segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Chá de Sumiço

Ela era meiga. E como toda pessoa meiga: se importava com todos ao seu redor. E tinha um sonho: se casar com seu príncipe encantado e ter belos filhos. 

Era apaixonada por um rapaz. Ahhhh, um belo rapaz. Aqueles que se fosse de um filme, seria o capitão do time da escola. Ele é um bom rapaz, mas assim como todos os outros garanhões da cidade, não querem nada além de sexo fácil. 

A conquista foi rápido e fácil. Afinal, um cara tão lindo não te manda e-mail e te liga todos os dias perguntando "o que está fazendo?" ou "vamos nos ver hoje?". Ela se encantou rapidamente. O que mais faziam (e ela amava): Sexta-feira, na mesa do centro de um bar e o pedido ao garçom "uma cerveja e dois copos".

Nunca chegou a ser um namoro. Ah, não. O rapaz demorou anos para aprender a lei do desapego. E a menina, meiga, mal fazia ideia da existência dessa palavra. Não demorou muito pra ele se cansar de comer no mesmo prato todo dia. Melhor dizendo, o cara cansou de comer a menininha dos cachinhos dourados. Aos poucos, foi sumindo. Como se nunca tivesse existido. E o pior, quando dava sinal de vida e marcava um encontro: chá de cadeira na garota.

Mas ela era muito apaixonada pra desistir. Tentou. Procurou. Por tempos e tempos. E num dia qualquer, na mesa do bar... sozinha. Se deu conta que pediu uma cerveja e um copo. E então, uma lágrima caiu, escorreu por seu rosto. E ela sussurrou: Foi meu. Mas não é mais. Como tudo um dia deixa a vida, ele deixou a minha. Durou pouco, foi intenso. O que nunca teve um começo, teve um fim.

E quando finalmente o cara sente falta da menina, meiga e doce. A única que se importava e realmente o amou de verdade. Ele volta, como se nada tivesse acontecido. Ele a procura e pede mais chance. E eles marcam um encontro. No mesmo bar, na mesma mesa de centro. 

Ele chega e encontra um bilhete: Peça um chá.

Ela era doce. E como tudo o que é doce demais: enjoa. Ela cansou de ser a menina boazinha a quem todos pedem ajuda, mas a quem nunca ninguém se importa e nem se preocupa. Então, ela partiu. Com um sorriso no rosto e com a sensação de alma leve e coração novo. 


Ana da Mata