domingo, 19 de abril de 2015

Eu não sou mãe, mas eu sou tia

Quando a gente recebe a notícia que a melhor amiga ou irmã está grávida, nossa primeira reação é dizer "ah, mentira", "para de brincar", "é sério?". Em seguida a gente ri, sorri, chora e deseja parabéns. ´É uma felicidade sem tamanho, sem proporção, sem medida. Postamos foto no Facebook com a mão na barriga tamanho melancia, ajudamos nos preparativos do chá de bebê, aguardamos o grande dia. E quando o grande dia chega, estamos mais nervosas e ansiosas que a própria mãe. Afinal, ela já vem se preparando há nove meses. Nós, tias, não sabemos o que fazer ou falar, se não ficar na sala de espera e aguardar o momento de conhecer o anjinho que chegou na Terra. 

Dizem que amor de mãe é o maior amor que existe, que é incomparável e inexplicável. Bem, existe várias formas de amar. Não existe quem ama de mais, ou de menos. Amor de tia é puro como de uma avó, cuidadoso como de uma mãe e protetor como de um pai. Tia cria laço de amizade com o sobrinho, quer estar presente em cada novidade, se torna confidente de vida. Não sei como definir o amor de tia, é indescritível. É sorrir por tudo e chorar por nada e almejar que tenha uma vida trilhada no caminho da luz, que seja uma pessoa boa e faça sempre o bem, o resto é consequência que a vida se encarrega de colocar no caminho. Que saiba aproveitar as oportunidades, aprenda que não se morre de amor, que todo erro é um aprendizado, mas que é burrice repetir os mesmos erros e que não veja a sua mãe como uma velha chata por não te deixar sair à noite. Que saiba ser humilde, simples e cultivar suas amizades.

De início, tentamos ser tias presentes. Com direito a passeio, a banho, a dar mamadeira, colocar para nanar, só não trocar a fralda - isso deixamos com as mães. Mas a rotina vem com um tapa-na-cara-de-realidade e te lembra dos compromissos, das reuniões, do trabalho e etc. Quanto mais a distância, mais a saudade. Sorte das tias que estão presentes  nos primeiros passos sem que veja só por um vídeo postado,  presente na primeira queda do dente de leite e o seu primeiro dia na creche. Mas bem, se uma coisa que tia aprende é que distância não significa nada, que ser tia é muito mais que só presentes de aniversário e que não existe empecilho que nos faça ficar ausentes quando precisarem de nós, titias corujas e babonas. 

Ei sobrinho(a), não escute sua mãe quando ela dizer "não vai com a sua tia doida". Ela não entende minha forma de me comunicar com você, sequer as caretas. Eu não faço a menor ideia de como é ser mãe, de ser inteiramente responsável por uma vida, nem de como é passar a noite em claro cuidando de você e qualquer outra coisa que só mães fazem. O tempo não passa, voa. E caso eu não esteja perto de você, saiba que eu estou presente. 
Cá entre nós, segredo, sua mãe tem razão: eu sou doida... Doida por você! 



Ana da Mata

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eu sumi pra você ser feliz

Você chegou de mansinho pra não me assustar e sabe-se lá porque decidiu que me queria. Um homem eloquente, possui a arte de falar bem e me fazer rir no ápice da raiva. Me convence o tempo todo que sou linda e que tenho um charme natural. Enquanto me diz coisas que eu não entendo, eu pergunto se assistiu a última temporada de The Walking Dead. Me convida para jantar e eu o pergunto se conhece a coxinha com catupiry no centro da cidade. Me oferece um café e eu peço para o garçom trazer uma cerveja e dois copos. Seu gosto refinado está bem longe do meu mal educado. Ele é um super homem quando eu preciso e quando eu não preciso. E meu pergunto se é possível sentir uma coisa tão bonita que não é totalmente igual. Como que se retribui ao amor de um homem se não é recíproco? E talvez nunca seja. 

 Um homem em alto relevo de seda, vira querubim às quintas-feiras pra me lembrar que quintas podem ser formidáveis quando se tem alguém especial. Somos sem inicio, sem meio, sem motivo, sem razão, sem solução. Eu pergunto porque me quer tanto, você diz não saber. Diz não entender porque eu sou tudo o que você quer e não podemos ser dois, simples, numa conta de mais. E este é o mistério da vida, a gente insiste em coisas que nem entendemos. Diz que amar dói, então fica carente e abraça o mundo por não poder me abraçar. Não como quer, não como poderia ser, não como nunca. 

E foi por não poder ser sua que eu sumi. Foi por te ver tão devoto a mim, com um olhar de dedicação, sempre e tanto. E eu tenho vontade de avançar no teu pescoço e ordenar que você siga em frente, que isso não passou de um fogo-de-palha, e que não se perca da felicidade. É triste amar e esse amor não ser retribuído, triste tanto amor não ter nenhum proveito. É triste ficar imaginando o que poderíamos ter sido o que poderíamos vir a ser. Você me procura uma vez por semana pra saber como eu estou, nos outros seis dias só imagina e visualiza meu perfil querendo se declarar, com pressa, com coração na boca, com gritos a plenos pulmões.

Seria egoísmo da minha parte responder às suas esperanças, porque eu não posso ser tua. Seria estupidez minha dizer que não sinto tua falta, porque eu sinto. Mas eu não posso retribuir, não da forma que você quer. E eu espero que você sinta uma sensação de agradecimento ao destino por ter me conhecido e que não se arrependa do que fez, do que disse e nem se esqueça dos meus olhos revirando por comida. Lembre-se de mim na memória, não nas fotos. Que termine com esse sentimento de me querer, como se só querer bastasse. E que guarde todo esse encanto que sentiu em mim, ao amor da sua vida. E se deixe convencer, que de fato, não passou de um fogo-de-palha. 






Ana da Mata