quinta-feira, 9 de junho de 2016

Eu te quero

Eu quero deixar de visualizar suas fotos, quero deixar de pensar tanto em você a ponto de ser patético, quanto é de fato. Quero deixar de sentir saudade de encontros que (ainda) não chegaram. Eu quero te ver. Quero te observar sem piscar, pra não correr o risco de perder o teu movimento mais bonito.

Eu  aceito sem delongas ir ao cinema com você. Quero rir escandalosamente numa comédia e você me achar tão boba quanto a cena do filme. Eu arrisco assistir um terror, só para tomar um susto, dizer que tenho medo e sentir o seu toque. Quero ficar com vergonha quando entrelaçar nossas mãos, caso acabemos  num romance qualquer.

Eu concordo em ir num bar com você. Quero sentir seu hálito quente sussurrando doçuras, enquanto nossos corações ensaiam um samba. Eu quero beber você em goles cheios e ansiosos. Eu quero me deliciar no seu jeito tranquilo de falar e quero ter uma crise de riso por uma piada que fizer. Só pra quebrar o clima. Só pra ouvir minha risada. Só pra me ver sorrir.

Eu quero entrar no seu carro e ouvir uma música que eu gosto, só pra ter mais um motivo pra querer te ver de novo (como se isso fizesse diferença). Quero ficar tímida  quando me elogiar, corar as bochechas; e você me puxar e me tocar com seu lábio. Quero sentir o seu abraço e paralisar o tempo, já que o melhor momento é aquele que não quer passar.

Eu quero te ver. Quero dormir na sua casa, deitar na sua cama e te olhar nos olhos - devorar sua alma, sem pressa de ir embora. Quero acordar e vestir uma camisa tua. Quero te beijar e te fazer acreditar que o que falta em você, sou eu. Quero ir além, antes de um desdém. Quero me ajeitar na sua confusão. 

Eu quero papos leves, burlar certezas e cair na sua proposta indecente. Quero brindar com cerveja nossas cicatrizes antigas.  Quero te definir com expressões bem coloridas. Quero que a minha falta de coordenação te faça me encostar na parede e me fazer inteira. Quero te decifrar, te decorar. Quero te desenhar, te emoldurar. Quero me encaixar no teu espaço. 

E na despedida, quero sentir o coração disparar  e poder dizer sem titubear que...

Eu amei te ver. 




Ana da Mata

terça-feira, 7 de junho de 2016

O coração é de mocinha

Quando a TPM chega, a instabilidade emocional toma conta. Num segundo eu quero gritar, espernear, tacar uma bomba no mundo e, no segundo seguinte, eu quero abraços, beijos, cafuné e propagar a paz mundial. Paciência é o segredo secreto pra me aguentar nesses dias. Tem patada, coice, choro, carência, excesso de carinho e cólica... muita cólica. Mas não se assuste...


Quando eu estou com fome, nada que exista no universo me fará sorrir, senão um prato bem grande de comida. Nada de coxinha, bombom, frutas ou qualquer besteira alheia que sirva de escape. O mau humor domina até que eu fique bem satisfeita. Mas não se assuste...

Quando eu sinto ciúmes, por favor, entenda: não é charme e nem teatro. Só acho que o que é meu, é meu. E o que não é, também é meu. Eu sou dramática na mesma proporção que sou exagerada, então se eu disser que não vou sair porque está caindo o mundo em água, saiba que na verdade está garoando; E a garoa por si só me devasta de preguiça. Mas não se assuste...

Quando eu teimar por algo que eu achar que estou certa, pode desenhar caso eu esteja errada. Se eu reclamar do seu jeito indelicado de cortar conversa e deixar no ar um ponto de interrogação, é só pelo simples fato que eu só sei ser inteira, não sei ser metade. Portanto, não esqueça de que não iremos dormir antes de colocarmos os pingos nos is. Mas não se assuste...

Quando eu for assistir uma partida de futebol, eu vou gritar e eu vou xingar, mesmo te perguntando se o impedimento foi correto ou não. No bar, eu vou jogar bilhar, mesmo o taco sendo o dobro do meu tamanho. Eu vou beber duas latas de cerveja e vou ficar alegre, talvez mais que alegre, ruim o suficiente pra não chegar na terceira lata. Mas não se assuste...

Quando eu viajo, quero tirar um milhão de fotos. E se reclamar, tiro o dobro. Eu sou amante da natureza, mas não fique bravo quando eu correr de uma abelha. Também não se estresse quando eu implorar por um acampamento e tremer quando escutar um barulho duvidoso. Prefiro luau à churrasco, praia à parque e sorvete à caipirinha. Mentira, neste caso, prefiro os dois. Reclamo do sol escaldante, mas quando chove eu brigo com São Pedro. Mas não se assuste...

Quando deixar o GPS comigo não se zangue ao me ver admirando os pássaros, criando formatos bonitos nas nuvens e esquecer de avisar que era pra ter virado à direita. Escuto a mesma música repetidas vezes, até fazer você gostar; E quando você finalmente aprender a letra, eu já estarei viciada em outra música. Mas não se assuste...

O prato é gigante, a risada é estranha, a boca é tagarela, o chilique é desnecessário, o ciúmes é exagerado. Mas não se assuste, eu prometo que...

O coração é de mocinha. 






                                                              Ana da Mata