segunda-feira, 12 de maio de 2014

Antes de ir, fica.

Ei, escuta aqui. Você não precisa ir.

Fica. Com calma, com tranquilidade. Sem medo, sem pressa. Fica comigo num sono leve, num abraço apertado e num beijo demorado... Faça-me surpresas e não me iluda, não crie falsas expectativas. Fica comigo naqueles dias da semana que eu estou completamente carente e, principalmente, nos dias que eu estiver estressada e irritada.

Fica. Me lembre todos os dias de não deixar a toalha em cima da cama, não esquecer de trancar a porta antes de sair de casa e não parar com a mania de falar o quanto meu cachorro é bagunceiro e só pensa em comer, como eu. E eu babar de amores e concordar, porque dizem que cachorros puxam mesmo aos seus donos. 

Fica. Sem deixar que nossa história fique com gosto de leite coalhado, sem implorar por atenção e entender que eu preciso do meu tempo sozinha, como você precisa do seu. Você não precisa se contentar com migalhas, ninguém merece um amor mendigado. Não é digno, não é merecedor, não é recíproco.


Fica. Pra gente continuar indo naquele restaurante japonês, continuar fazendo pizza caseira às quartas e viajar nos feriados. Pra gente continuar indo deitar de conchinha, só até eu dormir, começar a me mexer sem parar e roubar a coberta toda só pra mim. Pra gente continuar a reclamar que nunca passa nada interessante na tv aos domingos e quando passa, temos algum compromisso. 


Fica. Não tenha medo da rotina, ela só vai atrapalhar se não soubermos renovar o que sabemos fazer de melhor: curtir a vida. Nosso laço não precisa ser desamarrado, mostra pra mim que você é responsável por aquilo que cativa. Não tenha medo de ex namorados, se é ex não faz sentido virar atual. Na minha vida quem vai, não volta. Por isso, fica. 


 Fica. Mas fique de verdade e se doe por inteiro pra mim. Cuida de mim quando eu estiver bêbada, acordar numa puta ressaca e rirmos juntos das nossas besteiras alheias. Fica pra você me chamar de sua e eu te chamar de meu. Fique que eu também cuido de você. 

Dos meus problemas, você foi a solução. Dos meu medos, você foi a confiança. Das minha dores, você foi a cura. Você não tem que ir. Não agora. 

Antes de ir, fica?











                                                       

                                                        Ana da Mata


 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Incerteza de um quase

Eu sempre achei que eu era meio termo. Tanto faz, quase, morno, nublado, mais ou menos. Achava que eu era relax demais pra ter uma personalidade forte pra ser 8 ou 80. Achava que eu poderia levar uma vida de quase tudo ou quase nada. Mas eu estava errada o tempo todo. Eu não quero o ser meio termo na vida de ninguém e não quero que minhas decisões de hoje impliquem no meu futuro, pelo simples fato de não pensar e viver nessa teoria de deixar a vida me levar. 

Chega! Vida me levar o cacete, quem manda nessa porra agora sou eu! Não gosto de nada frio, eu gosto de tomar banho na água quente. Eu gosto do verão, eu não gosto do nublado. Eu não suporto quem pensa demais para uma decisão tão simples. Chega de incerteza de um quase, eu quero certeza do tudo ou nada.

E foi nessa minha mania de pensar demais, nessa mania de deixar tudo rolar, que eu deixei você fazer de mim uma escola de samba. O problema não foi você ter feito o que fez, o problema é que vi cada movimento seu, cada erro, te vi sambando e me magoando e ainda quase te aplaudi. 

Eu achei que viver alienada seria bem mais fácil do que encarar a realidade, não gosto de ver ninguém saindo da minha vida. E na tentativa de me dizer qualquer coisa que faça sentido, você não fez nada. Do cara certo, passou ser a ser mais um. Foi quase, você foi na minha vida uma linha tênue entre o tudo e o nada. Se não tivesse sido seus quase acertos e seus erros certeiros, você seria minha certeza, mas preferiu ser meu quase.



Quase fomos felizes, quase... Mas agora é assim, ou é tudo ou é nada. De incertezas na minha vida só a roupa que vou usar nas sextas à noite. 




Ana da Mata