terça-feira, 23 de setembro de 2014

Intimidade é uma merda cheirosa

Que intimidade é uma merda, todos nós já sabemos. Mas  não é tão nojento quanto parece ser. Eu não tenho corpo de mulher fruta ou de modelo, eu tenho estrias, celulite e pra piorar seios pequenos. Pra piorar mais ainda, eu não sei ser sexy. Sou desengonçada demais pra me equilibrar em cima de um salto 15, com uma lingerie vermelha com cinta liga . Até tento, mas toda vez que saio pra comprar algo lindo pra ter uma trepada digna da lingerie, eu sempre saio da loja com o babydoll mais fofo, como quem fosse passar a  noite com um pote de sorvete assistindo O Diário de Bridget Jones. 

 Mas você... Você me mostrou como é bom ser íntima de alguém, com infinitos motivos banais. Me mostrou com esse seu jeitinho malandro que me faz achar que pode ser você. É esse jeito desencanado com a vida, com um sorriso envergonhado que me faz ficar caidinha por você. É seu humor em período integral que me faz brilhar os olhos . É esse seu carisma, seu jeito bobo que me faz ficar boba também. É esse seu jeitinho Shrek de ser que me faz achar que você é diferente de todo o resto. É um ogro com tamanha dedicação, é um grosso com tamanha ingenuidade. É se fazer de durão, mas deixar de assistir uma partida de futebol pra ir me levar na praça matar meu desejo de sorvete. 

 É você querer dividir o seu dia e sua vida comigo. É você me mandar uma foto da sua labradora brincando com o seu novo vira-lata enquanto eu estou fora. É pequeno, é irrelevante. E é impossível não ficar feliz  em saber que eu faço parte dos seus detalhes.  É você me ligar depois de ir jogar bola e reclamar do juiz que te deu um cartão amarelo. É querer beijar seu pescoço e você não deixar, porque você não resiste a isso. É você sussurrar besteiras no pé do meu ouvido enquanto estamos num jantar familiar, só pra me fazer corar as bochechas e me deixar arrepiada. É você ser exatamente um cara do avesso, que me faz achar que pode ser você.

É você soltar um pum, fazer cabaninha com o edredom, rir e dizer que me acha linda quando estou brava. É você sair correndo ao supermercado pra comprar absorvente pra mim e lembrar que tem que ser com abas. É você franzir a testa quando eu arroto e me lembrar que meninas não fazem isso. É você reparar que tenho uma pinta na virilha. É me dar banho e limpar meu vômito depois de uma noite open bar. É brigar comigo e mandar eu criar vergonha na cara e ir lavar meu cabelo oleoso. É você vir me beijar depois de comer uma pizza de bacon, eu resmungar e mandar você ir escovar os dentes.

Eu amo a nossa intimidade, porque você me mostra que pode ser você. É você ir fazer xixi, eu te empurrar e sair correndo (porque você é vingativo demais pra deixar pra lá). É eu ir tomar banho e você jogar um balde de água gelada. Você me mostrou como é bom ser íntima de alguém com mais tantos outros motivos banais, que é melhor nem citar aqui. É você saber que eu não consigo dormir sem coberta. É saber que fico de mau humor quando estou com fome e ser paciente com isso. É saber lidar com a minha bipolaridade que nem eu entendo. É  entender que minha TPM requer abraços, filmes românticos e chocolate todos os dias. 

É você conhecer cada canto do meu corpo, cada defeito e dizer que eu sou a melhor namorada que você já teve. É você dividir sua intimidade comigo, sem vergonha e sem limite. É você ser tão comum, tão normal, que me faz achar pode ser você. Ser tão caridoso, tão engraçado e ser meu. Ser tão próximo, tão amigo e tão oposto a tudo o que eu sempre busquei num homem, que me faz achar que pode ser você, para sempre. 


Ana da Mata

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Por um mundo com menos rotina e mais meias três quartos

Ser um casal rotineiro não é tão ruim quanto parece, não é ruim acordar todo dia ao lado de quem ama, não é ruim conhecer cada detalhe um do outro, não é ruim saber os lugares favoritos, os pratos prediletos, as fraquezas, as manias. Não é ruim ir sempre no mesmo lugar, contanto que sempre se divirtam. Não é ruim sair sempre com o mesmo grupo de amigos, contanto que sejam boas companhias. Se torna ruim a partir do momento que desgasta, que atrapalha, que desanima. Se torna ruim quando a rotina chega chegando e você não sabe o que fazer para mudar. É algo que assusta. Escolhas, difíceis escolhas. 

É hora de mudar quando o beijo começa a ter gosto de biscoito de água e sal. Quando o sexo começa a ter data e hora marcada na mesma cama, com um lençol que nunca muda. Quando andar de mãos dadas perde toda a emoção e se torna tão comum quanto pentear o cabelo. Quando ele diz que te ama e você escuta bom dia. Quando ele te liga e você atende por obrigação, não por vontade. Quando a saudade fica de lado, o amor apagado e as lembranças te remoendo todos os dias pra não te fazer esquecer de como tudo já foi bom.

É hora de jogar fora o manual-de-bom-comportamento-para-iniciantes-no-campo-amoroso.

Saia da sua área de conforto. Saia do habitual mundo dos selinhos, beije com mais língua, com mais vontade, com mais mordidas. Faça mais sexo na escada, experimente novas posições, use meias três quartos. Aprenda a fazer boquete e aceite receber o melhor oral da sua vida. Sentir vergonha de ter prazer, é como ir no Mc Donalds e não repetir: chega com vontade e sai insatisfeita.

Tenha um namoro digno de borboletas no estômago a cada encontro. 

Controle mais o seu ciúmes e explore mais a liberdade de vocês. Visite lugares novos, saia com pessoas diferentes. Diga mais eu te amo, abrace mais, declare mais, doe mais. Não deixe que a rotina acomode, ela pode ser boa em quesito conforto - mas é uma péssima conselheira. Faça uma reciclagem de vocês, resgate as coisas boas e jogue fora o que não presta mais. Casais apaixonados que duram um mês tem aos montes, faça diferente. Tente! Dura pouco porque não há persistência, desistem no primeiro obstáculo, não há vontade de ser único na vida de alguém. Também não seja  tola de tentar algo que no fundo você sabe que não tem a menor chance de dar certo. 



Quando foi a última vez que saíram por espontaneidade? Quando foi a última vez que se emocionaram por uma surpresa, sem que fosse feita em uma data especial? Quando foi a última vez que se divertiram  juntos? Em teoria é super fácil lidar com relacionamentos desgastados, na prática torna-se difícil quando você não sabe o que fazer. Então tente tudo o que não fizeram antes. 

Permita-se tentar, por vocês. Permita-se brigar por besteira e fazer as pazes em seguida. Porque motivos banais faz parte numa relação. Permita-se ir vê-lo jogar futebol e comentar sobre os lances do jogo. Permita que ele te veja ao acordar, porque não há nada mais belo que beleza natural. Permita compartilhar seus medos, seus segredos e seus fetiches.

E se nenhuma das suas tentativas darem certo, seja forte e tenha coragem para desistir. É cansativo namorar sozinha, tentar sozinha. É cansativo carregar o namoro em cima de um salto alto e se iludir achando que ele é o único cara do Universo. Ele não é. Relacionamento é uma via de duas mãos.Ou vocês caminham juntos, ou mudam de direção.

Se for fazer tudo sozinha, coloque a felicidade dentro da sua meia três quartos e abrace a vida.


Ana da Mata

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Agridoce

Por mais agridoce que seja o nosso relacionamento, todos os mestres da culinária me ensinam receitas pra me ensinar que é mais doce estar ao seu lado. Por mais louco que pareça ser esse sentimento, todos os terapeutas me cobrem de frases feitas me mostrando que mais louco seria desistir de você. Por mais que eu saiba que tudo isso um dia tem um fim, todos os espiritualistas gritam ao universo que vamos nos encontrar numa próxima vida.

Por mais que eu resista de encarar o fato de que é melhor seguir em frente sozinha, eu insisto em sonhar numa nuvem de algodão doce de que a vida não tem graça sem você. Por mais que eu queira te deixar, eu não consigo me soltar dessa âncora que me prende em seus braços. 

Por mais que a minha personalidade bipolar mude de ideia várias e várias vezes, por mais que eu te ame e te odeie ao mesmo tempo num dia só; Você se adapta a cada uma delas e ainda as domina. Por mais triste que eu possa estar, você tem sempre uma piada pra me fazer rir. Por mais enraivada que eu esteja, você me olha com um sorriso gentil, meigo... como se eu fosse sua pessoa favorita.

Por mais que eu tenha 99% de certeza que nunca vamos sair desse namoro rotineiro-roda-gigante-sem-futuro, é esse 1% de esperança que me mantém ao seu lado. Por mais paciente e compreensiva que eu seja, eu sei que há uma grande diferença entre ser uma boa pessoa e ser uma pessoa trouxa. 

Por mais que eu repita que eu não te quero mais, alguma coisa em mim insiste em te querer. Por mais que eu queira desistir de nós, alguma coisa me faz continuar. E por mais decidida que eu seja, eu bato os pés no chão e não aceito o nosso fim.  O que eu sinto por você nenhum terapeuta explica, nenhum mestre de culinária tem receita, nenhum escritor sabe expressar num livro e nem eu sei escrever ou explicar. Só sei que tem gosto de chocolate com pimenta.



Ana da Mata