quarta-feira, 24 de junho de 2015

Por que eu nunca daria certo com um homem bombado

Parece que homens sarados são alvo difíceis de serem atingidos. Por exemplo, você tá lá, toda linda na balada. Ele não te olha, não te repara. Você passa por ele 10 vezes, seu cabelo já está embaraçado de tanto que você mexeu pra um lado e pro outro. Suas bochechas estão coradas e doloridas de tanto que você sorriu. E de repente, passa uma mulher  gostosa. Aquele sarada, de bumbum na nuca, esculpida em estilo e bom gosto. A única coisa que te difere da outra, é o bumbum na nuca. De resto, tá tudo lá. Salto, batom, cabelo voando, charme e celular. 

Homens sarados não querem qualquer uma. Claro que não. Ficam tão obsessivos que procuram tonificadas tanto quanto eles. Como um homem todo trabalhado no músculo vai sair com alguém que tem preguiça de malhar? Eu sinto preguiça de ir à uma academia, sinto preguiça de pensar numa academia. Eu faço caminhada por obrigação e só de pensar em malhar, já fico cansada. Eu faço parte da geração de sedentários. Sim, não nego, malho quando puder. 

Eu namorando um bombado: eu quero dormir, ele quer ir pra academia. Eu quero ir num churrasco, ele não pode. Eu quero acordar meio dia num sábado, ele às 06am. Eu quero ir ao cinema, ele pra academia. Eu quero ir viajar, ele quer viajar pra um hotel que tenha academia. Eu quero sair pra comprar bugigangas, ele quer sair pra comprar proteína. Eu quero conversar, ele quer malhar. Não estou me referindo aos homens que se cuidam, estou falando de homens viciados em academia, em ganhar músculo, em perder peso, em ganhar massa, em perder tempo tentando ganhar e perder tudo isso. 

A verdade é que eu não tenho paciência com homens cujo o único é assunto corpo, estilo e beleza (não necessariamente nessa ordem). Eu gosto de falar, muito! Sobre livros, comida, sobre a vida, novela, shoppings, piadas sem graça, exposições que eu quero ir - mas nunca vou, criticar um reality show, comida de novo, ou qualquer coisa desde que não nos entediássemos. E quando os bombados não estão falando de Whein Protein, tão falando do novo suplemento alimentar. Nem pode comer uma coxinha com catupiry, porque tem engolir ovo crú. Corpo cheio, cabeça vazia.  Tentam chamar a atenção usando uma regata mais fina que minha calcinha.  Como é que se sai com um homem que têm mais peitos que eu? Cuidar do corpo é ótimo, mas cuidar da mente é essencial, né?! 

Homens bombados, aqueles que parecem armário realmente não me atraem (exceto Dwayne Johnson, que homem!) Não me importo com beleza estética, e sim, com beleza interior. É clichê, mas é verdade. Eu prefiro conteúdo à capa. Tem gente que se aliena do mundo e foca no  próprio umbigo. Eu prefiro sair com alguém que me faça rir, do que sair com um cara que me faça bocejar. Simples assim...



Ana da Mata

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Não era pra ser

Sua presença sempre foi barulhenta. Você fazia questão de não me deixar te esquecer, de tanto que fez, deu certo. Teu silêncio torvo e repentino só me leva a crer que você desistiu de nós. Eu tentei, eu juro que tentei te decifrar e entender o que você queria. Tentei seu melhor amigo, seu signo, mas nada. Não fica triste, você tentou da sua maneira. Indecifrável, mas tentou. Eu até te procurei, da minha forma estranha, mas tentei. Te marquei em vídeos que lembravam você, em textos que serviam como indiretas, em notícias de novas pousadas pra sugerir um convite de viagem. Só que eu não era mais sua e de nada que te pertencia. 

Eu tô cansada de procurar entender porque não deu certo. Já tentei te escrever, mas quando penso em você, as palavras somem. E quando aparecem, meu bom senso foge junto com a coragem de apertar o enter. Me convenço o tempo todo de que não era pra ser, usando justificativas inventadas e sua personalidade histriônica. Você nunca entendeu meu modo de pensar, e eu não entendia seu jeito de ser. E juntos, não entendíamos porque gostávamos tanto um do outro. Algumas coisas não merecem explicações, a sensação por si só bastam.

Eu brigava com você, porque você insistia muito em nós e no que poderíamos ser. Sonhava que seríamos um casal feliz, com fotografias guardadas numa caixa esquecida ou com mais de cem curtidas, sem contar nos comentários dizendo que somos o casal mais lindo que existe. E eu pensava  "meu deus, que homem é esse? Ele é tão perfeito e consegue me deixar tão boba, quanto já sou." Mas amores certos, não deveriam vir em momentos errados. É injusto traçar um caminho cruzado, torto, curvado e não chegar a lugar algum. Você brigava comigo, porque me pedia pra largar tudo por você, viver um sonho que era mágico e fantasioso demais pra dar certo. Que eu estava errada o tempo todo, que não existe esse troço de amor certo na hora errada, que só existe covardia de não se entregar. 

Não era pra ser. Não era pra ser. Não era pra ser. Repito tentando provar a mim mesmo que não culpa foi sua, nem minha, nem do destino, nem daquela menina que comentou uma foto sua e me fez ruborizar os olhos de ciúmes. Também não foi dela. Você é teimoso demais pra voltar atrás e eu escondo um orgulho além da medida pra assumir que me arrependi. E não há nada que reverta essa situação. Não existe fórmula secreta, nem mapa astral, nem afinidade, nem macumba, nem promessa pra São Longuinho... quando não é pra ser, não é. Não adianta insistir... E é preciso aceitar que certas coisas chegam ao fim, sem nem mesmo ter um começo. 







terça-feira, 16 de junho de 2015

Você me bagunça

Estava procurando palavras perfeitas para escrever um texto perfeito. Ou algo que você entenda, sem que eu precise desenhar. Mas não encontro, você roubou todas as palavras do meu dicionário. Você passou em mim feito um furacão e não voltou pra consertar o estrago. Me atordoou e não voltou para me aquietar. Complicado querer, quanto te quero. 

No meu poema, você não tem rima. No meu manual, você não tem instrução. Na minha dança, você é o descompasso. Na minha regra, você é a exceção. Na minha realidade, você é arte abstrata. Você é doce pra minha ilusão - e não enjoa. Você é tão viciante quanto a minha música favorita. Eu não entendo nada sobre cifras, sequer Dó, Ré, ou Mi e Fá, mas a canção por si só faz com que eu a escute no replay. 

De longe eu te quero, de perto eu te esnobo. Quando eu me encontro, eu te perco (e vice-versa). De repente você aparece, de repente você some. Meu pensamento sem lógica alguma, só pensa em você e em te querer. Meu coração tá um caos e você nem volta pra reorganizar. O medo de errar me seduz e me afasta de você. 

Mesmo longe, continuei te querendo. E por perto, te convenci que não daríamos certo. Mas é que você não percebeu que em todos aqueles abraços, eu estava te pedindo pra ficar. Você dissimula, tumultua e me embaralha inteira. Você tem que entender que qualquer sopro seu me chacoalha. É esse o efeito que você tem sobre mim... 

Você é odisséia pra minha utopia. 




terça-feira, 9 de junho de 2015

Dentro de todo homem há um menino

O que tem aos montes por aí são textos que falam de amor, em sua maioria vitimizando a mulher. De como são frágeis, como sofreram pelo fim, como conseguiram superar e o quanto se doou ao relacionamento sem olhar para trás, sem deixar de falar na importância da perda para um belo recomeço. Mas e quanto aos homens? 

Vivemos numa sociedade cheio de paradigmas e esteriótipos, onde o homem é colocado como o Rei da cocada preta, no seu reino ele está predestinado a sempre ser forte e nunca demonstrar afeto. Homem não é culpado disso, seja lá quem foi que inventou, foi alguém que soube muito bem manter as aparências e disfarçar qualquer drama. Homem já nasce ouvindo "Você é um homenzinho, não pode chorar". Poooooooode sim! Chorar alivia, acalma. Chorar faz bem à saúde e é eficaz para ambos os sexos.

Agora imaginem um másculo no fim de um relacionamento. Aquele namoro que teve um começo fofo, com um pedido de namoro fofo, com surpresas fofas e que foi tão intenso. Quando um homem ama, é bem diferente da mulher. Homem não faz charme, não faz rodeios. Deixa claro o quer e o que sente. E quando quer, aguente. Homem tenta conquistar uma mulher até não saber mais o que fazer, nem falar, nem agradar. Depois de muitíssimos conselhos dos amigos mais próximos, bem íntimos (porque homem que é homem não sai falando que ama alguém). Só depois, com mil claras batidas e centenas de desenhos estampados em sua cara que não vai rolar nada, saem de cena. Já viu homem entender algo sem que mulher desenhe? Homem é teimoso, não são bons entendedores, logo, não entendem sinais. 

Não acredito que tenha quem sofre mais ou menos, apenas quem consegue lidar melhor com o fim. Mulher tem amiga a rodo, homem tem brother. Mulher fala por dias, chora por dias, lê Caio Fernando Abreu por dias, tira foto com os mais belos vestidos, posta o quanto está feliz, só pra se convencer que está feliz mesmo. Mas não... Homem, com meias palavras e bem meia boca explica o fim aos amigos, já diz logo que precisa encher a cara, se torna sócio do boteco da esquina na rua do trabalho e volta para a vida boemia. Homem mantém a aparência. Sofre calado, escondido e pior: sozinho. De fato, sofre na elegância.  Mas é preciso esquecer a etiqueta quando o quesito é sentimento. Vivem num desconsolo sem pena, fingindo uma conformação que não existe. Aprendam que sofrer não é sinal de fraqueza ou de vergonha. Se está sofrendo, é porque amou. E qual a vergonha nisso?  

Alguns homens são mais maduros que outros. Alguns trocaram o skate, por uma gravata. Outros trocaram a carteira de trabalho, por uma banda. Alguns ainda sentem medo de merthiolate, outros criaram asas e saíram mundo a fora. Seja lá como são, debaixo do terno há um coração. E dentro de todo homem há um menino.




                                                        Ana da Mata



sábado, 6 de junho de 2015

Amor Escasso

Discutir sobre um relacionamento que não existe, com alguém que não tem um relacionamento com você, é tão esdrúxulo. A vontade que um quer ao outro, é igual ao tanto faz que os dois fingem. Chega a ser cômico, só que trágico. 

Querer, não poder. Pensar, não tocar. Imaginar, não sentir. Saudade do que nunca foram, quiçá, poderiam ser. Ele quer,  ela também. Ele é melindrado, ela é impaciente. Ele é mimado, ela é orgulhosa. Qual é o resultado quando se tem orgulho envolvido? Exatamente. Nada. E ainda depositam toda intensidade em algo que não existe. 

Pode ser amor, pode ser carência. Quem sabe o que passa no coração do outro? Tem gente que sabe amar, mas não sabe demonstrar. Tem gente que ama pelos gestos simples. Tem gente que ama pelo olhar. E tem gente que confunde amor, com carência. E age confuso, deixando a outra pessoa confusa também. 

Ela procura, ele ignora. Ele procura, ela faz charme. Ele ainda quer, ela também. Ela puxa assunto, ele não responde. Ele a convida para sair, ela tem compromisso - ele entende como rejeição. Ela marca para outro dia, ele inventa uma desculpa - ela entende como puro capricho. Até quando? 

Enquanto isso, o tempo passa. Ele sai com algumas garotas procurando a poesia que só encontra nela. Ela sai com alguns rapazes procurando a calmaria que só encontra nele. Ele não insiste, ela não persiste. Seja lá qual decisão, tem que saber seguir em frente. Tem que seguir o coração!

Ele cansou, ela também. Ela ainda quer, ele também. Ele tenta não pensar, ela também. Ela fica em silêncio, ele também. É platônico e é recíproco.

Antagonistas da própria história. (Se é que há uma história).



Ana da Mata

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Carta para a minha sogra

Querida progenitora do meu amor, sabemos que a senhora é um anjo em formato de ser humano. Pode mostrar as asas e parar de fingir.

Sabe que nora recém chegada na família morre de medo de conhecer a futura sogra, comigo não foi diferente. Medo da reprovação, medo de opiniões que pudessem interferir no meu relacionamento com o seu filho, medo de ser uma jararaca que falasse mal de mim pelas costas. Ou aquela sogra que rasga seda de ex. Pelo contrário, a senhora é tão doce quanto um pote de mel, só que não enjoa. 

Fique bem tranquila que eu estou cuidando do teu filho, com muito mimo e muito amor. Só não estou separando a roupa preta da colorida na hora de levar, como me ensinou, não tenho o seu cuidado. Não fique apreensiva à toa, sei que coração de mãe não se engana. Mas eu estou por perto, para o que ele precisar, para o que vocês precisarem. Faço questão de continuar com nossos almoços regados com muita risada, nossos Natais que a senhora se veste de Mamãe Noel, tornando mais lúdico e especial. Não vou deixar ele se afastar da senhora, longe disso, farei questão de estar presente a cada reunião de família também. 

Teu filho tem o mesmo coração nobre que a senhora, a mesma teimosia, o mesmo autoconhecimento perspicaz. Ouvi dizer que mãe é uma só. Mas pra quem tem uma sogra maravilhosa como eu, sabe que podemos ter mais que uma sim. Sogra é segunda mãe, é mãe de coração. Como a senhora mesmo diz, independente do meu relacionamento com seu filho, o que sentimentos uma pela outra é verdadeiro e sincero. 

Obrigada pela confiança depositada, pelas confidências compartilhadas, pelos segredos guardados e pelas gargalhadas. Pelos conselhos dados, do fundo do seu coração. Pela sabedoria que tem, pela alma bondosa e juvenil. Por todo o apoio que sempre deu ao meu relacionamento com o seu filho. Por estar sempre presente. Por ter proporcionado ao seu filho uma boa educação, ter o ensinado a ser independente de qualquer mulher. Ele passa roupas e cozinha. Obrigada, principalmente, por ter ensinado a cozinhar. Isso facilita muito nossa vida aqui em casa e evita incêndios causados por mim. E acima de tudo, obrigada por ser quem é. 


Dizem que homem, inconscientemente, procuram mulheres pela imagem que possui da mãe. Verdade ou não, me responde muita coisa quando teu filho diz "Nossa, parece a minha mãe".  Dizem também que sogras são chatas, falsas e até manipuladoras. Pra mim, isso não passa de uma lenda urbana. 




                                                    Ana da Mata

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O primeiro adeus



Você era o cara certo pra mim. E porque eu acreditava, você era. A gente quer o que não tem. Assim são com as pessoas, queremos quem não podemos ter e, quando temos, não é por completo. Assim, foi comigo. 

Éramos compatíveis em tudo, almas dispostas atraídas. Ele não era o cara mais lindo do mundo, mas era o mais lindo do meu mundo. Era de ouvir o coração batendo cada vez que ele se aproximava. E eu me doei intensamente, com total devoção. Inocência minha achar que tudo é recíproco. Que sempre que eu gosto de alguém, este alguém vai gostar de mim também. Não é bem assim...  


Ele assistiu de camarote vip cada choro meu, cada angústia desenfreada pelo medo do nosso fim, cada apelo meu pela mudança dele, cada pedido de que ele tentasse mais. Por mim, por nós. Mas ele não me escutava, não me entendia. E o nosso fim, foi a coisa mais difícil de encarar, mais dolorosa e a que eu nunca quis um final. Fiquei traumatizada por tudo o que houve, esse troço de gostar não é pra mim. E quando eu acho que é, alguém me prova o contrário. 

Tentei superar lentamente a ausência dele. Deixei de ir nos restaurantes que íamos, troquei as músicas tristes por músicas agitadas, deixei de ler qualquer texto que me fizesse ficar mais triste ainda. Fiquei meses me perguntando porque não deu certo, se tinha tudo pra dar. Tantos porquês, tantos "mas", tantos "e se", tantas justificativas inventadas por um amor puro que acredita sempre outra vez. Tanto achismo numa história só. 

Tempos passaram, namorados em potencial descartei, novos amigos encontrei, risadas de doer a barriga dei e meu pensamento de uma forma ou de outra paravam nele... E ele me vem na maior cara de pau. Uma presença repentina que suou mais deboche, que surpresa. Agora vem e me diz que já passou um ano, que é besteira minha, que aquilo é coisa do passado. Mas se existe tempo demais para amar, também existe para sofrer. Te daria mil chances, se quisesse. Mas você não quis. Não me quis. E todas aquelas chances se esgotaram no momento em que decidiu partir. Então não me venha com choramingos, com essas frases feitas copiadas do tio Google. Na minha vida quem vai, não volta.O que é verdadeiro permanece. Com obstáculos, brigas, ciúmes, dificuldades, rotina, vírgulas... Mas nunca com um ponto final de quem desiste.

Então, obrigada por ter me procurado, por ter me enlouquecida toda pensando em você, na nossa confusão, na minha confusão. Fiquei à mercê de você todo esse tempo, mesmo distante. E só agora, diante de tantas perguntas sem respostas. Só agora, nas entrelinhas, que eu entendo. Você nunca foi meu, eu quase-sempre fui sua. Mas um mais um, em nós, nunca resultava em dois. Eu sou muita areia pro seu caminhãozinho. Posso estar sozinha, mas não estou mal acompanhada. 

Caí num choro sem precedentes. 
Não por você. 
Por mim... me libertei de você. 



Ana da Mata