segunda-feira, 20 de junho de 2016

Deixa eu bagunçar você

Porque hoje a saudade apareceu me cumprimentando com dois tapinhas nas costas, tentando me confortar com a sua ausência.

Só precisou de um pouco de luz e um punhado de carícias que me fizessem corar as bochechas. Só precisou do seu jeito suavemente despudorado, pra prender a minha atenção ao que não tem tanta importância assim. Só precisou de um segundo pra você me beijar, enquanto eu me distraía desenhando sua boca com os meu olhos. Só precisou de uma ligação inesperada, pra eu ficar na eternidade do segundo me perguntando "atendo ou não atendo?" Claro que devo atender, mas o coração dispara com um barulho ensurdecedor que é quase impossível pensar. 



Porque hoje eu consigo desabrochar a fragilidade do meu sentimento e, enfim, poupar meu coração de morrer sufocado com tantas palavras não ditas. Porque hoje eu entendo o medo que você tem de se entregar, mas não vou te esperar, tenho pressa em te ter e para isso não existe argumentos. Porque hoje eu só queria um sinal de fumaça seu, que me fizesse acreditar que você pensa em mim, como eu penso em você. Só pra eu me sentir menos boba. 

Só precisou transpassar a felicidade ao me ver pra se assustar com sentimentos que não pediram licença para entrar. Só precisou dizer que sou maluca e que minha risada é esquisita, mas que adora me irritar - pra perceber que antes do amor, vem a admiração. 
Só precisou do som da sua gargalhada, pra eu sentir vontade de andar de mãos dadas. Só precisou de um sussurro no pé do ouvido, pra eu sentir vontade de entrelaçar nossos corpos.  

Porque hoje eu acordei com desejo de você. Te perder de vista não tem um gosto bom, estaria mentindo se eu dissesse que eu não estou nem aí e que eu não me interesso. Sim, eu me interesso, confesso e expresso. Porque no meio dessa confusão de sentimentos, eu desisti de quem já desistiu de mim; A gente se perde, se encontra e se assusta. Porque entre um sorriso ou outro, sempre tem um que se destaca. É o seu.

Deixa de lado os poréns, as incertezas e as centenas de possibilidades. Podemos continuar a nos surpreendermos com beijos roubados, sussurros de arrepiar e cócegas de marejar os olhos. Talvez amanhã estejamos em pedaços, mas hoje podemos ser inteiros.

Moço, não fica com medo não, deixa eu bagunçar você?



                                                        Ana da Mata
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