quarta-feira, 16 de novembro de 2016

É fácil se tornar um pai, difícil é ser

Você perdeu o direito de ser chamado de pai, no exato momento que decidiu fazer jus à sua diversão. Todo mundo, independente de ser pai ou mãe, merece seus momentos divertidos. Sim. Claro. Mas, não largar total responsabilidade por achar que seus conhecidos, sua nova namorada e seus jogos durante a semana merece mais a sua atenção.

Você perdeu o direito de ser de chamado de pai, quando trocou as fraldas sujas do seu bebê por doses de caipirinha e um bocado de fotos alegremente legendadas nas redes sociais, pra quem quiser ver de que você está pleno e feliz. Querido, você não está. Pode ser que demore uns 20 anos pra perceber isso. Quando seu filho deixar de contar as novidades da vida dele, e contar para outra pessoa. Pro cara que realmente é digno de ser chamado de pai. Não você.

Você perdeu o direito de ser chamado de pai, quando deixou de ir nas reuniões da creche, porque tinha compromisso mais legais que saber sobre o crescimento do seu filho. Pra quê saber disso, né? A mãe existe pra isso. É fácil se tonar um pai, difícil é ser.

Você perdeu o direito de ser chamado de pai, quando se auto convenceu que visitar seu filho a cada 15 dias é mais que o suficiente para ser um bom pai. Claro, a cada dia 15 dias não dá tempo de acontecer nada de novo. Não da tempo de fazer uma ligação, não dá tempo de fazer uma visitinha que seja. Entendo, sua rotina só da tempo de fazer o que lhe convém e chorar miséria pra justificar os atrasos da pensão.

Você perdeu o direito de ser chamado de pai, quando a mãe do seu filho exerceu seu papel de ser pai. De acordar todo dia antes do sol, pra preparar o leite e com um milagre divino acordá-lo a tempo de ir pra escolinha. Porque seu filho dorme mais que um bicho-preguiça. Mas você não sabe disso. Perdeu o direito quando sua ex companheira, teve que se reerguer e se virar nos 10 pra conseguir manter o aluguel sozinha.

Vez ou outra, ele pergunta por você. E a mamãe, que poderia falar tanta coisa a seu respeito, inventa coisas bonitas, pra não justificar o abandono; Que na idade dele, vê-lo quinzenalmente, é estar presente. Talvez, um dia, ele perceba que ausência está nos detalhes. Nas pequenas coisas. Mas pode ser também, que pra ele sua presença esporádica seja de bom tamanho... porque ele terá outro pai. E então, nesse dia, você vai perceber que você nunca foi feliz de verdade. Vai querer voltar no tempo e consertar tudo o que der tempo. E um conselho antes que isso aconteça: o tempo não volta.

Caso você nunca se arrependa do que está fazendo hoje, que pena. Sinal de que você não perdeu o direito de ser chamado de pai, você nunca ganhou.


Ana da Mata

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