quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quando o amor acaba...

Estar apaixonado é como ter 15 anos, convenhamos. Dar passos brutos sem eco, afinal, estamos andando nas nuvens. E quando as nuvens voltam pro seu lugar de origem, vão lá pro alto do céu e nos deixam aqui, pisando no concreto do chão, sem nada que possa amparar uma possível queda?

Nós sabemos quando o amor acaba. Nós sentimos. Basta um tratar indiferente. Uma fotografia sem cor. Uma gargalhada sem som. Um beijo sem gosto. Um sexo sem prazer. Uma necessidade sem obrigação. Uma discussão; Uma briga; Uma incerteza. De repente as mãos estão geladas, a convivência sem harmonia. A rotina sem motivo. 

Quando o amor acaba os olhares passam despercebidos, os abraços são frouxos, os sorrisos são vazios, a pele estranha. A conversa é forçada, a intimidade interrompida. É relembrar sem forçar a memória de lembranças discutidas em almoços de família. É juntar um passado empoeirado numa caixa, limpar as gavetas e não ter nada mais palpável. Até que ponto a gente deixa de conhecer alguém quando não sentimos mais amor?  (Des)conhecidos... 

Quando o amor acaba a gente se interessa pelo desinteressante. As tentativas de tentar recuperar o que já se foi, são em vão. Não adianta adocicar o que já está amargo. A gente precisa parar com a mania de achar que o "era uma vez" são sempre acompanhados de um "felizes para sempre". Não. Nem sempre. Infelizmente, às vezes, nem um bom começo tem.  

Quando o amor acaba nem trancafiados em meio metro quadrado, seria possível sentir calor. A gente não entende, não aceita. O desespero toma conta e nos tornamos reféns de uma busca por ajudas de todos os tipos. Desde as 5 dicas milagrosas de como melhorar um relacionamento à aprender pompoarismo. É frustrante gritar um pedido de socorro dentro de nós mesmos. 

Quando o amor acaba, palavras que estavam no baú são severamente pronunciadas. Em ambos, os olhos estão pesados e os corações cansados. No calendário da cozinha já não existe mais futuro, apenas passado. O monstro do armário acorda e repete, insistentemente, que o mal-estar é mútuo. Que aquele cheiro impregnado no apartamento é só a infelicidade fazendo jus à infinitude do sentimento.  

Quando o amor acaba, o mundo desmorona. A gente se desespera. A vida segue imperfeita. Honestamente, tudo se dissolve. Mas é preciso mudar, reagir, encarar, superar. Entender que amores acabam sim e não há nenhuma poesia nisso. O que não for recíproco, não vale a pena manter. 

O para sempre acaba o tempo todo e recomeça sempre. De novo. De novo. De novo e mais uma vez. Então é isso. Fim. 


Ana da Mata


terça-feira, 10 de novembro de 2015

O amor é f...

A vida pode ser bem sacana se não a enxergamos como ela merece. E bem, eu não tenho paciência para levar muita coisa a sério. Até que a loucura se desprende da realidade e, não me resta alternativa a não ser, levar a sério mesmo. Parece brincadeira dizer que "amor é arte, foder faz parte". Mas não é. Amor que fode bem é foda.

Amor que chega de mansinho, oferece um uísque sem gelo, prende quadril, lambe os lábios e morde a orelha, não deveriam ter tanta nossa atenção - se soubéssemos o resultado falho. Crescer e tentar responder todas as questões da vida não deveriam ser tão difícil. Aprender não deveria doer tanto. O amor torna-se uma linha (não tão) tênue entre foder e se foder. 


O grande lance, é que mesmo que a noite esteja sendo bacana, o pagode do Zeca tá maneiro, a pessoa é gentil... a busca pelo repouso num amor tranquilo, acaba numa cama qualquer, com uma ressaca e uma dor de cabeça gritante. E é esse o grande problema de ex amores fodas. Eles foderam nossa vida como fazem de melhor. E qualquer alguém interessante, acaba num contato salvo no celular, sem muita importância. A busca pela nova "foda inesquecível" torna-se tão cansativo quanto a busca pelo pote de ouro no fim do arco-iris.  

Aceitar a simplicidade do sentimento talvez não seja o meu forte. Tem que ser intenso, tem que ser do caralho, tem que ser pra puta que pariu. A solidão, meu caro, essa não se dissipa com trepadas. O amor é foda e, por isso, ele é tão bom.

Precisamos parar de olhar amores com olhos maliciosos. Deixar de acreditar que o amor pode chegar desabotoando camisa e deslizando sob a pele. Deixar de acreditar que entre acasos e desencontros, as pernas abertas foram só consequências de um feeling mal interpretado. E antes de apagar a luz, sentir as pernas tremerem, nos perguntarmos se estamos ali por carência, necessidade ou ilusão. Ou todas as alternativas. 

É possível ser feliz sozinha. E... o amor é pros fortes? Quem sabe das coisas que te carece. Dos vazios que te ocupam muito espaço. O amor, todavia, não é mais, não é menos, mas também. Eu te desejo um amor foda, com direito a cafuné interrompido com a mão presa no cabelo embaraçado dela, com direito a sexo em cima do carro na garagem e milhões de faniquitos pelo corpo. 

O amor não é eterno, às vezes, nem dura enquanto pode ser...


O amor pode ser resultado de uma dança descoordenada, com tentativas falhas e passos desajeitados. Você leva pisões suspeitos e acaba saindo do ritmo. A questão é que foder é bom. Mas dar chances a um novo amor é melhor ainda. Aí sim está o tesão na vida. 

O amor é foda. Mas o foda mesmo, é viver sem amor... 

Permita-se.



Ana da Mata


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Quando eu estou com você...

Você não sabe das coisas que sinto quando estamos juntos, talvez eu nunca tenha dito por achar que detalhes são insignificantes demais pra serem colocados num pedestal. Detalhes são irrelevantes e, por isso, fazem toda a diferença. Porque o que a gente não sabe, não percebe, é justamente o que precisamos e o que sentimos falta. 

Eu me encho de alegria, por antecipação, toda vez que marcamos um encontro. Sou invadida por flashbacks premonitórios positivos, que vamos nos beijar como se fosse a primeira vez, que você vai me tocar como se eu fosse a sua pessoa favorita no mundo e dizer que tenho cheiro de brisa leve no verão. 

O que acontece quando estou com você, é que eu me torno alguém totalmente sem rancor e sem mágoas passadas. Depois de tanto relutar, eu entendo que todas as mancadas que a vida me deu, era pra eu ser quem eu sou hoje. E com você eu consigo ser alguém leve, sem medo de voar e cair, porque eu sei que se eu cair, você não vai me segurar... vai me ajudar a levantar. 

Quando eu estou com você, a estação do ano já não tem tanta importância. Pode ser inverno, que vou lambuzar seu queixo com sorvete. Pode ser verão, que vou querer te abraçar como se fosse um filhote de urso. Quando você me abraça, sinto que estou dançando ao som da nossa música, numa tarde sem fim, sem relógio, sem hora pra ir embora. O tempo é outro. 

Quando estou com você, consigo me imaginar chegando em casa largando o salto no primeiro lugar que eu encostar, correr atrás do meu chinelo, fazer um coque desajeitado e, ainda assim, te mostrar que sensualidade corre pelo corpo, pelas veias, não só numa maquiagem e num bojo sem qualidade. Quando eu fecho os olhos é só você que eu vejo, por todos os lados. E desconstrói tudo o que eu já havia planejado, abre as janelas pro sol entrar, fecha as portas pra eu não sair, me deixa de cabeça para baixo e mostra que esse é o meu lado certo.

Quando eu estou com você, eu me torno aquela pessoa que desliga por último, que sai do bar mais cedo, que encara trânsito sem medo, que sai de casa e esquece o casaco, que acorda sem ajuda do despertador e que não larga o celular. Que ri à toa e que se emociona à toa também. Que perdoa desilusões e desamores e agradece por não ter dado certo com ninguém antes.

 O que acontece, é que o amor desabrocha a fragilidade do sentimento. Você não me decifra, eu não te devoro. Você me entende, eu não te decoro. 

Sonhando a maior tolice do mundo, receber buquê de flores, ir ao parque melar os dedos com algodão doce e sentir no corpo o sopro do seu coração, enquanto o tempo está congelado e estamos no topo da roda gigante, quase tocando as estrelas...  Eu abro os olhos e lá está você, rindo que nem menino arteiro. A vida realmente tem a cara que queremos, só que a gente desaprende a ver. 

Ao seu lado, pode ser dia triste de finados, ser páscoa sem chocolate, Natal sem papai noel, ser janeiro ou ser outubro... mas eu sempre tenho a sensação que parece manhã de aniversário quando eu acordava e a primeira coisa que eu encontrava, era meu presente.




Ana da Mata

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Eu não posso te encontrar

Eu imagino centenas de situações românticas acontecendo se nos encontrássemos, fico sorrindo feito boba enquanto está passando uma apresentação em slides com formato de corações muito bem feita na minha mente, por uma imaginação pra lá de criativa.  

Eu não posso te ver, seria pedir pra pagar mico em praça pública. Porque sempre que eu te vejo, mesmo que de longe, meus joelhos enfraquecem... Meus batimentos deixam de ser cardíacos e viram escola de samba em dia de final de desfile. Nada parece incidir você, sequer a fragilidade do meu sentimento. 

E eu fico me perguntando "o que será que ele tá fazendo agora?". Provavelmente, algo produtivo. Eu perco meu tempo visualizando seu perfil, enquanto me faço perguntas com respostas óbvias, que não seriam tão óbvias se fossem respondidas por você. Nem a força do pensamento poderia transmitir minha vontade de te encontrar... Mas eu não posso.

Te encontrar seria o ápice da falta de vergonha na cara, pedir pra apanhar de chibata, levar um puxão de orelha da vida. Já que sempre que eu olho pra sua carinha, eu mudaria de ideia. No instante em que nossos olhares se encontrassem, no momento que meus tímpanos derretessem ao ouvir sua voz, eu desistiria de tudo. E eu não posso mudar meus sonhos pra ficar na sua vida.

Já desisti de tentar entender o motivo do destino se dar ao trabalho de colocar pessoas na minha vida, já sabendo que elas não vão ficar. Prometi não tentar mais compreender e apenas aceitar. Aceitar que o tempo passa muito rápido pra gente perder tempo com quem não perde tempo com a gente. 

Continuarei dando passos sem o chinelo do meu pé cansado. Já tentei calçar à força, não adianta insistir em algo que não te serve. Fere, esfola e machuca.

Não posso te encontrar, porque eu não tô pronta. Não sei fingir que não vi e nem agir indiferente. É paixão, eu não tenho dúvidas de que é. E como o nome já diz, vai passar...

Paixão sempre passa. 




                                                                       Ana da Mata

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Não foi só amor - Carta aberta para o meu ex

Foi querer estar perto e querer cuidar, principalmente, quando ele fazia um drama exagerado dizendo que está gripado e eu rir por dentro. Fazer um chá, enquanto ele me esnobava com cara de nojo (já que o chá não tinha um cheiro muito agradável), eu explicava que minha vó que me ensinou uma receita que faz milagre. Foi querer tomar todas suas dores e medos.

Não foi premeditado, não foi combinado e nem arranjado. Foi de repente, de lugar algum e almejar que ele se cuidasse a cada boa noite, que ele não se esquecesse de desligar o ferro após passar a camisa e se possível, acordar cedo sem desligar o despertador e dormir mais cinco minutinhos, porque, esse cinco minutinhos sempre se transformavam em vinte. Foi protetor, foi cuidado.

Não foi só mais uma história de verão. Foi história de quatro estações completas, foi de ver o sol se pôr e fazer planos observando as estrelas, foi de ver as folhas caírem secas na calçada, foi de dormir de conchinha ao som da chuva e ouvir sussurros românticos no pé do ouvido, foi de chocolate quente, meia e cobertas num sábado à noite. Foi de encantos ao ver as flores nascendo novamente. Foi sereno, foi brisa leve.

Não foi paixonite, nem platônico. Foi de se entregar, de se jogar, de uma vez – sem pensar. Foi de viciar, rir e chorar. Foi de uma urgência sem precedentes intimar a presença dele, toda vez que eu lembrava que os olhos dele sorriam ao me ver. Foi de brigar por besteira e fazer as pazes com sexo. Foi de corpo e alma.

Não foi o jeito dele de rir a risada mais engraçada que existe. Foi escutar, atentamente, os problemas familiares dele e segurar sua mão, mesmo sem saber que conselho dar. Foi cuidar do cachorro dele, enquanto ele estava fora a trabalho e mandar fotos pra mostrar como eu sei me virar bem sozinha, fazer comida e não colocar fogo na casa. Foi carinho, foi cumplicidade.

Não foi ter uma música só nossa, nem textos feitos só pra ele, nem ter poesias só pra mim. Foi para sempre e acabou.

Decidi não sofrer mais, já que quem manda nessa porra sou eu.

Faltou coragem de assumir tudo o que você foi em mim e, talvez você me diga que eu fui longe demais e que você não queria me magoar. E eu vou compreender. Não vou te culpar de nada, exigir explicações, traduzir desculpas mal interpretadas... Não. Eu estou encarando sem medo que o tempo passa, que daqui alguns minutos serão só mais minutos passados e daqui alguns anos talvez você nem se lembre de mim. Portanto, que o destino nos permita novos reencontros... Porque é bom sentir mais uma vez e não se morre de amor, afinal.

Só posso te agradecer, sem ressentimentos e sem mágoas, quem eu sou hoje.
E de tudo que deixou de fazer por mim, pra eu entender onde eu precisava chegar. Se teve uma lição que eu aprendi, é que esses minutos que passam, apesar de nos levar momentos bons, eles deixam o amadurecimento. E talvez, nossa memória filtre somente o que o coração precisa guardar. Não foi só amor, você sabe... Por isso eu finalizo este texto aqui, fragmentado do que me serviu de aprendizado.


                                                                     Ana da Mata

terça-feira, 14 de julho de 2015

Causa e efeito

Eu chorei por você ter ido. Chorei por não entender o motivo de você ter partido. Chorei pelas declarações não feitas, pelos abraços não dados. Chorei de saudade dos momentos que não tivemos, das razões não explicadas. Chorei por tudo que se foi, sem vir. Chorei pelo seu bíceps quente, que um dia, me envolveu até no calor. Chorei pela sua barba que pinicava meu rosto e por ter deixado seu cheiro no meu travesseiro. Chorei por ter gostado tanto de você e sem nenhuma razão aparente.

Chorei pelas palavras não ditas, porque não importa nada do que diz  - só como diz... Com esse seu jeito de morder a boca, na tentativa de conquistar alguma menina boba, ou de achar que alguém repara. Não, ninguém se importa com esse seu desmazelo. Chorei por não ter dado certo, sem termos a chance de tentar. Chorei por estar chorando por você, porque eu sei que os psicólogos, os livros de autoajuda e todos os bons amigos, dizem que é perda de tempo chorar por quem é feliz sem a gente. Mas já viu coração bobo entender sem sofrer? 

Fui te escrever um e-mail, dizendo mentiras. Que já te esqueci e coisas do tipo. Digitei as primeiras letras do teu nome e seu e-mail não foi encontrado. E, se a tecnologia mais avançada já te esqueceu, acha mesmo que eu não consigo?


Se você voltar, vai agir como se nada tivesse acontecido, como sempre e pra variar. Vai se fazer de tonto e esquecer de colocar os pingos nos is. Vai me convidar pra um café, rir e dizer que é brincadeira, me conhecendo bem e sabendo que prefiro bar à cafeteria. Vai me dizer que conseguiu alcançar seus objetivos e que só precisava de um tempo pra você.

Se voltar, vai achar seus amigos perdidos. Vão relembrar momentos e revivê-los também. Você vai achar todos os lugares que sentiu falta e sua mente perdeu. Vai achar todos os motivos do mundo para querer ficar e fazer tudo de novo, outra vez. Você vai achar vontade, que outrora se perdeu em meio a seus devaneios. Você vai voltar e achar tudo que estava perdido, suspenso no ar e ecoado em sua memória.

Você vai achar tudo, exceto eu. É impossível achar o que você mesmo abandonou.

Você vai voltar. Você sempre volta. Mas tô aqui, rezando e pedindo a todos os deuses que você não volte. A carne é fraca e você mais fraco ainda. Você nunca fica e nunca luta por mim. Nunca se expressa e nunca se impõe. Não adianta vir falar de amadurecimento, se quem sempre foge é você. 

Então, se tiver lendo este texto... não volte dizendo coisas sem sentido, palavras desconexas não me fazendo entender nada. Tentando me encher de piadas sem graça, pra quebrar todo o gelo que há entre nós. Lamento por tudo e por você. E eu espero que você não se arrependa de nada, do que teria valido a pena. Vai doer muito mais em você, do que em mim. Simplesmente faça o que sabe fazer de melhor: suma.

Tomei uma garrafa de vergonha na cara e algumas doses de desapego. O resultado? Se você voltar, não vai me encontrar. 

É o efeito da sua causa. 



                                                       Ana da Mata




segunda-feira, 13 de julho de 2015

Irmã germana

Quando éramos crianças, eu vestia uma luva amarela de lavar louça, fazia uma voz grossa, movia os dedos em sua direção e dizia que ia te pegar. Não sei com que olhar as crianças veem isso. Mas você ficava, assustadoramente, chorona. E seu choro era tão fofo, tão musical, que eu fazia questão de repetir. Só pra ouvir mais uma vez. 

Nosso destino já estava traçado.Você brigava com nossos primos por baterem em mim, mesmo sendo a caçula, o que não mudou nada, já que você era a mais valente. Você era dona das bochechas mais fofas e rosadas que eu já havia visto. Dona de cabelos encaracolados e dona de um sorriso pra lá de meigo. Mas aí você cresceu, enfim... Fique feliz só de saber que um dia você já foi bonitinha.  

Tínhamos bolo no dia das crianças, ovos com brinquedo na páscoa e amigo secreto no Natal. Tínhamos presentes e bolos decorados em aniversários, churrascos a rodo de família e viagens pra praia que nem lembramos mais. Você chorava por cada careta minha, não satisfeita naquele drama sem necessidade, gritava "Mãe, olha ela aqui" fazendo que eu levasse bronca à toa. Tomávamos banho juntas, dormíamos na mesma cama, vivíamos em pé de guerra, ríamos das mesmas besteiras e chorávamos com medo do homem do saco. Infância concluída com sucesso. 

O tempo foi passando e mostrando que nem tudo é pic esconde, nem bicicleta, nem pega-pega. A adolescência turbulenta de coisas boas em meio a coisas ruins também. Separação dos nossos pais, primeira menstruação, primeira noite fora de casa, primeiro beijo, primeira decepção. Descobrimos que existe lápis de olho, esmalte vermelho, vestidos (eu mais que você) e meninos com cara de bunda, mas que nos faziam tão bobas quanto éramos de fato. E que nem toda brincadeira acaba em risada, já que adultos esquecem de serem crianças e levam tudo ao pé da letra. 


Hoje, mais velhas descobrimos que o homem do saco era só um motivo pra nos fazer obedecer nossos pais. Que a barata não ia nos pegar se não terminássemos nossa janta. Que apesar do tempo passar tão depressa, certas coisas não mudam. Eu continuo com medo do escuro, você continua sendo a caçula que me defende. Eu falo palavrão, você fala de coração. Você é sentimental demais e me irrita falar de sentimento até quando não estamos falando. Você tem um jeito só seu e, sabe-se lá como, conquista até a pessoa mais exigente. 

Não somos irmãs porque compartilhamos o mesmo pai e a mesma mãe, uma vez que você foi achada no lixo. Somos irmãs pelo laço afetivo, pelo companheirismo, pelas confidências. Você sabe que está meu coração e eu nunca estou sem ele. Aonde eu vou, você vai comigo.

 E se um dia você achar que a distância vai nos separar... Ah, não. Lembre-se que a distância é só palavra inventada por alguém bem preguiçoso.



Ana da Mata

terça-feira, 7 de julho de 2015

Você mora nos detalhes

Eu queria saber a proporção de você em mim. Minuciosamente, medi suas características, pesei defeitos, somei suas qualidades, dividi meus medos e subtraí mágoas guardadas. Descobri que você não mora só em meus pensamentos e no meu coração, você mora nos detalhes. Meus detalhes. Faz moradia em mim e de tudo que faz parte da minha vida. E sua ausência é tão barulhenta quanto sua presença, só que a ausência entristece e sua presença prevalece. 

Talvez você não saiba, mas sempre que está cortando cebola, sua testa enruga, você pisca sem parar e deixa suas mãos bem afastadas do seu rosto, na tentativa de não se deixar chorar. Você é durão demais pra se deixar lacrimejar por cebolas e, ainda deixar que eu veja isso. 

Você pode não perceber, mas quando está jogando bola, você se comporta como um menino na escola, como se tivesse uma mãe te observando fora da quadra. Acena pra mim enquanto o jogo está parado, manda beijo quando faz gol e, sempre olha pra ver se eu estou prestando atenção ou se já fiz amizade com alguém e comecei a tagalerar, afinal, o objetivo de acordar cedo num sábado é ter ver jogar e  ver  você tentando driblar o cara de 1.90m do outro time. E, sempre que o jogo termina - sua primeira pergunta é: "Você viu aquele lance?". Eu não vi, nunca vejo. Tô  distraída reparando na nuvem, na grama verde, na garotinha correndo atrás de um passarinho, mas eu disfarço e respondo "jogou demais, amor". Não é sempre assim, tá? Às vezes, eu te ajudo gritar com o juiz pela falta não marcada. 

Quando você está com sono, se torna a pessoa mais carente que existe. Quer colo, cafuné e conchinha. Não satisfeito, joga braços e pernas em cima do meu corpo, mas não importa. Melhor que dormir de conchinha, é dormir entrelaçada em você. Acorda no meio da noite pra brigar comigo, porque eu roubei a coberta toda pra mim. Me empurra para o meu lado da cama e me lembra - bufando - que a finalidade de ter comprado uma cama king size, era pra você ter mais espaço pra dormir. 

Talvez você não saiba, mas sempre que está emburrado com alguma coisa, fica de bico. E fica tão fofo, que me dá vontade de te apertar, eu não resisto à uma dose de charme masculina. Então eu rio, te abraço, detalho seu jeito melindrado e você ri. Continuo te distraindo com algumas brincadeiras idiotas e funcionam. Porque você é tão bobo quanto eu. Gargalha sem parar, escandalosamente alto... e sexy. Abre a boca como se fosse engolir a mesa que está na sua cozinha, se encurva para trás, seus olhos ficam quase fechados e seus risos sempre terminam com "ai, ai... como você é besta". E passado alguns minutos, você já nem se lembra mais porque estava irritado.


Peculiaridades de você em mim, em nós. Eu sei que posso ser tola, mas já viu alguém apaixonada não ser? São detalhes, talvez irrelevante, mas é  impossível não ficar feliz com isso. 

Você não sabe, mas toda vez que me abraça, eu sorrio. E por um segundo, eu quero congelar este instante, porque, quando você me abraça, o mundo todo para lá fora. E quando você me solta e nossos olhos se encontram, é naquele olhar que eu me derreto. É no seu olhar que eu tenho certeza que é você. Sempre será você. Quando você sorri, é arco-íris pra minha visão e eu paro, observo e concluo... é desse seu sorriso que minha alma precisa. E quando eu olho pra essa sua carinha, eu entendo o porquê  amor faz bem a vida e ao coração. 

Ana da Mata

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Por que eu nunca daria certo com um homem bombado

Parece que homens sarados são alvo difíceis de serem atingidos. Por exemplo, você tá lá, toda linda na balada. Ele não te olha, não te repara. Você passa por ele 10 vezes, seu cabelo já está embaraçado de tanto que você mexeu pra um lado e pro outro. Suas bochechas estão coradas e doloridas de tanto que você sorriu. E de repente, passa uma mulher  gostosa. Aquele sarada, de bumbum na nuca, esculpida em estilo e bom gosto. A única coisa que te difere da outra, é o bumbum na nuca. De resto, tá tudo lá. Salto, batom, cabelo voando, charme e celular. 

Homens sarados não querem qualquer uma. Claro que não. Ficam tão obsessivos que procuram tonificadas tanto quanto eles. Como um homem todo trabalhado no músculo vai sair com alguém que tem preguiça de malhar? Eu sinto preguiça de ir à uma academia, sinto preguiça de pensar numa academia. Eu faço caminhada por obrigação e só de pensar em malhar, já fico cansada. Eu faço parte da geração de sedentários. Sim, não nego, malho quando puder. 

Eu namorando um bombado: eu quero dormir, ele quer ir pra academia. Eu quero ir num churrasco, ele não pode. Eu quero acordar meio dia num sábado, ele às 06am. Eu quero ir ao cinema, ele pra academia. Eu quero ir viajar, ele quer viajar pra um hotel que tenha academia. Eu quero sair pra comprar bugigangas, ele quer sair pra comprar proteína. Eu quero conversar, ele quer malhar. Não estou me referindo aos homens que se cuidam, estou falando de homens viciados em academia, em ganhar músculo, em perder peso, em ganhar massa, em perder tempo tentando ganhar e perder tudo isso. 

A verdade é que eu não tenho paciência com homens cujo o único é assunto corpo, estilo e beleza (não necessariamente nessa ordem). Eu gosto de falar, muito! Sobre livros, comida, sobre a vida, novela, shoppings, piadas sem graça, exposições que eu quero ir - mas nunca vou, criticar um reality show, comida de novo, ou qualquer coisa desde que não nos entediássemos. E quando os bombados não estão falando de Whein Protein, tão falando do novo suplemento alimentar. Nem pode comer uma coxinha com catupiry, porque tem engolir ovo crú. Corpo cheio, cabeça vazia.  Tentam chamar a atenção usando uma regata mais fina que minha calcinha.  Como é que se sai com um homem que têm mais peitos que eu? Cuidar do corpo é ótimo, mas cuidar da mente é essencial, né?! 

Homens bombados, aqueles que parecem armário realmente não me atraem (exceto Dwayne Johnson, que homem!) Não me importo com beleza estética, e sim, com beleza interior. É clichê, mas é verdade. Eu prefiro conteúdo à capa. Tem gente que se aliena do mundo e foca no  próprio umbigo. Eu prefiro sair com alguém que me faça rir, do que sair com um cara que me faça bocejar. Simples assim...



Ana da Mata

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Não era pra ser

Sua presença sempre foi barulhenta. Você fazia questão de não me deixar te esquecer, de tanto que fez, deu certo. Teu silêncio torvo e repentino só me leva a crer que você desistiu de nós. Eu tentei, eu juro que tentei te decifrar e entender o que você queria. Tentei seu melhor amigo, seu signo, mas nada. Não fica triste, você tentou da sua maneira. Indecifrável, mas tentou. Eu até te procurei, da minha forma estranha, mas tentei. Te marquei em vídeos que lembravam você, em textos que serviam como indiretas, em notícias de novas pousadas pra sugerir um convite de viagem. Só que eu não era mais sua e de nada que te pertencia. 

Eu tô cansada de procurar entender porque não deu certo. Já tentei te escrever, mas quando penso em você, as palavras somem. E quando aparecem, meu bom senso foge junto com a coragem de apertar o enter. Me convenço o tempo todo de que não era pra ser, usando justificativas inventadas e sua personalidade histriônica. Você nunca entendeu meu modo de pensar, e eu não entendia seu jeito de ser. E juntos, não entendíamos porque gostávamos tanto um do outro. Algumas coisas não merecem explicações, a sensação por si só bastam.

Eu brigava com você, porque você insistia muito em nós e no que poderíamos ser. Sonhava que seríamos um casal feliz, com fotografias guardadas numa caixa esquecida ou com mais de cem curtidas, sem contar nos comentários dizendo que somos o casal mais lindo que existe. E eu pensava  "meu deus, que homem é esse? Ele é tão perfeito e consegue me deixar tão boba, quanto já sou." Mas amores certos, não deveriam vir em momentos errados. É injusto traçar um caminho cruzado, torto, curvado e não chegar a lugar algum. Você brigava comigo, porque me pedia pra largar tudo por você, viver um sonho que era mágico e fantasioso demais pra dar certo. Que eu estava errada o tempo todo, que não existe esse troço de amor certo na hora errada, que só existe covardia de não se entregar. 

Não era pra ser. Não era pra ser. Não era pra ser. Repito tentando provar a mim mesmo que não culpa foi sua, nem minha, nem do destino, nem daquela menina que comentou uma foto sua e me fez ruborizar os olhos de ciúmes. Também não foi dela. Você é teimoso demais pra voltar atrás e eu escondo um orgulho além da medida pra assumir que me arrependi. E não há nada que reverta essa situação. Não existe fórmula secreta, nem mapa astral, nem afinidade, nem macumba, nem promessa pra São Longuinho... quando não é pra ser, não é. Não adianta insistir... E é preciso aceitar que certas coisas chegam ao fim, sem nem mesmo ter um começo. 







terça-feira, 16 de junho de 2015

Você me bagunça

Estava procurando palavras perfeitas para escrever um texto perfeito. Ou algo que você entenda, sem que eu precise desenhar. Mas não encontro, você roubou todas as palavras do meu dicionário. Você passou em mim feito um furacão e não voltou pra consertar o estrago. Me atordoou e não voltou para me aquietar. Complicado querer, quanto te quero. 

No meu poema, você não tem rima. No meu manual, você não tem instrução. Na minha dança, você é o descompasso. Na minha regra, você é a exceção. Na minha realidade, você é arte abstrata. Você é doce pra minha ilusão - e não enjoa. Você é tão viciante quanto a minha música favorita. Eu não entendo nada sobre cifras, sequer Dó, Ré, ou Mi e Fá, mas a canção por si só faz com que eu a escute no replay. 

De longe eu te quero, de perto eu te esnobo. Quando eu me encontro, eu te perco (e vice-versa). De repente você aparece, de repente você some. Meu pensamento sem lógica alguma, só pensa em você e em te querer. Meu coração tá um caos e você nem volta pra reorganizar. O medo de errar me seduz e me afasta de você. 

Mesmo longe, continuei te querendo. E por perto, te convenci que não daríamos certo. Mas é que você não percebeu que em todos aqueles abraços, eu estava te pedindo pra ficar. Você dissimula, tumultua e me embaralha inteira. Você tem que entender que qualquer sopro seu me chacoalha. É esse o efeito que você tem sobre mim... 

Você é odisséia pra minha utopia. 




terça-feira, 9 de junho de 2015

Dentro de todo homem há um menino

O que tem aos montes por aí são textos que falam de amor, em sua maioria vitimizando a mulher. De como são frágeis, como sofreram pelo fim, como conseguiram superar e o quanto se doou ao relacionamento sem olhar para trás, sem deixar de falar na importância da perda para um belo recomeço. Mas e quanto aos homens? 

Vivemos numa sociedade cheio de paradigmas e esteriótipos, onde o homem é colocado como o Rei da cocada preta, no seu reino ele está predestinado a sempre ser forte e nunca demonstrar afeto. Homem não é culpado disso, seja lá quem foi que inventou, foi alguém que soube muito bem manter as aparências e disfarçar qualquer drama. Homem já nasce ouvindo "Você é um homenzinho, não pode chorar". Poooooooode sim! Chorar alivia, acalma. Chorar faz bem à saúde e é eficaz para ambos os sexos.

Agora imaginem um másculo no fim de um relacionamento. Aquele namoro que teve um começo fofo, com um pedido de namoro fofo, com surpresas fofas e que foi tão intenso. Quando um homem ama, é bem diferente da mulher. Homem não faz charme, não faz rodeios. Deixa claro o quer e o que sente. E quando quer, aguente. Homem tenta conquistar uma mulher até não saber mais o que fazer, nem falar, nem agradar. Depois de muitíssimos conselhos dos amigos mais próximos, bem íntimos (porque homem que é homem não sai falando que ama alguém). Só depois, com mil claras batidas e centenas de desenhos estampados em sua cara que não vai rolar nada, saem de cena. Já viu homem entender algo sem que mulher desenhe? Homem é teimoso, não são bons entendedores, logo, não entendem sinais. 

Não acredito que tenha quem sofre mais ou menos, apenas quem consegue lidar melhor com o fim. Mulher tem amiga a rodo, homem tem brother. Mulher fala por dias, chora por dias, lê Caio Fernando Abreu por dias, tira foto com os mais belos vestidos, posta o quanto está feliz, só pra se convencer que está feliz mesmo. Mas não... Homem, com meias palavras e bem meia boca explica o fim aos amigos, já diz logo que precisa encher a cara, se torna sócio do boteco da esquina na rua do trabalho e volta para a vida boemia. Homem mantém a aparência. Sofre calado, escondido e pior: sozinho. De fato, sofre na elegância.  Mas é preciso esquecer a etiqueta quando o quesito é sentimento. Vivem num desconsolo sem pena, fingindo uma conformação que não existe. Aprendam que sofrer não é sinal de fraqueza ou de vergonha. Se está sofrendo, é porque amou. E qual a vergonha nisso?  

Alguns homens são mais maduros que outros. Alguns trocaram o skate, por uma gravata. Outros trocaram a carteira de trabalho, por uma banda. Alguns ainda sentem medo de merthiolate, outros criaram asas e saíram mundo a fora. Seja lá como são, debaixo do terno há um coração. E dentro de todo homem há um menino.




                                                        Ana da Mata



sábado, 6 de junho de 2015

Amor Escasso

Discutir sobre um relacionamento que não existe, com alguém que não tem um relacionamento com você, é tão esdrúxulo. A vontade que um quer ao outro, é igual ao tanto faz que os dois fingem. Chega a ser cômico, só que trágico. 

Querer, não poder. Pensar, não tocar. Imaginar, não sentir. Saudade do que nunca foram, quiçá, poderiam ser. Ele quer,  ela também. Ele é melindrado, ela é impaciente. Ele é mimado, ela é orgulhosa. Qual é o resultado quando se tem orgulho envolvido? Exatamente. Nada. E ainda depositam toda intensidade em algo que não existe. 

Pode ser amor, pode ser carência. Quem sabe o que passa no coração do outro? Tem gente que sabe amar, mas não sabe demonstrar. Tem gente que ama pelos gestos simples. Tem gente que ama pelo olhar. E tem gente que confunde amor, com carência. E age confuso, deixando a outra pessoa confusa também. 

Ela procura, ele ignora. Ele procura, ela faz charme. Ele ainda quer, ela também. Ela puxa assunto, ele não responde. Ele a convida para sair, ela tem compromisso - ele entende como rejeição. Ela marca para outro dia, ele inventa uma desculpa - ela entende como puro capricho. Até quando? 

Enquanto isso, o tempo passa. Ele sai com algumas garotas procurando a poesia que só encontra nela. Ela sai com alguns rapazes procurando a calmaria que só encontra nele. Ele não insiste, ela não persiste. Seja lá qual decisão, tem que saber seguir em frente. Tem que seguir o coração!

Ele cansou, ela também. Ela ainda quer, ele também. Ele tenta não pensar, ela também. Ela fica em silêncio, ele também. É platônico e é recíproco.

Antagonistas da própria história. (Se é que há uma história).



Ana da Mata

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Carta para a minha sogra

Querida progenitora do meu amor, sabemos que a senhora é um anjo em formato de ser humano. Pode mostrar as asas e parar de fingir.

Sabe que nora recém chegada na família morre de medo de conhecer a futura sogra, comigo não foi diferente. Medo da reprovação, medo de opiniões que pudessem interferir no meu relacionamento com o seu filho, medo de ser uma jararaca que falasse mal de mim pelas costas. Ou aquela sogra que rasga seda de ex. Pelo contrário, a senhora é tão doce quanto um pote de mel, só que não enjoa. 

Fique bem tranquila que eu estou cuidando do teu filho, com muito mimo e muito amor. Só não estou separando a roupa preta da colorida na hora de levar, como me ensinou, não tenho o seu cuidado. Não fique apreensiva à toa, sei que coração de mãe não se engana. Mas eu estou por perto, para o que ele precisar, para o que vocês precisarem. Faço questão de continuar com nossos almoços regados com muita risada, nossos Natais que a senhora se veste de Mamãe Noel, tornando mais lúdico e especial. Não vou deixar ele se afastar da senhora, longe disso, farei questão de estar presente a cada reunião de família também. 

Teu filho tem o mesmo coração nobre que a senhora, a mesma teimosia, o mesmo autoconhecimento perspicaz. Ouvi dizer que mãe é uma só. Mas pra quem tem uma sogra maravilhosa como eu, sabe que podemos ter mais que uma sim. Sogra é segunda mãe, é mãe de coração. Como a senhora mesmo diz, independente do meu relacionamento com seu filho, o que sentimentos uma pela outra é verdadeiro e sincero. 

Obrigada pela confiança depositada, pelas confidências compartilhadas, pelos segredos guardados e pelas gargalhadas. Pelos conselhos dados, do fundo do seu coração. Pela sabedoria que tem, pela alma bondosa e juvenil. Por todo o apoio que sempre deu ao meu relacionamento com o seu filho. Por estar sempre presente. Por ter proporcionado ao seu filho uma boa educação, ter o ensinado a ser independente de qualquer mulher. Ele passa roupas e cozinha. Obrigada, principalmente, por ter ensinado a cozinhar. Isso facilita muito nossa vida aqui em casa e evita incêndios causados por mim. E acima de tudo, obrigada por ser quem é. 


Dizem que homem, inconscientemente, procuram mulheres pela imagem que possui da mãe. Verdade ou não, me responde muita coisa quando teu filho diz "Nossa, parece a minha mãe".  Dizem também que sogras são chatas, falsas e até manipuladoras. Pra mim, isso não passa de uma lenda urbana. 




                                                    Ana da Mata

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O primeiro adeus



Você era o cara certo pra mim. E porque eu acreditava, você era. A gente quer o que não tem. Assim são com as pessoas, queremos quem não podemos ter e, quando temos, não é por completo. Assim, foi comigo. 

Éramos compatíveis em tudo, almas dispostas atraídas. Ele não era o cara mais lindo do mundo, mas era o mais lindo do meu mundo. Era de ouvir o coração batendo cada vez que ele se aproximava. E eu me doei intensamente, com total devoção. Inocência minha achar que tudo é recíproco. Que sempre que eu gosto de alguém, este alguém vai gostar de mim também. Não é bem assim...  


Ele assistiu de camarote vip cada choro meu, cada angústia desenfreada pelo medo do nosso fim, cada apelo meu pela mudança dele, cada pedido de que ele tentasse mais. Por mim, por nós. Mas ele não me escutava, não me entendia. E o nosso fim, foi a coisa mais difícil de encarar, mais dolorosa e a que eu nunca quis um final. Fiquei traumatizada por tudo o que houve, esse troço de gostar não é pra mim. E quando eu acho que é, alguém me prova o contrário. 

Tentei superar lentamente a ausência dele. Deixei de ir nos restaurantes que íamos, troquei as músicas tristes por músicas agitadas, deixei de ler qualquer texto que me fizesse ficar mais triste ainda. Fiquei meses me perguntando porque não deu certo, se tinha tudo pra dar. Tantos porquês, tantos "mas", tantos "e se", tantas justificativas inventadas por um amor puro que acredita sempre outra vez. Tanto achismo numa história só. 

Tempos passaram, namorados em potencial descartei, novos amigos encontrei, risadas de doer a barriga dei e meu pensamento de uma forma ou de outra paravam nele... E ele me vem na maior cara de pau. Uma presença repentina que suou mais deboche, que surpresa. Agora vem e me diz que já passou um ano, que é besteira minha, que aquilo é coisa do passado. Mas se existe tempo demais para amar, também existe para sofrer. Te daria mil chances, se quisesse. Mas você não quis. Não me quis. E todas aquelas chances se esgotaram no momento em que decidiu partir. Então não me venha com choramingos, com essas frases feitas copiadas do tio Google. Na minha vida quem vai, não volta.O que é verdadeiro permanece. Com obstáculos, brigas, ciúmes, dificuldades, rotina, vírgulas... Mas nunca com um ponto final de quem desiste.

Então, obrigada por ter me procurado, por ter me enlouquecida toda pensando em você, na nossa confusão, na minha confusão. Fiquei à mercê de você todo esse tempo, mesmo distante. E só agora, diante de tantas perguntas sem respostas. Só agora, nas entrelinhas, que eu entendo. Você nunca foi meu, eu quase-sempre fui sua. Mas um mais um, em nós, nunca resultava em dois. Eu sou muita areia pro seu caminhãozinho. Posso estar sozinha, mas não estou mal acompanhada. 

Caí num choro sem precedentes. 
Não por você. 
Por mim... me libertei de você. 



Ana da Mata




quinta-feira, 28 de maio de 2015

Príncipe, vá se danar

Querido príncipe,

Eu te procurei, me entreguei para alguns sapos que eu acreditava ser você. Mas não era. Fiz tudo certo, segui o manual de boa conduta no campo amoroso. Segui o roteiro de fazer tudo, milimetricamente, correto. Sorri para as futuras ex sogras até quando eu não queria e elogiei o almoço ruim. Escrevi textos melodramáticos, piegas, brega e suspirava sozinha por ter escrito algo tão bonito.

Abandonei as baladas com as amigas e passei a ser sócia de cinema. Aprendi a cozinhar, a passar a camisa e a fazer café. Almejava no pedido do casamento mais lindo do mundo, com direito a vídeo postado no Youtube com milhões de visualizações e compartilhamentos. Me conquistar era tão fácil, que me manter animada ficava impossível. Pseudos sapos não sabem usar a criatividade. Sempre o mesmo assunto. Sempre academia. Sempre querendo chamar a atenção. Sempre bancando o metido a macho e nem sabe fazer jus ao que tem dentro das calças. Homem que não fala, é homem que faz. 

Querido príncipe, eu tô é cansada de te procurar. Cansada para exausta. Comecei a ser mais cara de pau, agir sem pensar e deixar de acreditar que o mundo é cor-de-rosa. Eu quero é que você vá lá para o raio que o parta. Eu quero que todos os príncipes se danem. Eu quero sentir mais emoção, mais adrenalina. Nem precisa ter borboletas no estômago, deixe-as voando por aí mesmo. Quero descumprir regras, ter boas histórias pra contar. Quero transar no primeiro encontro e não ser taxada como puta. Quero casar sem véu, mas quero grinalda. Quero chorar de rir e chorar por chorar. Quero sentir vontade de ver de novo e de ter medo de se apegar.


Eu não quero fazer o que todos os outros casais fazem, eu não quero ter que rotular meu relacionamento, eu não quero ter que fazer coisas para agradar ninguém. Eu quero mesmo, agora, é o lobo mau. Que vem sem fazer barulho, te surpreende e não é tão tapado como você. Já que você espera a melhor hora para entrar em cena, eu escolho o melhor em me deixar arrepiada.





                                                                         Ana da Mata

terça-feira, 26 de maio de 2015

(Meu) Manual De Instruções

Eu gosto do leve, do fácil, do gostinho de quero mais. Eu gosto dos favoritos, e também do novo. Sou especialista em piadas sem graças, faço jus ao meu signo. Digo que sou aventureira, mas a verdade que é tenho medo de tudo. Tudo mesmo! Do escuro, de abelhas, de qualquer inseto que voe perto de mim (exceto borboletas), de mar com ondas e, principalmente, de dormir sozinha. Não gosto da monotomia, nem do tédio, nem da rotina. Apesar de saber que ela visita todos os relacionamentos, mas é preciso saber lidar com ela. 

Eu vomito aos montes o quanto sou decidida, mas a verdade é que sou indecisa. Grito a quem quiser ouvir o quanto sou convicta, mas não. Nem sempre! Sou distraída demais, então não brigue se me ligar e eu não atender, quase sempre, esqueço aonde está o meu celular. Também não fique chateado se eu esquecer alguma data, eu não uso agenda e digamos que minha mente não é muito minha amiga. Não nasci pra sair sozinha, não dispenso abraços, nem beijos. Não resisto à uma boa dose de afeto, mas por favor, nada em público. Nem demonstração de afeto, nem de ignorância. Ah, e não grite também. Eu sempre choro quando alguém grita comigo.

Lembre-se que terá finais de semana que estarei agitada, vou querer badalações, viagens, shows. Mas terá finais de semana que serei apenas uma velhinha de 90 anos. Vou querer sofá, pizza e alguns filmes. Eu amo viajar, conhecer lugares novos, culturas e pessoas diferentes. Ah, e eu falo muito. Muito mesmo. Talvez nem te deixe falar, porque sou tagarela nata. E não fique com ciúmes caso me veja vendo tagalerando por aí, costumo conversar com porteiros, garçons, com a moça que está na mesma fila que eu, com o presidente da Empresa, nem ele me escapa. 

E não esqueça que na TPM sou abastecida por chocolate, sorvete e muita atenção. Eu fico insuportavelmente carente nestes dias, então se me ver calada, talvez triste... só diga o quanto me ama e me abrace. Não fique confuso caso me veja chorando, nem eu me aguento nestes dias também. Quando for me presentear, eu fico anestesiada de emoção, quando ganho livros, CDs, ou alguma coisa relacionado à fotografia. É... eu amo comer. Talvez eu coma mais que você, mas isto você supera. Às vezes, serei teimosa demais pra concordar com você, só pra não ferir meu orgulho. Sou completamente apaixonada pela natureza, animais (em especial, os cachorros) e pela vida. 

Escute bem e melhor, entenda bem. Não sou dessas de repetir várias vezes a mesma coisa. Até porque, dizem que "para um bom entendedor, um olhar basta". Não se apaixone por mim, se não estiver disposto a retribuir. Muito menos se for só mais um romance de verão, ou outono, ou qualquer estação que estiver. Menos ainda, se for - somente, esvaziar seu saco. Não me faço de difícil, se me atraiu. Não sei fazer charme e também não sei fingir que não vi. Posso até tentar te enganar, mas minha bochechas irão corar e logo me entregar. Sou poesia pra quem quiser ler, música pra quem quiser escutar, barulho de quem não consegue dormir e silêncio pra alma acalmar. 

Antes de se apaixonar, verifique se está apto para aguentar. 
Assinado, eu. 



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Que a verdade seja dita

Estamos na incrível geração de insultos desenfreados. Da má educação gratuita, dos pré-conceitos sem medo. Dos covardes anônimos espalhados nas redes sociais. Dos casais sem sentimentos. E dos sentimentos sem proveito algum. Estamos vivendo na Era de que todo mundo sabe mais que todo mundo. Os extremistas de opinião qualquer não usam argumentos, ofendem. Estão certos de que são, de fato, os donos da verdade. E diante de centenas de religiões, não há respeito mútuo. Um sempre quer provar que está mais certo que o outro. 


Estamos na geração de pessoas que cutucam, criticam, ignoram e até agridem. Que nunca estão satisfeitas com o que têm e não vão atrás do que querem. De pessoas ansiosas, que não sabem esperar, não conhecem a paciência e não sabem lidar com a verdade. De pessoas que querem tudo e querem na hora, de preferência, pra ontem. De pessoas que  falam demais, vivem de menos. Estamos na geração do bipolarismo, das contradições, das amarras costuradas no tamanho propício, pra ninguém não correr o risco de querer mudar. 


Estamos na geração que favores são cobrados com juros e correção. De pessoas que lutam por um país melhor apenas nas redes sociais, que não cumprem o que dizem, que não se mobilizam. Que agem em bando, se um depreda; o outro depreda também. De pessoas necessitadas de atenção. São viciadas em mostrar, virtualmente, sua vida feliz; E que na realidade, é uma vida resumida em angústias e Rivotril. De pessoas que exigem o certo, mas não conhecem a ética. 

Estamos na geração de baladas sempre lotadas. Lotadas de mentes vazias e de corpos exalando hormônios. Os metrôs estão sempre lotados, mas ninguém se vê e nem se dá conta do próximo; estão todos muito ocupados no celular. As faculdades estão lotadas. Lotadas de pessoas que são sustentadas pelos pais, que traficam, xingam e praticam o vandalismo e sequer possuem algum tipo de interesse num futuro promissor. Estamos na Era do status, do glamour e da ostentação. Dos divórcios, da gravidez precoce e do caráter esquecido. O mundo globalizou e a mente das pessoas também. 

Estamos na geração de pessoas que ultrapassam limites para conseguirem o que querem. De pessoas acomodadas, trabalham há anos no mesmo lugar, reclamam do trânsito que enfrentam, são sustentados durante o dia com muita cafeína e usam como justificativa pro comodismo que "a crise tá feia, não dá pra mudar agora". Tarde demais, já estão robotizados. Já estão no piloto automático. Já estão dependentes da rotina, das férias no Nordeste todo ano, do décimo terceiro para pagar as dívidas, da autoflagelação sem culpa. Estamos na geração de pessoas que só percebem que o tempo passa rápido, quando ele já passou.

Que a verdade seja dita: estamos na geração de gente chata. Onde as pessoas fingem que não se conhecem, reclamam de tudo e mais um pouco. Onde o choro é livre, liberdade de expressão não existe e democracia já é uma palavra morta, onde só existe felicidade nas redes sociais. A gentileza parece estar extinta. Que geração é essa que ninguém se respeita? Ninguém se olha? Ninguém conversa? Estamos na Era do grito, da violência, dos assassinos impune. 

Aonde estão as pessoas interessantes? As pessoas que ajudam o seu próximo sem esperar algo em troca? Aonde estão as pessoas do bem? Aonde estão as pessoas educadas? Aonde?! Na internet? Relações virtuais ocuparam o espaço das relações interpessoais. 

Estamos na incrível geração que não seria tão incrível, se não fosse por uma minoria que faz tudo valer a pena. 




                                                       Ana da Mata