quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quando o amor acaba...

Estar apaixonado é como ter 15 anos, convenhamos. Dar passos brutos sem eco, afinal, estamos andando nas nuvens. E quando as nuvens voltam pro seu lugar de origem, vão lá pro alto do céu e nos deixam aqui, pisando no concreto do chão, sem nada que possa amparar uma possível queda?

Nós sabemos quando o amor acaba. Nós sentimos. Basta um tratar indiferente. Uma fotografia sem cor. Uma gargalhada sem som. Um beijo sem gosto. Um sexo sem prazer. Uma necessidade sem obrigação. Uma discussão; Uma briga; Uma incerteza. De repente as mãos estão geladas, a convivência sem harmonia. A rotina sem motivo. 

Quando o amor acaba os olhares passam despercebidos, os abraços são frouxos, os sorrisos são vazios, a pele estranha. A conversa é forçada, a intimidade interrompida. É relembrar sem forçar a memória de lembranças discutidas em almoços de família. É juntar um passado empoeirado numa caixa, limpar as gavetas e não ter nada mais palpável. Até que ponto a gente deixa de conhecer alguém quando não sentimos mais amor?  (Des)conhecidos... 

Quando o amor acaba a gente se interessa pelo desinteressante. As tentativas de tentar recuperar o que já se foi, são em vão. Não adianta adocicar o que já está amargo. A gente precisa parar com a mania de achar que o "era uma vez" são sempre acompanhados de um "felizes para sempre". Não. Nem sempre. Infelizmente, às vezes, nem um bom começo tem.  

Quando o amor acaba nem trancafiados em meio metro quadrado, seria possível sentir calor. A gente não entende, não aceita. O desespero toma conta e nos tornamos reféns de uma busca por ajudas de todos os tipos. Desde as 5 dicas milagrosas de como melhorar um relacionamento à aprender pompoarismo. É frustrante gritar um pedido de socorro dentro de nós mesmos. 

Quando o amor acaba, palavras que estavam no baú são severamente pronunciadas. Em ambos, os olhos estão pesados e os corações cansados. No calendário da cozinha já não existe mais futuro, apenas passado. O monstro do armário acorda e repete, insistentemente, que o mal-estar é mútuo. Que aquele cheiro impregnado no apartamento é só a infelicidade fazendo jus à infinitude do sentimento.  

Quando o amor acaba, o mundo desmorona. A gente se desespera. A vida segue imperfeita. Honestamente, tudo se dissolve. Mas é preciso mudar, reagir, encarar, superar. Entender que amores acabam sim e não há nenhuma poesia nisso. O que não for recíproco, não vale a pena manter. 

O para sempre acaba o tempo todo e recomeça sempre. De novo. De novo. De novo e mais uma vez. Então é isso. Fim. 


Ana da Mata


terça-feira, 10 de novembro de 2015

O amor é f...

A vida pode ser bem sacana se não a enxergamos como ela merece. E bem, eu não tenho paciência para levar muita coisa a sério. Até que a loucura se desprende da realidade e, não me resta alternativa a não ser, levar a sério mesmo. Parece brincadeira dizer que "amor é arte, foder faz parte". Mas não é. Amor que fode bem é foda.

Amor que chega de mansinho, oferece um uísque sem gelo, prende quadril, lambe os lábios e morde a orelha, não deveriam ter tanta nossa atenção - se soubéssemos o resultado falho. Crescer e tentar responder todas as questões da vida não deveriam ser tão difícil. Aprender não deveria doer tanto. O amor torna-se uma linha (não tão) tênue entre foder e se foder. 


O grande lance, é que mesmo que a noite esteja sendo bacana, o pagode do Zeca tá maneiro, a pessoa é gentil... a busca pelo repouso num amor tranquilo, acaba numa cama qualquer, com uma ressaca e uma dor de cabeça gritante. E é esse o grande problema de ex amores fodas. Eles foderam nossa vida como fazem de melhor. E qualquer alguém interessante, acaba num contato salvo no celular, sem muita importância. A busca pela nova "foda inesquecível" torna-se tão cansativo quanto a busca pelo pote de ouro no fim do arco-iris.  

Aceitar a simplicidade do sentimento talvez não seja o meu forte. Tem que ser intenso, tem que ser do caralho, tem que ser pra puta que pariu. A solidão, meu caro, essa não se dissipa com trepadas. O amor é foda e, por isso, ele é tão bom.

Precisamos parar de olhar amores com olhos maliciosos. Deixar de acreditar que o amor pode chegar desabotoando camisa e deslizando sob a pele. Deixar de acreditar que entre acasos e desencontros, as pernas abertas foram só consequências de um feeling mal interpretado. E antes de apagar a luz, sentir as pernas tremerem, nos perguntarmos se estamos ali por carência, necessidade ou ilusão. Ou todas as alternativas. 

É possível ser feliz sozinha. E... o amor é pros fortes? Quem sabe das coisas que te carece. Dos vazios que te ocupam muito espaço. O amor, todavia, não é mais, não é menos, mas também. Eu te desejo um amor foda, com direito a cafuné interrompido com a mão presa no cabelo embaraçado dela, com direito a sexo em cima do carro na garagem e milhões de faniquitos pelo corpo. 

O amor não é eterno, às vezes, nem dura enquanto pode ser...


O amor pode ser resultado de uma dança descoordenada, com tentativas falhas e passos desajeitados. Você leva pisões suspeitos e acaba saindo do ritmo. A questão é que foder é bom. Mas dar chances a um novo amor é melhor ainda. Aí sim está o tesão na vida. 

O amor é foda. Mas o foda mesmo, é viver sem amor... 

Permita-se.



Ana da Mata