quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

E se eu te disser ...

Se eu te disser que cada vez que eu me pego pensando em você, eu sinto uma vontade absurda de correr até a sua casa e dividir meus desejos mais secretos. Que meu corpo anseia o seu. Que minha alma sente urgência em ter a sua. Que quando você me toca, meu coração preguiçoso é preenchido por sensações taquicardias. E se eu te disser que eu sinto pressa em chegar perto, me moldar em você, transformar seu olhar num poema. Você leria? 

Se eu te disser que eu enterrei bem fundo o medo de amar, acompanhada de um sentimento desajuizado. Que se a gente não der certo, ninguém precisa ir embora. Que você faz escolhas que ninguém entende e nem eu, mas tudo bem, eu aninho todas as suas esquisitices em afagos desajeitados. Que se for necessário dizer uma, duas, cinco vezes o quanto você é lindo, eu diria. E se eu te disser que se precisar implorar por um abraço seu, eu imploraria. Porque dentro dos seus braços, meus medos se dissolvem. Você ficaria? 

Se eu te disser que vez ou outra, eu congelo o tempo e observo seus olhos verdes que sorriem ao mundo, amolecendo corações blindados, sem precisar de esforço. Que se não nos tornarmos tudo um para o outro, que não sejamos nada. Que eu enjoo fácil de caras pateticamente apaixonados, tornando minha rotina em um melodrama, mas eu me apaixonaria por você todo dia. Talvez só de te olhar. E se eu te disser que se fossemos romanticamente blasé, eu tiraria da minha caixa todo o amor que eu guardei e te entregaria. Você cuidaria?

Se eu te disser que eu estou sempre querendo ir embora, com vontade ficar. Que eu exagero em palavras, mas economizo em atitudes. Que eu construiria um castelo de areia para nós e, em seguida, o desmancharia inteiro, só para sempre termos continuações. Que eu te ligaria em horários malucos, desligaria na tua cara, só pra ouvir sua voz de sono sussurrar "alô".  E se eu te disser que eu te quero sem demora, ao mesmo tempo que surge um desespero em sumir, ficar calada, sozinha, na minha. E voltar só depois que eu pudesse explicar todas as minhas (próprias) dúvidas. Você entenderia o paradoxo do amor?


Se eu te disser que, honestamente, os afetos criados merecem beijos longos. Que eu ensaio gestos ousados pra você me chamar de sua. Que eu bebo goles cheios de coragem e quando eu te vejo, vomito tudo. Que eu valorizo seus detalhes, a simplicidade nunca foi tão rara. Que, frequentemente, eu me assusto, pensando que tudo sentido ao extremo, traz dores extremas também. E se eu te disser que eu carrego em mim, um arsenal de clichês pra te conquistar. Você se encantaria? 

Se eu te disser que eu coleciono sentimentos desorientados. Que eu quero ser livre com você. Que eu sofro de ansiedade quando o assunto é amor. Que dói a possibilidade do adeus, mas dóis mais o seu silêncio. Que a saudade se engasga, toda vez que tenta gritar seu nome. Que eu voltaria dez casas, pegaria cogumelos mágicos e anéis dourados e acharia o caminho certo. O teu caminho. Que eu enfrentaria todas as criaturas, passaria fases, só pra gente ter o nosso final feliz no topo do castelo. E se eu te disser que o infinito é o nosso mantra mais bonito. Você acreditaria? 

E se eu te disser que te amo. Seria recíproco?  






Ana da Mata



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