quinta-feira, 28 de maio de 2015

Príncipe, vá se danar

Querido príncipe,

Eu te procurei, me entreguei para alguns sapos que eu acreditava ser você. Mas não era. Fiz tudo certo, segui o manual de boa conduta no campo amoroso. Segui o roteiro de fazer tudo, milimetricamente, correto. Sorri para as futuras ex sogras até quando eu não queria e elogiei o almoço ruim. Escrevi textos melodramáticos, piegas, brega e suspirava sozinha por ter escrito algo tão bonito.

Abandonei as baladas com as amigas e passei a ser sócia de cinema. Aprendi a cozinhar, a passar a camisa e a fazer café. Almejava no pedido do casamento mais lindo do mundo, com direito a vídeo postado no Youtube com milhões de visualizações e compartilhamentos. Me conquistar era tão fácil, que me manter animada ficava impossível. Pseudos sapos não sabem usar a criatividade. Sempre o mesmo assunto. Sempre academia. Sempre querendo chamar a atenção. Sempre bancando o metido a macho e nem sabe fazer jus ao que tem dentro das calças. Homem que não fala, é homem que faz. 

Querido príncipe, eu tô é cansada de te procurar. Cansada para exausta. Comecei a ser mais cara de pau, agir sem pensar e deixar de acreditar que o mundo é cor-de-rosa. Eu quero é que você vá lá para o raio que o parta. Eu quero que todos os príncipes se danem. Eu quero sentir mais emoção, mais adrenalina. Nem precisa ter borboletas no estômago, deixe-as voando por aí mesmo. Quero descumprir regras, ter boas histórias pra contar. Quero transar no primeiro encontro e não ser taxada como puta. Quero casar sem véu, mas quero grinalda. Quero chorar de rir e chorar por chorar. Quero sentir vontade de ver de novo e de ter medo de se apegar.


Eu não quero fazer o que todos os outros casais fazem, eu não quero ter que rotular meu relacionamento, eu não quero ter que fazer coisas para agradar ninguém. Eu quero mesmo, agora, é o lobo mau. Que vem sem fazer barulho, te surpreende e não é tão tapado como você. Já que você espera a melhor hora para entrar em cena, eu escolho o melhor em me deixar arrepiada.





                                                                         Ana da Mata

terça-feira, 26 de maio de 2015

(Meu) Manual De Instruções

Eu gosto do leve, do fácil, do gostinho de quero mais. Eu gosto dos favoritos, e também do novo. Sou especialista em piadas sem graças, faço jus ao meu signo. Digo que sou aventureira, mas a verdade que é tenho medo de tudo. Tudo mesmo! Do escuro, de abelhas, de qualquer inseto que voe perto de mim (exceto borboletas), de mar com ondas e, principalmente, de dormir sozinha. Não gosto da monotomia, nem do tédio, nem da rotina. Apesar de saber que ela visita todos os relacionamentos, mas é preciso saber lidar com ela. 

Eu vomito aos montes o quanto sou decidida, mas a verdade é que sou indecisa. Grito a quem quiser ouvir o quanto sou convicta, mas não. Nem sempre! Sou distraída demais, então não brigue se me ligar e eu não atender, quase sempre, esqueço aonde está o meu celular. Também não fique chateado se eu esquecer alguma data, eu não uso agenda e digamos que minha mente não é muito minha amiga. Não nasci pra sair sozinha, não dispenso abraços, nem beijos. Não resisto à uma boa dose de afeto, mas por favor, nada em público. Nem demonstração de afeto, nem de ignorância. Ah, e não grite também. Eu sempre choro quando alguém grita comigo.

Lembre-se que terá finais de semana que estarei agitada, vou querer badalações, viagens, shows. Mas terá finais de semana que serei apenas uma velhinha de 90 anos. Vou querer sofá, pizza e alguns filmes. Eu amo viajar, conhecer lugares novos, culturas e pessoas diferentes. Ah, e eu falo muito. Muito mesmo. Talvez nem te deixe falar, porque sou tagarela nata. E não fique com ciúmes caso me veja vendo tagalerando por aí, costumo conversar com porteiros, garçons, com a moça que está na mesma fila que eu, com o presidente da Empresa, nem ele me escapa. 

E não esqueça que na TPM sou abastecida por chocolate, sorvete e muita atenção. Eu fico insuportavelmente carente nestes dias, então se me ver calada, talvez triste... só diga o quanto me ama e me abrace. Não fique confuso caso me veja chorando, nem eu me aguento nestes dias também. Quando for me presentear, eu fico anestesiada de emoção, quando ganho livros, CDs, ou alguma coisa relacionado à fotografia. É... eu amo comer. Talvez eu coma mais que você, mas isto você supera. Às vezes, serei teimosa demais pra concordar com você, só pra não ferir meu orgulho. Sou completamente apaixonada pela natureza, animais (em especial, os cachorros) e pela vida. 

Escute bem e melhor, entenda bem. Não sou dessas de repetir várias vezes a mesma coisa. Até porque, dizem que "para um bom entendedor, um olhar basta". Não se apaixone por mim, se não estiver disposto a retribuir. Muito menos se for só mais um romance de verão, ou outono, ou qualquer estação que estiver. Menos ainda, se for - somente, esvaziar seu saco. Não me faço de difícil, se me atraiu. Não sei fazer charme e também não sei fingir que não vi. Posso até tentar te enganar, mas minha bochechas irão corar e logo me entregar. Sou poesia pra quem quiser ler, música pra quem quiser escutar, barulho de quem não consegue dormir e silêncio pra alma acalmar. 

Antes de se apaixonar, verifique se está apto para aguentar. 
Assinado, eu. 



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Que a verdade seja dita

Estamos na incrível geração de insultos desenfreados. Da má educação gratuita, dos pré-conceitos sem medo. Dos covardes anônimos espalhados nas redes sociais. Dos casais sem sentimentos. E dos sentimentos sem proveito algum. Estamos vivendo na Era de que todo mundo sabe mais que todo mundo. Os extremistas de opinião qualquer não usam argumentos, ofendem. Estão certos de que são, de fato, os donos da verdade. E diante de centenas de religiões, não há respeito mútuo. Um sempre quer provar que está mais certo que o outro. 


Estamos na geração de pessoas que cutucam, criticam, ignoram e até agridem. Que nunca estão satisfeitas com o que têm e não vão atrás do que querem. De pessoas ansiosas, que não sabem esperar, não conhecem a paciência e não sabem lidar com a verdade. De pessoas que querem tudo e querem na hora, de preferência, pra ontem. De pessoas que  falam demais, vivem de menos. Estamos na geração do bipolarismo, das contradições, das amarras costuradas no tamanho propício, pra ninguém não correr o risco de querer mudar. 


Estamos na geração que favores são cobrados com juros e correção. De pessoas que lutam por um país melhor apenas nas redes sociais, que não cumprem o que dizem, que não se mobilizam. Que agem em bando, se um depreda; o outro depreda também. De pessoas necessitadas de atenção. São viciadas em mostrar, virtualmente, sua vida feliz; E que na realidade, é uma vida resumida em angústias e Rivotril. De pessoas que exigem o certo, mas não conhecem a ética. 

Estamos na geração de baladas sempre lotadas. Lotadas de mentes vazias e de corpos exalando hormônios. Os metrôs estão sempre lotados, mas ninguém se vê e nem se dá conta do próximo; estão todos muito ocupados no celular. As faculdades estão lotadas. Lotadas de pessoas que são sustentadas pelos pais, que traficam, xingam e praticam o vandalismo e sequer possuem algum tipo de interesse num futuro promissor. Estamos na Era do status, do glamour e da ostentação. Dos divórcios, da gravidez precoce e do caráter esquecido. O mundo globalizou e a mente das pessoas também. 

Estamos na geração de pessoas que ultrapassam limites para conseguirem o que querem. De pessoas acomodadas, trabalham há anos no mesmo lugar, reclamam do trânsito que enfrentam, são sustentados durante o dia com muita cafeína e usam como justificativa pro comodismo que "a crise tá feia, não dá pra mudar agora". Tarde demais, já estão robotizados. Já estão no piloto automático. Já estão dependentes da rotina, das férias no Nordeste todo ano, do décimo terceiro para pagar as dívidas, da autoflagelação sem culpa. Estamos na geração de pessoas que só percebem que o tempo passa rápido, quando ele já passou.

Que a verdade seja dita: estamos na geração de gente chata. Onde as pessoas fingem que não se conhecem, reclamam de tudo e mais um pouco. Onde o choro é livre, liberdade de expressão não existe e democracia já é uma palavra morta, onde só existe felicidade nas redes sociais. A gentileza parece estar extinta. Que geração é essa que ninguém se respeita? Ninguém se olha? Ninguém conversa? Estamos na Era do grito, da violência, dos assassinos impune. 

Aonde estão as pessoas interessantes? As pessoas que ajudam o seu próximo sem esperar algo em troca? Aonde estão as pessoas do bem? Aonde estão as pessoas educadas? Aonde?! Na internet? Relações virtuais ocuparam o espaço das relações interpessoais. 

Estamos na incrível geração que não seria tão incrível, se não fosse por uma minoria que faz tudo valer a pena. 




                                                       Ana da Mata


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eu (ainda) quase te amo

Eu quis tanto ser teu amor, tua paz, teu aconchego. Reescrevi meus segredos compartilhados com você e meu diário parece que nunca me pertenceu. Eu te queria sem pressa, sem exageros, sem desespero. Talvez fosse diferente se eu tivesse feito cara de cachorrinha sem dono e implorado que ficasse, por perto, pelo menos. Você sempre disse que eu que ia embora, que me afastava de qualquer oportunidade de, finalmente, sermos nós. 

 O peso da culpa, que se apóia em meus ombros e me cansa.

Meu sorriso sempre no automático, disfarçava minha vontade de avançar no teu pescoço e te pedir pra parar. De parar de fingir que não se importava, de que não me queria, de se achar o dono da razão e do mundo sempre que estava errado. De dizer sim aos abraços, aos beijos, aos gostos similares... e de dizer não ao amor. Porque amor não é pra você. Que jeito inteligente de se esquivar de ser feliz a dois. 

 O tempo nos afastou ou nos afastamos com o tempo?  

Confesso que sinto uma saudade absurda de você. E sinto vontade de te ligar, mandar mensagens, e-mails, cartas, pombo-correio ou qualquer sinal de fumaça em formato de coração. De correr aos teus braços e dizer como foram angustiados meus últimos dias. E de dizer que sim. Sim!  Eu te espero numa rodoviária, num terminal, na minha casa, na minha vida. Mas aí eu me controlo, penso e repito a mim mesmo que não é assim. E se foi você quem escolheu ir, não serei eu que pedirei para voltar. 

Então, do momento em que eu tentei não me torturar por sentir tanta saudade (e não saber o que fazer com ela) ao momento em que eu tentei não me culpar por ainda sentir isso, eu aprendi que amar demais enlouquece e sentir muita saudade entristece.  Talvez a gente aprenda a sentir menos, só pra nunca sentir o nada. 

Eu não sei o que (ainda) me liga a você, mas tem gosto de quero mais. Eu não soube viver pela metade, nem de fingir que não via a porta semi-aberta com a sua vontade de fechar por completa. Não soube fazer de conta, nem de brigar quando você perdia nosso tempo precioso pra ver uma partida de futebol, porque eu estava ocupada demais observando seus cabelos emaranhados. Agora não sei mentir que sua ausência não dói. Os dias ensolarados passam como pantones coloridos, o que sei fazer de melhor é fingir. E quando cai a noite, a Lua Nova soa como esperança... de que vai passar. Sempre quase passa todos os dias. 



Ana da Mata