. O problema não foi você ter feito o que fez, o problema é que vi cada movimento seu, cada erro, te vi sambando e me magoando e ainda quase te aplaudi. 

Eu achei que viver alienada seria bem mais fácil do que encarar a realidade, não gosto de ver ninguém saindo da minha vida. E na tentativa de me dizer qualquer coisa que faça sentido, você não fez nada. Do cara certo, passou ser a ser mais um. Foi quase, você foi na minha vida uma linha tênue entre o tudo e o nada. Se não tivesse sido seus quase acertos e seus erros certeiros, você seria minha certeza, mas preferiu ser meu quase.



Quase fomos felizes, quase... Mas agora é assim, ou é tudo ou é nada. De incertezas na minha vida só a roupa que vou usar nas sextas à noite. 




Ana da Mata

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tati, ariana, 19 anos e muito chata

Tati nasceu dia 14 de abril de 1995, hoje completando seus 19 aninhos. Tímida, extremamente sentimental e só quem a conhece intimamente (como eu) sabe o quanto ela é chata. Dona de inúmeras frescuras e manias. Tati, minha irmã, sempre sabe como agradar a todos, o que me irrita, porque não é sempre que são reciproco com ela. E hoje, venho falar dessa menina para vocês.

Tati é a menininha da família, com um bom coração e sempre preocupada com todos à sua volta. Eu, a rebelde da família, com um bom coração e nem sempre preocupada. Eu como irmã mais velha, deveria fazer o papel de segunda mãe e ensinar coisas da vida, dar conselhos, mostrar o lado da vida que eu já conheço e ela não. Mas aqui é ao contrário, é ela que me ensina. Me ensina com seu jeito carinhoso, romântico, engraçada e até irritante. De todas as amigas que eu tenho, é a que mais confio, a que mais me importo e a qual não vivo sem. Não mesmo!

Irmãs brigam, irmãs se amam e se odeiam no mesmo dia;
Irmãs dividem cobertor, dividem segredos e compartilham bons momentos;
Irmãs pegam roupas emprestadas (às vezes escondida);
Irmãs sentem quando uma precisa da outra; 
Ter uma irmã, é ter um porto seguro, é nunca estar sozinha, é ter sempre um apoio, é ficar brava e discutir. Ter uma irmã, é ter uma amiga de plantão 24h.
Irmãs, apesar de tudo, sempre serão irmãs.

Mesmo longe, sempre estou perto de você. Mesmo não demonstrando, eu me importo com você. Mesmo não falando, eu sinto sua falta quando não estou em casa. Hoje, eu quero te desejar muitas coisas boas, aquelas coisas clichês de aniversário, sabe? E dizer que não importa o quanto eu sou desnaturada, você sempre vai ser a minha melhor amiga, a minha confidente e a minha chata favorita. 

Nem preciso dizer o quanto te quero bem e feliz, quero que sempre seja essa menina com um coração de ouro e te parabenizar por ter uma irmã como eu. (risos) A verdade é que a sortuda sou eu, por ter uma irmã como você. 

Finalizo dizendo que você é a minha maior verdade e esse seu jeitinho de sorrir envergonhada vai sempre cativar a todos que a rodeia. Eu a carrego no meu coração, sempre estou com ele.

Feliz aniversário Tati =)
Amo você!



quinta-feira, 20 de março de 2014

A vida e suas ironias

Ele sempre conseguiu me controlar, mesmo sem perceber que tinha o poder de fazer isso. Ele sempre tinha uma desculpa esfarrapada pra cada mancada que dava comigo. E eu? Ah, eu aceitava cada desculpa. Meu cérebro adoeceu, com algo tão forte, que nenhum antivírus é capaz de remover, adoeceu de amor cego. Todo amor cego é doente. 

Nunca hesitei, nunca havia pensado na possibilidade de terminar um relacionamento. Porque imaginava que relacionamentos da vida real, eram iguais a todos os contos de fadas da Disney. Puta que pariu, eu me iludi sozinha. Nem posso colocar a culpa de todos os meus sonhos adolescentes, nele. Não posso. 

Também não posso culpa-lo por toda a mágoa e tristeza que me causou. Fui eu quem deixei. Lembra? Eu nunca ousei reclamar ou questionar, era só você chegar com um presente novo e com um café na cama, que eu já me derretia. Um derretimento apaixonado passageiro, não demorava muito pra toda aquela angústia de estar sendo enganada voltar. E por mais que eu soubesse a verdade, dentro de mim, eu não queria aceitar. 

Pois bem, eis que em uma manhã, eu acordo com um enjoo, uma ânsia. Eu queria ir atrás de um médico, pensei que era uma virose. Até eu perceber que foi a primeira vez em que eu acordei e não pensei nele. Foi a primeira vez que eu acordei e pensei em mim. Ao contrário do que pensei, eu não estava adoecendo, eu estava curando meu coração. Aquela sensação de enjoo, de aperto no coração, era simplesmente, a lei do desapego fazendo efeito.

Quanta ironia! Hoje, estamos numa situação invertida. Eu que quis sempre ser dele, me deparo, não querendo ser de ninguém. Querendo apenas sorrisos leves, abraços apertados e pessoas sinceras ao meu redor. E ele, que sempre me teve nas mãos, me quer como nunca quis antes. E me quer pra valer, pra constituir uma família, pra me chamar de sua. Se é tarde demais, eu não sei. Só sei que te dei mais chances do que eu deveria ter dado.


Ana Santos

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Chá de Sumiço

Ela era meiga. E como toda pessoa meiga: se importava com todos ao seu redor. E tinha um sonho: se casar com seu príncipe encantado e ter belos filhos. 

Era apaixonada por um rapaz. Ahhhh, um belo rapaz. Aqueles que se fosse de um filme, seria o capitão do time da escola. Ele é um bom rapaz, mas assim como todos os outros garanhões da cidade, não querem nada além de sexo fácil. 

A conquista foi rápido e fácil. Afinal, um cara tão lindo não te manda e-mail e te liga todos os dias perguntando "o que está fazendo?" ou "vamos nos ver hoje?". Ela se encantou rapidamente. O que mais faziam (e ela amava): Sexta-feira, na mesa do centro de um bar e o pedido ao garçom "uma cerveja e dois copos".

Nunca chegou a ser um namoro. Ah, não. O rapaz demorou anos para aprender a lei do desapego. E a menina, meiga, mal fazia ideia da existência dessa palavra. Não demorou muito pra ele se cansar de comer no mesmo prato todo dia. Melhor dizendo, o cara cansou de comer a menininha dos cachinhos dourados. Aos poucos, foi sumindo. Como se nunca tivesse existido. E o pior, quando dava sinal de vida e marcava um encontro: chá de cadeira na garota.

Mas ela era muito apaixonada pra desistir. Tentou. Procurou. Por tempos e tempos. E num dia qualquer, na mesa do bar... sozinha. Se deu conta que pediu uma cerveja e um copo. E então, uma lágrima caiu, escorreu por seu rosto. E ela sussurrou: Foi meu. Mas não é mais. Como tudo um dia deixa a vida, ele deixou a minha. Durou pouco, foi intenso. O que nunca teve um começo, teve um fim.

E quando finalmente o cara sente falta da menina, meiga e doce. A única que se importava e realmente o amou de verdade. Ele volta, como se nada tivesse acontecido. Ele a procura e pede mais chance. E eles marcam um encontro. No mesmo bar, na mesma mesa de centro. 

Ele chega e encontra um bilhete: Peça um chá.

Ela era doce. E como tudo o que é doce demais: enjoa. Ela cansou de ser a menina boazinha a quem todos pedem ajuda, mas a quem nunca ninguém se importa e nem se preocupa. Então, ela partiu. Com um sorriso no rosto e com a sensação de alma leve e coração novo. 


Ana da Mata

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Começo Do Fim

A rotina acostuma, as manias do outro acostuma, até as chatices e frescuras do outros a gente acostuma. As mensagens de bom dia acostuma - claro que acostuma, se ele não te manda, você fica com uma pulga atrás da orelha e se perguntando "ué, o que eu fiz? Por que ele não me mandou nada até agora?" E chega um dia que a gente não sabe mais se ama ou se está acostumada. 

Ninguém me disse que o amor era assim e eu aprendi da forma mais dolorosa. Ele partiu. Talvez caiu na rotina, talvez tenha se cansado de mim, talvez encontrou sua paz em outro alguém. Talvez ele tenha deixado de me amar naquelas mensagens não respondidas, nas ligações não atendidas. Nas minhas frescuras, no meu mau humor matinal. No meu ciúme exagerado. Talvez, todos aqueles sinais que eu me recusei a enxergar, estavam me mostrando o começo do fim. 

Tudo era perfeito com ele. Me fez sonhar, me fez sorrir, me fez amar, me fez feliz. Ele sempre me dizia "vamos viver o hoje". De repente, o para sempre acabou. Eu me enganei na minha certeza. Eu queria poder te esperar, mas eu não posso. Já esperei demais, cansei. 

Cansei dessa saudade estúpida. Cansei dessas lembranças bobas que me fazem rir à toa. Cansei de tanta coisa. Vou seguir em frente, já faz muito tempo - mas a saudade parece não ter fim. Fiz promessas de te esquecer, rasguei suas cartas, exclui teus e-mails... mas meus pensamentos estão sempre em você. Eu deveria ter aceitado quando você me disse adeus. O começo de tudo é fácil, mas o fim... o fim demora pra acabar, pra gente colocar um ponto final, pra gente entender que acabou. O fim demora tanto a ser fim mesmo.

Tá sobrando espaço em mim, espaço para pessoas que realmente se importam.

Ana da Mata

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Prazer, eu!

Eu sou tudo o que leio, o que escuto, o que visto. Eu sou filmes de comédia e romance. Eu sou o que eu como, o que eu faço. Sou sagitariana, paulista e apaixonada pela natureza. 

Eu sou dessas que ainda pede benção para os mais velhos da família. Sou dessas que não arrumam o quarto quando acorda (porque mais tarde eu vou dormir de novo, então não faz sentido ter que arrumar a cama). Sou dessas que guardo foto 3/4 de pessoas queridas na carteira. Que faz de todo drama uma grande piada. E de toda situação ruim, uma risada. Sou dessas que não leva a vida muito a sério. 

Sou dessas que quando adolescente detestava gente apaixonada - até se apaixonar de verdade. Sou dessas que não recusa uma balada, mas também não dispensa um cineminha. Sou dessas que amam os animais, mas tem medo de abelha. Que anda no salto alto, mas com um all star dentro da bolsa. Sou dessas que reclamam que está gorda, prometem um regime na segunda-feira e já faz anos que essa segunda não chega. 

 Sou dessas com frescuras, chatices e manias. Sou dessas amigas horríveis que somem, não aparece, não liga e reaparece de repente. Sou dessas que fala de sexo sem vergonha na cara, mas que fica extremamente vermelha quando é elogiada. Sou dessas intensas que sentem e vivem na extremidade do que deve ser sentido e vivido. Se é pra sofrer, que seja com direito a música brega, com filmes que eu assistia na época do colégio acompanhados com chocolate e textos que ajudam mais na foça. E se for pra ser feliz, que seja com o direito de gritar, de sentir o coração acelerado, de rir feito boba, de ser exagerada e de querer sempre mais.

Sou dessas que ri de qualquer coisa e que chora por qualquer coisa também. Sou de desejos de bom dia, boa tarde e boa noite. De dizer sim, querendo dizer não. De coração. De alma. De corpo inteiro. De confiar em pessoas logo de cara. De músicas pela metade. De verdades inteiras e mentiras engasgadas. De fingir que não ouviu, de deixar pra lá, de voltar pro mesmo assunto. De querer conhecer mais gente nova o tempo todo. Sou dessas românticas enrustidas, de mãos dadas no cinema, de abraços, de beijos demorados.

Sou de preguiça no domingo e de mais preguiça na segunda. Sou de constantes sentimentos. Sou de falar que perdoou, mas não esqueceu. De dormir com o celular por perto. De fazer charme quando quer alguma coisa. De ser direta e sincera. De ter coragem de dizer que ama sem morder a língua e de ter medo de dormir no escuro. Sou dessas que não gostam do inverno, mas ama tomar banho de chuva. 

Sou mais do que um dia pensei que seria. Sou mais forte do que pensava. Sou de bochechas rosadas. De olhos que mudam a cor. De falar sozinha. De lápis no olho. De piadas sem graça. De ser meiga na TPM e ser ogra nos outros dias. Sou dessas que se aventuram em seus próprios devaneios, de batom borrado, de choro preso na garganta. De acreditar, de amar, de se entregar. 

Sou muito mais que um texto pode descrever.

Prazer! 

Ana da Mata