segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Parece que o jogo virou

Eu te perdi. 

Quando você se foi, fiquei a um passo de cair num abismo. Confesso que me vi sem esperança. Me vi inquieta, extremamente aflita. Chorava até ter pena de mim, me retraí. Inventava mil desculpas para não sair de casa, porque eu sabia que meu único assunto seria você. Tudo ao meu redor, tinha sua cara, seu nome, seu cheiro. Era a saudade fincando em mim, o que não era mais digno de estar presente. 

Me vi tão sem chão, que te ligava desesperadamente, na expectativa que você me atendesse e dissesse "Oi amor, que bom que ligou", mas sem sucesso. Ligações não atendidas. Te mandava e-mails, lotei sua caixa de entrada, na ilusão que você me respondesse "Baby, adorei seu e-mail. Quero te ver", mas sem sucesso também. E-mails ignorados. 

Mas a vida te envia anjos, titulados como amigos, que te impedem de não cometer mais besteiras, que te ensinam a parar de apertar o enter, que te trazem vodca, brigadeiro de panela e batom vermelho. Que te fazem enxergar que você não está sozinha, que te apresentam lugares novos, caminhos diferentes. Então, conheci pessoas, no qual me trouxeram calma na alma. Trouxeram sorrisos sinceros, abraços apertados e sentimentos que me foram entregues sem esforço algum.

E num desses lugares nos encontramos. Não consegui esboçar nenhuma reação. Meu coração, que outrora, virava escola de samba ao te ver, aquietou-se. As borboletas no estômago, que um dia, moravam em mim, voaram. Os joelhos, que no passado, eram enfraquecidos perto de você, fortaleceram-se. Foi quando eu me vi sem amarras, sem apego, sem você. Sem nada que me prendesse a nós. Foi quando me vi dona de mim mesmo, com pé no chão, com as melhoras companhias que alguém poderia ter. 

Depois que me viu gargalhando com um rosto iluminado, em cima do meu salto 15, dentro do meu vestido decotado, que poderia ser convite para alguns. Mas não era. Era só eu aproveitando o tempo que perdi. Agora você me liga, insistentemente, como se eu fosse o único contato existe na agenda. Envia e-mails, como se eu fosse a única a ter acesso à tecnologia. Pergunta de mim para as minhas amigas, como se elas fossem ingênuas a ponto de falar qualquer coisa da minha vida. Meu bem, foram elas que me impediram de me rastejar ainda mais por você. 

Você me perdeu. 

Parece que o jogo virou, não é mesmo? 




Ana da Mata

domingo, 11 de dezembro de 2016

Quando você voltar, não vai me encontrar

Quando você voltar, a chave extra não estará no mesmo lugar. Na verdade, ela não existe mais. Foi jogada no lixo como tantas outras coisas. Você vai apertar a campainha e ninguém atenderá a porta, sentirá falta de ser recebido por mim com um sorriso largo, de orelha a orelha, te enchendo de beijos e perguntando como foi o seu dia. 

Quando você voltar, encontrará uma casa vazia e solitária. Não terá mais bagunças, som alto, filme na sala, canções desafinadas debaixo do chuveiro e alguém falando desenfreadamente no seu ouvido. Subirá as escadas, as roupas não estarão passadas. Terá que fazer você mesmo. O banheiro já não terá mais o meu shampoo, minha toalha e nem aquele amontoado de maquiagem espalhadas no gabinete. 

Quando você voltar, ficará surpreso, um tanto perplexo e talvez até arrependido. Sentirá falta de uma companhia, terá que aprender a conviver com o silêncio e se acostumar com a ausência de felicidade. Reagirá de forma suspeita, mas que lhe convém. Fingirá que está tudo bem, que tinha que ser assim, que há muito tempo estava batendo na mesma tecla, dando murro em ponto de faca. Repetirá isso várias vezes. Por um curto momento, até se convencer de que realmente era melhor pra nós dois. 

Quando você voltar, não vai entender nada. Questionará ao Universo se fez escolhas certas até aqui, se nasceu pra morrer sozinho, porque a vida a dois é muito atarefada. É coisa de gente grande. Requer responsabilidade, satisfações, boletos pagos e partilhas. Mas isso ainda não é pra você. Oras, onde fica os amigos? As viagens? As festas? Por que pagar conta em dia? Qual a necessidade de compartilhar tudo, com uma pessoa que só é sua companheira e mora contigo? Não é nada além disso e não merece saber de tudo, toda hora. 

Vida a dois é chato demais. Não é mesmo? Só que você esqueceu que na partilha, é totalmente possível envolver amigos, festas, viagens. Não só conhecimento e angústias. 

Em pensar que tínhamos tudo pra dar certo, exceto pela minha mania, minha estúpida mania de superabundância. De nunca me contentar com o suficiente, de querer me transbordar em tudo. E foi por isso que eu fui embora. Porque depois de todo o meu excesso de tentativas falhas, você insistia em dizer que fazia muito por nós. Mas o seu muito, pra mim, nunca passou de muito pouco.

Quando você voltar, não vai me encontrar. É impossível achar o que você mesmo abandonou. 





Ana da Mata

sábado, 10 de dezembro de 2016

Minha despedida de você

Eu sofri três vezes.

Começou quando nós terminamos.

Foi assustadoramente difícil me ver sem você ali, por perto. Me dando colo e dizendo que era só mais uma fase, que íamos passar por isso. Porque merecíamos o melhor e não menos que isso. Mas o meu coração, coitado, ainda tinha esperanças de que muito em breve tudo ia se revolver. Que colocaríamos todos os pingos no is, daríamos ponto final em todas as nossas vírgulas e daríamos certeza em todas as nossas dúvidas.

Meu coração estava errado. As dúvidas só aumentavam e foram piorando conforme sua oscilação de humor, cada vez que tentava se aproximar de mim. A pior parte é ter que superar a mania de te querer, porque só querer não basta. Relacionamento requer mais. Às vezes, muito mais do que estamos dispostos a doar, sentir e ceder.

Depois, sofri quando saí de casa.

Foi cruelmente triste fazer as malas. Separar cada peça de roupa e me lembrar de momentos bonitos. Andei pela casa e me despedi de cada cantinho que por muito tempo me pertenceu, desde a varanda que me ouviu cantarolando tantas e tantas vezes, até a garagem que serviu de parque de diversões pra mim e pros meus, seus, nossos cachorros.

Eu martelei ideias mirabolantes, centenas e centenas de vezes, na esperança de algumas delas me servir de gancho, pra ganhar assunto com você. Eu chorei durantes semanas, sem cessar. A dúvida era se ainda dava tempo de consertar o errado, se o errado merecia mesmo ser consertado. E se merecia, por que não fizemos.

Eu tinha o vício de falar de você. Porque tudo parecia lembrar você. Em conversas que deveriam ter o papel de me distrair e me fazer rir, me faziam me lembrar ainda mais você. Até a sua risada ecoava no pé do meu ouvido. Porque eu sabia que se você estivesse na mesma roda de conversa, você teria rido a risada mais escandalosa e teria feito todos ao seu redor cair em gargalhadas.

Por fim, sofri quando saí da sua vida.

Foi aterrorizador imaginar a vida sem você. Me vi perdida. Totalmente desnorteada. Imaginei estradas longas, nuvens carregadas, alguns lenços, um pote de sorvete e um bocado de filmes para me acompanharem em domingos cinzas. Imaginei também uma vida baseada em "e se". E se eu tivesse enfrentado o orgulho e dito o que merecia ser dito, e se eu tivesse escolhido ficar, e se eu estivesse sendo muito egoísta e mirando apenas no meu umbigo, e se estivesse sendo carrasca com quem foi tão bom comigo, por tanto tempo.. E se... E se... E se...

Talvez, essa foi a parte em que mais sofri.

Eu entendi que levar a vida não se resume em viver o presente, tentando arduamente arrumar o passado. É carregar um peso que não é suportável. Entendi que embora o nosso para sempre durou alguns anos, o que me resta é terminar esse para sempre vivendo. Sem medo. Eu fui sua por muito tempo, até quando não estávamos mais juntos... Eu continuei lá. Eu estava perto. Nos reaproximamos e por um momento nos tornamos amigos. Grandes amigos. Você me viu, me sentiu e hesitou. Preferiu priorizar sua grandiosa lista de amigos, praia e alguns engradados.

Foi quando eu encontrei o erro. Talvez os sete erros. Quem sabe, até mais. Suspirei aliviada de que, de fato, fiz a coisa certa. E você também. Alguns amores invadem nossa vida pra nos fazer crescer e aprender que algumas umas histórias já têm um fim, sem o interminável começo. Sem o suspense da duração até o final.

De tanto martelar, pensar e tentar entender onde falhamos, eu entendi de que era necessário passar por tudo isso pra chegar onde se deve estar. Eu estou bem, agora eu consigo gargalhar até chorar. Me vejo livre, sem você. Com estradas intermináveis e minhas. É só viver que ela te leva para lugares inimagináveis e encantadoramente surpreendentes.

Você foi o grande amor da minha vida... e a maior decepção também.



Ana da Mata

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Ele não te bate, mas...

Ele não te bate, mas exige que seja de tudo da maneira dele, porque ele banca a casa e te leva a crer que você não pode pagar o aluguel sozinha. Ele controla suas idas e vindas, mas tranquilo, ele te persuade dando um cartão de crédito para você poder comprar suas roupas. A dependência financeira, é só uma brecha para o início da dependência amorosa-emocional-psicológica.

Ele não te bate, mas te impõe limites porque mulher não pode usar batom vermelho, roupas curtas e tampouco sair com as amigas. Ele não aceita ouvir a sua opinião, nunca, sobre nada. Só existe a verdade dele e, mesmo com muita paciência, você ainda tenta conversar, porém o que te resta são berros ensurdecedores, seguidos de pedidos de desculpas com doces beijos. 

Ele não te bate, mas te convence que você precisa lavar a louça todos os dias, manter a casa impecavelmente limpa, transar todos os dias, porque se você não fazer, tem que faça. Ele é incapaz de dizer um elogio, qualquer que seja. Só se louca e inútil viraram adjetivos e eu não estou sabendo. Além disso, ele te faz inimiga do espelho, repetindo o quão gorda você está. 

Ele não te bate, mas vira e mexe, te faz chantagens emocionais, dizendo que irá terminar e que sem ele, você não é nada. Ele chora miséria para não sair com você, quando você quer, mas quando os amigos convidam, ele esbanja pagando a conta. Ele fica dias sem olhar na sua cara, porque te viu conversando com um amigo na rua. E só volta a falar com você, depois que você mendigou a atenção dele.


Ele não te bate, mas rompe suas amizades mais leais, porque elas são putas e você não pode se misturar com esse tipo de gente. Ele não te deixa ir à academia, porque você é o amor da vida dele e, você é tão linda, mas tão linda, que não pode ser vista por outros caras. Só ele. 

Ele não te bate, mas invade seu espaço e te priva de fazer coisas que te fazem feliz. Ele te constrange, diariamente, porque ele pode. Ele é o macho alfa. E AI de você se ousar questionar. Ele ganha no grito, no susto, na manipulação, nas ameaças. Ele está sempre certo, você não está certa e nem errada, você não tem opinião. 

Você já não sabe mais o que é sorrir pelo prazer de sorrir. Você nem lembra quando sentiu um orgasmo. A loucura começa quando você inventa mil justificativas pra atos dignos de pena. A tristeza começa quando você deixa de ser feliz, por acreditar que só será feliz com o único homem da Terra, porque você acredita de fato, que ele é o único. 
 "Ah, mas eu sou ciumenta também. Não sei como ele me aguenta", moça, para. Ele não te aguenta, ele te domina. 

E por quê? Você precisa sair dessa caixinha! Seu relacionamento é abusivo. No entanto, é difícil assumir a si mesmo, que o homem da sua vida, aquele lá que você apostou todas as suas fichas, fez planos, idealizou viagens e criou expectativas, não passa de um controlador incapaz de controlar a própria vida. E por ser tão incapaz de tanta coisa e ter nas mangas a manipulação, ele consegue te manter ali, fiel. 

Eu sei, não é fácil. A oscilação de humor dele, não condiz com as flores que ele te manda. Mas ele só manda quando te trata mal. Moça, não será menos fácil, se você não se permitir ser feliz, de verdade. Quem gosta de você, gosta com todas as suas falhas, medos e defeitos.  Mas ele vai mudar, né? Foi só um contratempo, ele estava de cabeça quente. Não vai se repetir. 

Vai sim. Repete. Uma. Duas. Três. De novo. Mais uma vez. Constantes hábitos que te fazem sentir um pássaro numa gaiola. 

A vida passa muito rápido pra se perder tempo com quem nos trava o riso. E se você tiver que implorar, mendigar por um amor, que seja o próprio. Porque é ele que te mantém de cabeça erguida e te convence de que você não merece qualquer um.

Perca o medo, crie coragem. Qualquer caminho que seguir sem ele, te levará a algum lugar melhor.




Perca-se. 


(Imagem: http://salvemeucasamento.com.br/agressao-verbal-vinda-de-um-cristao/)




Ana da Mata

domingo, 4 de dezembro de 2016

Saudade e um até breve

Fim.

A história da saudade começa assim, encerrando ciclos, fechando portas, encostando janelas, doando roupas, remendando o coração da forma que dá e torcer que o tempo passe depressa, pra afastar essa angústia que parece não acabar.

A gente pode se preparar para uma possível perda. Receber o resultado de um exame de uma pessoa querida, que traz consigo a incerteza do amanhã e alguns bocados de choros. Traz também a vontade de fazer o que dá tempo, sem nem mesmo saber pra onde ir ou que fazer. Mas agir. Nos confortar que mesmo com os dias contados, ainda dá pra sorrir mais um pouco e ter mais lembranças boas pra serem guardadas.

Mesmo se preparando, quando alguém se vai, dói. E não é pouco. Machuca. Dilacera. Corta. Devasta. Te tira o chão.

E perder alguém quando menos se espera, é como perder um aniversariante antes de cortar o bolo. A festa fica pela metade, a música inaudível, tudo começa a ficar meio cinza... e sem sentido.

Morreu atropelado. Bala perdida. Reagiu num assalto. Acidente. Infarto. Briga.

Que piada é essa da vida de nos tirar quem a gente ama, sem hora marcada? Sem notificação? Sem aviso prévio? Não tem graça. O sofrimento turvo não dá trégua à bonança.

A ficha não cai. Tem novidade, dá vontade de contar. Compartilhar. Pedir colo. A vida segue imperfeita. E não adianta culpar o Cara lá de cima, cobrar do Universo, choramingar pro tempo... a vida é sobre partir e ver partir.

Saudade é o sentimento que fica. Fica ausência com vontade de presença.

O que resta é se remendar em esparadrapos invisíveis, se entupir de frases feitas pra tentar enxergar o tabu da morte com outra percepção, continuar com a rotina e se esforçar pra não se auto sufocar com tantos planos não realizados.

Me consolo com a certeza de que pessoas que partem estão num lugar melhor. E vou me convencendo agarrada na esperança, que se dizem mesmo que a vida e a morte são passagens, que não exista mais adeus nem finais. Só saudade e um até breve.

Em breve começaremos mais uma história, com quem não pôde ficar até o nosso final.





Ana da Mata

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

É fácil se tornar um pai, difícil é ser

Você perdeu o direito de ser chamado de pai, no exato momento que decidiu fazer jus à sua diversão. Todo mundo, independente de ser pai ou mãe, merece seus momentos divertidos. Sim. Claro. Mas, não largar total responsabilidade por achar que seus conhecidos, sua nova namorada e seus jogos durante a semana merece mais a sua atenção.

Você perdeu o direito de ser de chamado de pai, quando trocou as fraldas sujas do seu bebê por doses de caipirinha e um bocado de fotos alegremente legendadas nas redes sociais, pra quem quiser ver de que você está pleno e feliz. Querido, você não está. Pode ser que demore uns 20 anos pra perceber isso. Quando seu filho deixar de contar as novidades da vida dele, e contar para outra pessoa. Pro cara que realmente é digno de ser chamado de pai. Não você.

Você perdeu o direito de ser chamado de pai, quando deixou de ir nas reuniões da creche, porque tinha compromisso mais legais que saber sobre o crescimento do seu filho. Pra quê saber disso, né? A mãe existe pra isso. É fácil se tonar um pai, difícil é ser.

Você perdeu o direito de ser chamado de pai, quando se auto convenceu que visitar seu filho a cada 15 dias é mais que o suficiente para ser um bom pai. Claro, a cada dia 15 dias não dá tempo de acontecer nada de novo. Não da tempo de fazer uma ligação, não dá tempo de fazer uma visitinha que seja. Entendo, sua rotina só da tempo de fazer o que lhe convém e chorar miséria pra justificar os atrasos da pensão.

Você perdeu o direito de ser chamado de pai, quando a mãe do seu filho exerceu seu papel de ser pai. De acordar todo dia antes do sol, pra preparar o leite e com um milagre divino acordá-lo a tempo de ir pra escolinha. Porque seu filho dorme mais que um bicho-preguiça. Mas você não sabe disso. Perdeu o direito quando sua ex companheira, teve que se reerguer e se virar nos 10 pra conseguir manter o aluguel sozinha.

Vez ou outra, ele pergunta por você. E a mamãe, que poderia falar tanta coisa a seu respeito, inventa coisas bonitas, pra não justificar o abandono; Que na idade dele, vê-lo quinzenalmente, é estar presente. Talvez, um dia, ele perceba que ausência está nos detalhes. Nas pequenas coisas. Mas pode ser também, que pra ele sua presença esporádica seja de bom tamanho... porque ele terá outro pai. E então, nesse dia, você vai perceber que você nunca foi feliz de verdade. Vai querer voltar no tempo e consertar tudo o que der tempo. E um conselho antes que isso aconteça: o tempo não volta.

Caso você nunca se arrependa do que está fazendo hoje, que pena. Sinal de que você não perdeu o direito de ser chamado de pai, você nunca ganhou.


Ana da Mata

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Você não é o amor da minha vida

Você jurou que ficaria. Mas eu sentia o fim. 

Não foi a traição que nos separou. Foi só um empurrãozinho. O fim já havia nos visitado antes disso. Traição é um ato desesperado, de quem sente urgência em acalmar a ausência de quem tinha o papel de estar presente, todos os dias. E as consequências podiam ser boas, eu poderia ter dado centenas de opções de como recomeçar. 

Já havia visto pacotes de viagem pra Europa, lugares onde sinal de celular não funciona. Planejei decorar a casa com objetos que pudessem trazer uma sensação de quem se muda pela primeira vez. Procurei na internet quais eram as cores que dariam sorte para um casal, que sabe-se lá aonde estavam tentando chegar. Pesquisei 20 dicas de como apimentar uma relação-desgastada-que-não-merece-acabar. 

Nós prometemos tentar. Por nós. Só mais uma vez. Mas não adiantou. O fim já havia suspirado no pé do meu ouvido, sussurrou baixinho em sinal de alerta "tô chegando". O cérebro já estava processando a informação, o coração... tadinho. Não entende nem quando desenhado. É que doía só de imaginar sua partida. 

Dei tempo ao tempo. 

Você se foi. Confesso que não foi fácil a digestão, tive que engolir aos poucos e com ajuda de doses pequenas de amor próprio, que eu merecia muito mais do que escolher o filtro certo pra felicidade, com fotos romanticamente legendadas. Eu devia sorrir mais.

Seu nome na minha boca era um vício. Foi difícil desacostumar ao que eu já estava acostumada. Eu tive que lidar com a angústia de lembrar de você até quando eu não queria, e me auto convencer de que isso é uma das consequências do fim. O estrago tava feito. Me remendei em band-aids coloridos, pra disfarçar a ferida que parecia ser incurável. Tentei me esconder em ares diferentes, em corpos esguios e bocas carnudas. 

Eu fiz força pra te esquecer. Acredite. De maneiras mirabolantes e incansáveis. Eu só queria, desesperadamente, não ter que chorar cada vez tocava nossa música no rádio. Queria parar de arrumar desculpas esfarrapadas, só pra achar um jeito de ter assunto com você. Queria ter tido coragem de ter batido a porta por completa, em vez de deixá-la entreaberta. Queria desatar todo nó que nos afastava e fazer deles laços frouxos que nos aproximassem. 

Quando eu te pedi pra não me procurar mais, eu estava te pedindo pra me bajular. Porque eu ficaria, se você pedisse. Eu queria te mostrar que eu ainda era o amor da sua vida. Você recuou, da forma mais covarde e cruel. Eu não sabia que seria assim, mas você decidiu fazer jus a sua diversão. 

Mais uma vez, dei tempo ao tempo.

Finalmente o "tudo passa", chegou. 

Não precisei surtar e explodir os relógios. Eu não disfarço mais, toda vez que tocam no seu nome perto de mim. Eu realmente não me importo. De tanto que eu treinei não te amar mais, ainda que insuportável, meu coração embalsamado se agarrou na beiradinha da esperança e implorou que parasse de apanhar. Não dói mais. E que alívio. Te levo em memórias despretensiosas, com a certeza de que nós tentamos. Mas o amor acaba. Dissipa. Esvai.

Fim. A porta fechou. Os band-aids caíram. Os nós viraram laços. Laços que agora enfeitam um novo amor. 

Não adianta mais me escrever. Não adianta paralisar no tempo, observando seu celular, na esperança que ele toque. Eu não vou te ligar. Talvez a gente se cruze em algum texto bonito meu, mas não falarei sobre você. Nem sobre saudade. Talvez, sobre finais tristes que viram começos felizes. 

Eu não te culpo de nada. Simplesmente porque o amor não faz sentido, não entende a dúvida. Sentimentos puros acabam. Aquela sensação de que podíamos ter ficados juntos um pouco mais, também se foi. 

Você não é o amor da minha vida. Se fosse, não teríamos perdido tanto tempo tentando. Perderíamos tempo, sendo. 




Ana da Mata



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

As coisas que eu não disse

Hoje eu sonhei com você.
E bateu uma vontade absurda de dizer todas as coisas que eu queria ter dito e não disse.
Eu queria ter dito uma porção de coisas que, possivelmente, te assustaria. Eu queria ter dito que minha indiferença em afetos bonitos é só um disfarce bobo pro meu coração que cansou de apanhar.
Só queria que você soubesse que eu sempre achei que o amor não deveria ter plateia.
Eu queria ter dito que eu abria um sorriso largo, de orelha a orelha, cada vez que eu te via. E que enquanto meu coração ensaiava um samba, meus joelhos perdiam a coordenação.
Só queria que você soubesse que meus passos desajeitados tinham motivo.
Eu queria ter dito que meu vício em registrar momentos, é por acreditar que tudo deve ser eternizado por fotografia, por texto, por música, por qualquer coisa que não nos deixe esquecer o que nos traz felicidade.
Só queria que você soubesse que eu prezo momentos bons, porque elas se tornam lembranças. E como é bom relembrar aquilo que nos faz bem.
Eu queria ter dito “saudades”, todas as vezes que eu senti sua falta. Mas eu recuei sempre que surgia vontade de acelerar. Bastava minha presença, nosso calor.
Só queria que você soubesse que eu senti sua falta mil vezes num dia só.
Eu queria ter dito que me lembrei de você em ocasiões inusitadas, que não deveriam ecoar sua voz. Mas lembrei. Por conversas banais que tivemos, por piadas desinteressantes que agora me trazem sorrisos tímidos.
Só queria que você soubesse que sua lembrança não me dilacera, não me corta, não me machuca.
Eu queria ter dito que sua companhia me trazia paz, que com você era possível esquecer o que me tirava o sono. E que sua maturidade é proporcional ao seu bom senso, mas que não combina nada com seus trocadilhos.
Só queria que você soubesse que eu senti vontade de congelar sua presença sempre que seu ombro se encaixava no meu queixo.
Talvez meu amor desaprendeu a ser amor. Provavelmente por medo, era uma relação precoce demais pra eu te encher com minha mania de romantizar cada gesto que me é doado.
Só queria que você soubesse que eu fui 8 pra não te encher com meu 80. E que meu silêncio era em excesso, porque eu acreditava que meu sentimento presente te faria ficar.
Mas quem é que sabe?



Ana da Mata

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Pode ser você... Ou talvez não.

Talvez eu esteja aqui, agora, te escrevendo pra tentar fazer com que você leia e entenda que eu te quero. Que sirva de indireta pra você deixar de me stalkear e me chamar pra sair. Porque eu vomito aos montes o quanto sou independente e bem resolvida a ponto de ter a confiança pra chamar um cara pra dar uma volta por aí, mas com você a cena muda, o roteiro é outro. Contigo é diferente. Com você eu só consigo ensaiar frases feitas e decoradas, e pessoalmente esquecer todas elas.

Quem sabe, eu esteja escrevendo este texto pra amenizar a saudade que eu tô, tentando driblar a resistência de assumir logo que tô na sua e falar de uma vez "ei cara, tá tão fácil me ter, você já me ganhou!’’. Ou então, pra fugir do que está escancarado na minha cara e entender que quando se trata de sentimentos não existem argumentos. E que não adianta eu sentir muito, se você não sente nada.


Pode ser que o objetivo deste texto seja pra acabar aberto na tela do seu computador, você ler e me mandar uma mensagem "foi pra mim né?", eu responder um zilhão de risadas e dizer "como você é convencido", enquanto dou piruetas e coro as bochechas por você não ser tão lerdo quanto eu imaginei e, ao mesmo tempo, eu não ter coragem de assumir que sim, é sim, pra você. Mas é só uma ideia. Talvez você nem leia. Talvez leia e nem se importe. Talvez, tanto faz.


Esse texto pode ser sobre nós dois. Do que você é pra mim e do que eu poderia ser pra você. De que você tem todo o potencial de ser meu e eu tenho todas as qualidades de alguém que pode ser sua. De que você gosta das mesmas coisas que eu, e é tão banal que chega a ser óbvio que a gente se merece.


Eu sonho demais, eu sei. Invento motivos para gostar de você, que sequer existem. Não sei se me quer, se estou apta aos teus critérios de bom moço.


O problema, é que eu tenho a mania de me auto convencer todos os dias, um pouquinho, de que você é só um número. Na esperança que de tanto eu me convencer, você se torne, de fato, só mais um. Porque dá medo de você me querer. Eu só sei lidar com a regra, nunca com a exceção. E se você for a exceção que eu sempre procurei, eu terei certeza de que deveríamos ter quebrado as regras desde o início.


Talvez esse texto seja um impulso pra você me ter e eu escrever sobre o clichê do amor. Ou, pra eu largar a paranoia de te querer, porque só querer não basta, e escrever um próximo sobre o que poderíamos ter sido e não fomos.


O que
prefere?







terça-feira, 9 de agosto de 2016

Não desiste de mim

Me desculpe pelos surtos desenfreados de ciúmes, antes mesmo da entrega. Pelas cenas melancólicas que transpareciam saudade, nos primeiros encontros. Eu estava sem esperança quando você chegou. E te vi ali, tão entregue e tão meu. Me deparei doando, sorrindo, planejando. 

Me desculpe por ter te assustado com um sentimento grande, que de tão desesperada, tornou-se pequeno. Por fazer você perder a paciência toda vez que bati o pé no chão, tentando convencer você e o resto do mundo, que só existe a minha verdade. Por trazer à tona lembranças do passado, onde deveriam morrer empoeiradas. E por toda vez que te prometi leveza e trouxe o peso. Era só uma menina assustada na defensiva por já ter sofrido demais. 

Me desculpe pela ausência de demonstrações de afeto, talvez meu coração gelado não combine com seu corpo quente. Pelo excesso de cobrança, às vezes. Pela falta de atitude, sempre. Pela maneira como eu culpo o inferno astral, o Universo, o azar, o destino quando algo não sai conforme o imaginado, por achar que não posso suportar o fardo da responsabilidade. Pela minha distância de sensibilidade em todo movimento bonito seu. 

Me desculpe pelos dramas que não mereciam a cena. Pelos erros banais e estúpidos de quem não sabe lidar com as consequências. E quem sabe, afinal? Pelas palavras bonitas, apenas escritas. Nada foi dito, falado, pronunciado. Pelas besteiras que fiz, com a finalidade de poupar meu coração, esquecendo do seu coração. Pelas vezes que exigi sua presença, quando sentia medo de ficar sozinha. Pelas enrascadas que te coloquei, por não aguentar emocionalmente sair delas sozinha. 

Me desculpe por toda vez que quis te abandonar, te beijando como se eu tivesse acabado de dar o primeiro beijo. Por ter te amado baixinho, na retaguarda. Por ter feito você me ver de longe, querendo meu espaço e ignorando a saudade absurda que sentíamos um do outro. Por ter procurado sentido em cada fragmento bonito que me foi dado, buscando detalhadamente mil motivos pra explicar o porquê de você gostar de mim. 

Só queria dizer que por um momento te vi indo embora e eu perdi o equilíbrio. Carregar o peso do término, é o preço que se paga quando não temos coragem de lidar com sentimentos sinceros e orgulhos inflados. Quis controlar cada passo nosso, que perdi o controle. Te ver quase partindo, me fez chorar o choro mais triste do mundo. Te ver voltando, me fez sorrir feito boba. 

De um modo incomum, louco, talvez até insensível, eu te peço pra ficar. Para sempre. 




Ana da Mata



quarta-feira, 13 de julho de 2016

wanderlust-se!

Wanderlust, pela definição da web:  "desejo de viajar", é um termo que descreve um forte desejo de caminhar, de ir a qualquer lugar, em uma caminhada que possa levar ao desconhecido, a algo novo, de viajar.

Wanderlust também define a insaciável fome de nunca querer estar em um lugar só, de sempre querer perambular atrás de novas experiências, pessoas, paisagens e nuvens com formatos diferentes em cada lugar descoberto. É a vontade de descobrir novos motivos pra sorrir, e se deslumbrar com que a natureza tem a nos oferecer. É viver e sentir a interminável saga do filme de aventuras que pede parte 1, parte 2, parte 3, reprises e flashbacks. 


Wanderlust nasceu pra ser resposta da pergunta "qual seu hobby favorito?". É o sinônimo de felicidade. É ter devaneios que transmitem perspectiva. É viajar a centenas de quilômetros de distância, sem nem mesmo sair do quarto. É voar para longe, ficar pertinho do céu e querer tocar as estrelas. É ficar 8 horas num ônibus e não conseguir dormir de tanta ansiedade. É conhecer o inesquecível. 


Wanderlust  é compartilhar pra quem quiser ver, que o mundo vai além das notícias. Tem lugares inusitados,  pessoas que de tão especiais - te faz querer colocar na mala e levar embora com a gente. Tem pôr-do-sol, sabores inigualáveis, preços incríveis. Tem chuva, tem clima fresco, tem o preço assustador. Tem o monótono, tem o cheio. Tem o incrível, tem o normal. Tem entusiasmo, tem emoção, tem sensações. 


Wanderlust é o termo colorido que expressa amor, sonhos, loucuras. É o termo que também expressa saudade. É querer de novo, mais uma vez e quem sabe, outra vez. É se atrever ao perigoso, arriscar o improvável, enfrentar o medo. É preencher a alma. É esquecer os problemas, parar no tempo e aproveitar o momento. É se sentir íntima no desconhecido, é colecionar lembranças. Ricas lembranças. É guardar instantes na eternidade da memória. 


Reflita aqui comigo: você conhece os pontos turísticos da sua cidade? Não precisa ir para longe, não precisa gastar muito. A vida é uma viagem que te dá a chance, todo dia, do novo. Deixe florescer o que está enraizado em você. É hora de agir, desligar o celular, fazer passeios de índio.  Economize, planeje, parcele, saia do lugar, descubra, explore.


Wanderlust-se! 








                                                          Ana da Mata

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Felicidade é questão de ser

Tá batido em clara de neve que a vida virou estande, somos fantoches conduzidos por uma rotina pra lá de exigente. Levantamos depois do despertador tocar dez vezes seguidas, reclamamos do trânsito e do excesso de trabalho. Ansiamos a sonhada férias numa praia paradisíaca, porque férias é sinônimo de felicidade. Mas quando, finalmente, ela chega; Perdemos mais tempo escolhendo filtro que aproveitando a viagem. 

Não precisa ir pra muito longe para ser feliz não, sabia? É ilusão acreditar que um tour na Europa irá te livrar dos problemas, te distrai, mas não te livra. Felicidade não é ter, é ser.

É amadurecer e perder total controle sobre sua própria vida, se desesperar e no meio do caos, entender que faz parte do jogo e que o importante é não parar, nunca, mesmo temendo que tudo pode piorar. É enxergar a riqueza na simplicidade, diante de uma enxurrada falsa de ostentação. É perdoar  pessoas que não agregam, não somam e tampouco fazem diferença. É desprezar atos incompreensíveis, porque a força que isso traz, não vale a atenção que lhes é dado. 

É ver beleza no chão com pétalas de flores caídas, enquanto muita gente vê sujeira. É gastar metade do salário comprando cacarecos, mas são os cacarecos que você sempre quis. É ter ousadia em viver, em ter coragem de enfrentar aquilo que já não aguenta mais, porque dói, mas passa. Tudo sempre passa. É ter a capacidade de conseguir chegar em casa depois de duas horas parada num congestionamento, ter ignorado as buzinas e os palavrões de pessoas que querem driblar o trânsito tão rápido quanto você, mas paralisar ali, observando o pôr do sol. 

É dizer que está tudo bem, mesmo com o mundo desmoronando em cima de você. É esquivar-se de motivos que poderão causar borrões na maquiagem. É questionar os erros da vida, não repeti-los e fazer a escolha certa seguindo o coração. É inquestionável o retorno quando confiamos em nós mesmos. É retribuir abraços, somar sorrisos e colecionar amigos. É um almoço com a família reunida, uma tarde de conversas com quem te faz bem e cerveja na promoção. 

Ser feliz requer sabedoria de entender a diferença entre ter e ser. Você por ter tudo que sempre quis, mas se sentir sozinho o tempo inteiro. Sentir que falta um pedaço pro seu quebra-cabeça ficar completo. Ou você pode não ter nada que almeja, mas estar alegre só por saber que está no caminho correto, que as pessoas que estão perto de você, estão por afeto e não interesse. Humildade está na alma. 

Com as enrascadas da vida, os tropeços, os vacilos, a gente aprende a filtrar o que, quem e quando.  A gente aprende que o belo não é o esteticamente grego, é o caráter enriquecido. A gente aprende que pedir desculpas tira o peso, te faz sincero. E que errar é mais comum que acertar. Então por que condenar um erro? Esquece, deleta.

A vida é muito mais que check in, filtros, selfies, ostentação, baladas, viagens caras, carros. Felicidade está naquilo que se vive todo dia. É aquilo que passa por você, que te observa, que te cumprimenta, que te invade, que te encara, que te esgota, que te admira, que te intimida... Como você está tratando sua felicidade diária? 

Não perca o sono por pessoas que não valem seus sonhos. Não se enrugue por coisas que não valem o preço do seu creme. Seja leve. Seja simples.

Ana da Mata

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Tô indo embora

Talvez seja novidade pra você, essa atitude inesperada, sem aviso prévio. Mas eu tô indo embora...

Tô indo porque o nosso amor apagou, prefiro acreditar nisso à assumir que o amor acabou. Talvez nosso amor tenha fugido e se perdido na Rua Augusta, ficou de porre e se perdeu entre todos aqueles bares. Eu não sei, mas aconteceu naquelas mensagens não respondidas, nas ligações não atendidas, nas declarações não correspondidas e naqueles encontros vazios.

Tô indo embora com as melhores lembranças que eu poderia carregar, com a certeza de que algo melhor me espera. E só de ter coragem de partir, é ter a sensação de que a sorte caminha o tempo inteiro ao nosso lado. A gente só dúvida, então joga aos ares o que nós mesmos podemos escolher. Eu escolhi partir. 

Tô indo embora porque o que eu achei que era recíproco, era indiferente. Vou indo pra cuidar de mim, ficar com você é a mesma coisa que ter um cobertor no inverno. Vem, conforta, esquenta e vai embora quando chega outra estação. O tempo passa muito rápido, não vou mais perder momentos felizes enquanto me confronto com a dúvida diariamente. 

Tô indo embora porque com você eu me perdi. Me perdi completamente, pior, me acostumei com a sua rotina. Eu me moldei em você. Eu fiz do seu jeito, o meu. Calma, não estou te culpando. Não é culpa sua e nem minha. Mas a covardia de não enxergar o que é escancarado todos os dias, foi além. Insistir em nós sempre foi uma grande utopia e nem vale a pena lutar por planos irrealizáveis. 

Estou partindo sem o peso da culpa. Tô indo embora com a minha melhor roupa, com aquele batom vermelho que você sempre detestou e com um sorriso leve. Tô indo embora porque a hora certa, acerta. Demora, mas quando a ficha cai, a gente se dá conta que perder o rumo, é ficar livre pra ir onde quiser. 

Já vou indo porque gostar de você, me fez esquecer completamente de como é bom gostar de mim. 



                                                          Ana da Mata

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Eu te quero

Eu quero deixar de visualizar suas fotos, quero deixar de pensar tanto em você a ponto de ser patético, quanto é de fato. Quero deixar de sentir saudade de encontros que (ainda) não chegaram. Eu quero te ver. Quero te observar sem piscar, pra não correr o risco de perder o teu movimento mais bonito.

Eu  aceito sem delongas ir ao cinema com você. Quero rir escandalosamente numa comédia e você me achar tão boba quanto a cena do filme. Eu arrisco assistir um terror, só para tomar um susto, dizer que tenho medo e sentir o seu toque. Quero ficar com vergonha quando entrelaçar nossas mãos, caso acabemos  num romance qualquer.

Eu concordo em ir num bar com você. Quero sentir seu hálito quente sussurrando doçuras, enquanto nossos corações ensaiam um samba. Eu quero beber você em goles cheios e ansiosos. Eu quero me deliciar no seu jeito tranquilo de falar e quero ter uma crise de riso por uma piada que fizer. Só pra quebrar o clima. Só pra ouvir minha risada. Só pra me ver sorrir.

Eu quero entrar no seu carro e ouvir uma música que eu gosto, só pra ter mais um motivo pra querer te ver de novo (como se isso fizesse diferença). Quero ficar tímida  quando me elogiar, corar as bochechas; e você me puxar e me tocar com seu lábio. Quero sentir o seu abraço e paralisar o tempo, já que o melhor momento é aquele que não quer passar.

Eu quero te ver. Quero dormir na sua casa, deitar na sua cama e te olhar nos olhos - devorar sua alma, sem pressa de ir embora. Quero acordar e vestir uma camisa tua. Quero te beijar e te fazer acreditar que o que falta em você, sou eu. Quero ir além, antes de um desdém. Quero me ajeitar na sua confusão. 

Eu quero papos leves, burlar certezas e cair na sua proposta indecente. Quero brindar com cerveja nossas cicatrizes antigas.  Quero te definir com expressões bem coloridas. Quero que a minha falta de coordenação te faça me encostar na parede e me fazer inteira. Quero te decifrar, te decorar. Quero te desenhar, te emoldurar. Quero me encaixar no teu espaço. 

E na despedida, quero sentir o coração disparar  e poder dizer sem titubear que...

Eu amei te ver. 




Ana da Mata

terça-feira, 7 de junho de 2016

O coração é de mocinha

Quando a TPM chega, a instabilidade emocional toma conta. Num segundo eu quero gritar, espernear, tacar uma bomba no mundo e, no segundo seguinte, eu quero abraços, beijos, cafuné e propagar a paz mundial. Paciência é o segredo secreto pra me aguentar nesses dias. Tem patada, coice, choro, carência, excesso de carinho e cólica... muita cólica. Mas não se assuste...


Quando eu estou com fome, nada que exista no universo me fará sorrir, senão um prato bem grande de comida. Nada de coxinha, bombom, frutas ou qualquer besteira alheia que sirva de escape. O mau humor domina até que eu fique bem satisfeita. Mas não se assuste...

Quando eu sinto ciúmes, por favor, entenda: não é charme e nem teatro. Só acho que o que é meu, é meu. E o que não é, também é meu. Eu sou dramática na mesma proporção que sou exagerada, então se eu disser que não vou sair porque está caindo o mundo em água, saiba que na verdade está garoando; E a garoa por si só me devasta de preguiça. Mas não se assuste...

Quando eu teimar por algo que eu achar que estou certa, pode desenhar caso eu esteja errada. Se eu reclamar do seu jeito indelicado de cortar conversa e deixar no ar um ponto de interrogação, é só pelo simples fato que eu só sei ser inteira, não sei ser metade. Portanto, não esqueça de que não iremos dormir antes de colocarmos os pingos nos is. Mas não se assuste...

Quando eu for assistir uma partida de futebol, eu vou gritar e eu vou xingar, mesmo te perguntando se o impedimento foi correto ou não. No bar, eu vou jogar bilhar, mesmo o taco sendo o dobro do meu tamanho. Eu vou beber duas latas de cerveja e vou ficar alegre, talvez mais que alegre, ruim o suficiente pra não chegar na terceira lata. Mas não se assuste...

Quando eu viajo, quero tirar um milhão de fotos. E se reclamar, tiro o dobro. Eu sou amante da natureza, mas não fique bravo quando eu correr de uma abelha. Também não se estresse quando eu implorar por um acampamento e tremer quando escutar um barulho duvidoso. Prefiro luau à churrasco, praia à parque e sorvete à caipirinha. Mentira, neste caso, prefiro os dois. Reclamo do sol escaldante, mas quando chove eu brigo com São Pedro. Mas não se assuste...

Quando deixar o GPS comigo não se zangue ao me ver admirando os pássaros, criando formatos bonitos nas nuvens e esquecer de avisar que era pra ter virado à direita. Escuto a mesma música repetidas vezes, até fazer você gostar; E quando você finalmente aprender a letra, eu já estarei viciada em outra música. Mas não se assuste...

O prato é gigante, a risada é estranha, a boca é tagarela, o chilique é desnecessário, o ciúmes é exagerado. Mas não se assuste, eu prometo que...

O coração é de mocinha. 






                                                              Ana da Mata


terça-feira, 17 de maio de 2016

Beleza é temporária

Beleza não dura muito. Dura o suficiente. Em uma troca de olhares, uma barba mal feita, um andar desmazelado, um cabelo bagunçado, um sorriso leve. 

Ninguém é bonito por antecedência, a aparência é rapidamente descoberta e escancarada. A beleza é manchada na ortografia errada e na má educação. A beleza é descartada na grosseria desnecessária e na petulância desrespeitada. É destruída pela ignorância e por um vocabulário chulo. 

Beleza é delicadeza, é essência. Não se constrói uma beleza, nasce com ela. Ser bonito é ser sútil e não invadir um espaço que não lhe foi permitido. É ser gentil e mostrar que é diferente, em meio ao cenário dos que não são. É saber lutar pelo que se quer e saber enxergar as oportunidades que a vida se encarrega de lhe presentear, é ser humilde. É respeitar as vontades mais estranhas. É ser inteligente o suficiente pra saber o que falar, quando falar. Quando ir embora e quando ficar. Quando avançar o sinal e quando recuar. Mulheres deixam sinais, observe. 

A beleza encanta, mas não engana.

Ser bonito é elogiar sem esperar que seja recíproco, que seja pela sutileza em querer falar. É ser atencioso por querer ser atencioso, não por querer acabar num motel. É ter generosidade estampada na personalidade. Ser bonito é tratar bem, pela simples cordialidade de querer tratar bem.  É titubear por estar envergonhado em falar o que sente. É entrelaçar as mãos no escuro do cinema. É saber falar olhando nos olhos. É saber ouvir retribuindo a atenção dela.

Mulheres de verdade não fazem questão de dinheiro, de carro, de status, de flores. A questão é amadurecimento. Garotos pensam que ter é melhor que ser. Bens materiais não chegam nem aos pés de um homem maduro com verdadeiros ideais. A beleza é um convite, que pode ser aceito ou não. A arte da atração é garantido pelo flerte, pela vontade de demonstrar afeição. 

Tratar uma mulher com empatia e leveza é uma arte. Alguns escolhem esse caminho, outros preferem passar a vida tentando. Escolhas. 

A beleza passa, o caráter fica. 

Ana da Mata

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Ao mundo todo o meu amor

Amo ser quem eu sou, sem precisar explicar porque sou.  Amo ser quem eu sou e ter quem goste de mim, sem tirar nem pôr. Amo quando não falo nada e entendem meus sinais. Amo estar em paz com a minha companhia. Amo falar sozinha e de ser atrapalhada. 

Amo acordar no meio da noite e ver que ainda dá tempo de dormir mais cinco horas. Amo o silêncio que a chuva me proporciona e amo a infinitude do universo. Amo ser acordada antes do despertador tocar e amo o som do passarinho perto da janela. Amo sonhar e achar que foi real.

Amo ter pra quem contar o meu dia, mesmo que tenha sido insuportavelmente chato. Dá pra levar com humor e acabar rindo do que não merece a minha insônia.  Amo ter medos bobos e coragens incoerentes. Amo receber massagem e amo fazer cafuné. Amo o frio na barriga quando o avião decola. 

Amo ter momentos inesquecíveis e me lembrar deles com vontade de voltar no tempo e repetir tudo de novo. Mas eu também amo o fato do tempo não voltar. Amo viver como se fosse a primeira vez. Todo dia. Amo beijos roubados, declarações desenfreadas e sorrisos tímidos. Amo rir até a barriga doer e amo chorar até a alma agradecer. 

Amo a presença dos meus amigos e das broncas que levo deles. É inquestionável a preocupação verdadeira de quem gosta mesmo de você. Amo quem vem sem precisar pedir e amo quem vai sem precisar se justificar. Amo quem sabe me acalmar pro que não merece a minha atenção. Amo conhecer gente nova e amo reencontrar velhos amigos. Amo amizades sem cobrança. 

Amo quando sou surpreendida pelo destino e amo quando faço a escolha certa. Ou que pelo menos acho que é. Amo ouvir a mesma música repetidas vezes e amo cantar a letra errada como se ninguém estivesse ouvindo. Amo dançar, mesmo que descoordenada e como se ninguém estivesse me observando. 

Amo comer como se não existisse o amanhã, e em seguida, me arrepender de ter comido tanto. Amo coxinha e comida japonesa. Amo agitar um bar e deixar claro que é dia de encher a cara, mas parar na segunda garrafa de cerveja, por não conseguir beber mais. Amo inverno regado à vinho, cobertor e filme. Amo verão regado de sorvete com farofa de amendoim, festa que emenda tarde com noite e luau na praia.

Amo viajar pra perto da natureza e encher minha alma de prazer. Amo visitar lugares várias vezes e não enjoar. Amo ser íntima de lugares que vou pela primeira vez.  Amo o nascer do sol e o pôr dele também. Amo estar com o pé no chão e a mente longe daqui e de tudo que me preocupa. Amo metaforizar a vida e amo a magia de viver. Amo meu exagero em contar novidades e amo meu jeito poético de simplificar palavras. 

Amo a sinceridade dita pelo olhar. Amo abraços apertados e amo abraços demorados. Amo gargalhada alta e suspiros elevados.  Amo sussurros no pé do ouvido e amo pés entrelaçados. Amo peripécias de crianças e lambeijos de cachorros. Amo me emocionar com gestos simples, gentilezas gratuitas e sentimentos que são doados de coração. 

É fácil ser feliz, não requer inteligência ou muito esforço; requer coragem. 

Observe-se. 


                                                               


                                                     Ana da Mata